segunda-feira, 5 de junho de 2017

Casa restaurada de Pierre-Auguste Renoir vira museu.

Fonte: The Art Newspaper

A casa de verão do pintor impressionista em Essoyes abre ao público em junho após uma grande restauração.

Um museu dedicado a Pierre-Auguste Renoir abriu no dia 3 de junho na residência da família do pintor em Essoyes, a cerca de 185 quilômetros de Paris, após passar por grandes trabalhos de restauração em seu interior e jardins.

Renoir adquiriu essa casa em 1896, seis anos depois de se casar com sua noiva e modelo Aline Charigot, nascida no vilarejo perto dos vinhedos de champanhe, às margens de um afluente do Rio Sena. Dez anos mais tarde, devido a um sério problema de reumatismo, Renoir e a família foram obrigados a mudar para Cagnes-sur-Mer, na Riviera Francesa, onde o artista comprou uma villa também transformada em museu. No entanto, ele continuou a passar seus verões em Essoyes até sua morte, em 1919, e está sepultado no cemitério local com Aline e os três filhos do casal.

Casa de Renoir em Essoyes, vilarejo onde nasceu sua esposa Aline Charigot.

Em 2012, a bisneta de Renoir, a atriz Sophie Renoir, vendeu a casa para o município de Essoyes por 600.000 euros. Segundo o prefeito, Philippe Talbot, o vilarejo gastou cerca de 1 milhão de euros nos últimos quatro anos para transformar a casa em museu. A reforma incluiu um elevador para deficientes, reforços nos pisos dos quartos do primeiro andar e a conversão da sala de jantar em um espaço climatizado para exibição de obras de arte e trabalhos de restauração. A equipe baseou-se nas próprias pinturas que Renoir fez da casa para que ela ficasse novamente "como era em sua época", afirma Talbot.

Além da casa, o museu inclui o estúdio que Renoir construiu no fundo do jardim. Aberto ao público há 20 anos sob a égide da Associação Renoir, uma organização sem fins lucrativos, o estúdio foi comprado separadamente pela cidade há uma década e abriga objetos e móveis do artista, esculturas criadas ao final de sua vida, e também inclui a projeção de slides sobre o mestre. O estúdio recebe atualmente cerca de dez mil visitantes ao ano, uma cifra que o prefeito espera aumentar com a inauguração da casa e do jardim.

Renoir - 'Casa de Essoyes' (1906) - coleção particular

Três instituições francesas emprestaram obras de Renoir para a abertura do museu: uma escultura foi cedida pelo Museu Renoir em Cagnes-sur-Mer, o retrato 'Jovem ao espelho' (1919) foi emprestado pelo Museu de Belas Artes de Rouen, e o Museu de Belas Artes de Bordeaux está cedendo a paisagem 'A Ponte d’Essoyes', denominada 'A pequena ponte' em seu site na Internet.  

Pierre-Auguste Renoir - 'Jovem ao espelho' (c.1915) - óleo s/ tela - Musée Des Beaux-Arts de Rouen

Renoir - 'A ponte de Essoyes' ou 'A pequena ponte' (s/d) - óleo s/ tela - 23 X 32 cm - Musée Des Beaux-Arts de Bordeaux

O Museu de Arte Moderna da cidade vizinha de Troyes também abrirá uma exposição com cerca de 40 trabalhos de Renoir e uma dúzia de obras de seus amigos e colegas impressionistas. Marcado para o dia 17 de junho, o vernissage também incluirá seis pinturas da coleção particular de Pablo Picasso, ilustrando a influência de Renoir sobre o artista espanhol. "A ideia é apresentar uma nova leitura de Renoir", diz Daphne Castano, curadora da outra exposição.



Você pretende visitar Paris neste verão? (Lembrando que o verão europeu começa em junho, naturalmente...) Vale a pena dar um pulo a Essoyes para conhecer o lugarejo onde um dos mestres mais amados do Impressionismo compartilhou momentos felizes com a esposa, os filhos e amigos queridos. Anote o endereço: 9 Place de la Mairie - 10360 - Essoyes - França. Tel.: +33 (0)3 25 29 10 94.

domingo, 4 de junho de 2017

Exposição 'O Impressionismo e o Brasil': a paisagem brasileira à luz de grandes talentos.

Pela quantidade de visitantes que se apinham diante de determinadas pinturas, em diversos museus que visitei no exterior, arrisco dizer que o Impressionismo é, possivelmente, a escola artística mais admirada no mundo. Nascido oficialmente na França em 1874, o movimento que festeja a pintura ao ar livre chegou ao Brasil poucos anos depois e, ao que parece, não enfrentou tanta resistência aqui como por lá. O Impressionismo tupiniquim começou no Rio de Janeiro, mas seu precursor no país não foi um francês, e sim um pintor alemão chamado Georg Grimm (1846-1887), que nasceu na Bavária e desembarcou aqui provavelmente em 1878. Oficialmente, foi Grimm quem instituiu a pintura ao ar livre no Brasil, lá pelos idos de 1880. Em março de 1882, ele participou de uma exposição com 128 pinturas de um total de 418, chamou atenção do governo imperial e acabou convidado a lecionar na cadeira de "Pintura de Paisagens, Flores e Animais" da Academia Imperial de Belas Artes. Essa informação, e muitas outras, estão na exposição O Impressionismo e o Brasil, com curadoria de Felipe Chaimovich, atualmente no Museu de Arte Moderna - o MAM do Ibirapuera. Apesar de focar nos expoentes do Impressionismo brasileiro, a mostra também se permite exibir algumas telas de Renoir do acervo do nosso MASP, a fim de melhor ilustrar o movimento.

Georg Grimm - 'Rochedo da Boa Viagem' (1887) - óleo s/ tela
 Coleção Governo do Estado do Rio de Janeiro - Foto: Simone Catto

Pierre-Auguste Renoir - 'Banhista enxugando o braço direito (Grande nu sentado)' (1912)
 óleo s/ tela - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Foto: Simone Catto

Se você está se perguntando por que tudo começou no Rio de Janeiro, vale lembrar que, no século XIX, o Rio ainda era a capital da corte imperial, mantendo intensa atividade comercial com a Europa. Em 1844, a cidade tinha apenas seis lojas de tintas, mas em 1889 já eram mais de cinquenta, que vendiam muitas novidades importadas, como as novas cores de tinta a óleo em tubos metálicos, pincéis com anel metálico para afixar os pelos ao cabo, permitindo o achatamento das pinceladas, além de caixas portáteis, bancos dobráveis e muitos outros itens que faziam brilhar os olhos dos pintores da natureza. O crescimento da venda de materiais industrializados deu ímpeto à pintura de paisagem na Academia Imperial e originou a primeira escola de arte no Rio de Janeiro. Não podemos esquecer que, àquela época, o Rio ainda tinha uma paisagem natural invejável, os morros ainda não haviam se transformado nas monstruosas favelas que são hoje e os pintores gostavam de retratar a enseada de Botafogo, a baía de Guanabara e uma Copacabana paradisíaca, que realmente proporcionavam belíssimas vistas. Além disso, as imagens de viagens foram ficando cada vez mais populares, com viajantes capturando suas "impressões" em esboços rápidos sobre papel.

Antonio Garcia Bento - 'Porto do Calaboço' (1921) - óleo s/ madeira - Coleção Orandi Momesso
Foto: Simone Catto

Lucilio de Albuquerque - 'Rio Soberbo - Teresópolis' (1927) - óleo s/ tela
Coleção Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro - Foto: Simone Catto

Eliseu Visconti - 'Baixada de Villa-Rica' (1924) - óleo s/ tela - Coleção Governo do Estado do Rio de Janeiro
Foto: Simone Catto

O professor Grimm influenciou vários de seus pupilos na Academia e costumava dizer: "Quem quiser aprender a pintar deve pegar um pincel e ir para a mata". Seus principais discípulos, também representados na exposição do MAM, foram o italiano Giovanni Battista Castagneto (1851-1900) e o brasileiro Antonio Parreiras (1860-1937). Grimm não media esforços e vivia se arriscando para capturar a melhor paisagem, se embrenhando na mata e abrindo "picadas" como um Bandeirante. Segundo Parreiras, muitas vezes ele promovia excursões para as florestas para dar aulas in loco e conduzia os alunos a trilhas perigosas, altas montanhas e pântanos inóspitos, como um Indiana Jones tropical. Os alunos acompanhavam o mestre heroicamente, com suas paletas e cavaletes nas costas, certamente rezando para não virarem comida de jaguatirica.

Na realidade, a Academia nunca simpatizara verdadeiramente com Grimm, porque, além de rebelde, dizia-se que ele tinha um gênio um tanto difícil. Em 1884, seu contrato como professor não foi renovado, mas ele já havia conquistado um séquito de alunos-seguidores. Posteriormente, o crítico Gonzaga-Duque publicou um livro no qual afirmou que o mestre bávaro foi o único homem a ter sucesso na criação de uma escola artística no Rio de Janeiro.

Seu aluno Giovanni Battista Castagneto, nascido em Gênova, Itália, migrou para o Brasil em 1874 com o pai e entrou para o curso de pintura de paisagem da Academia em 1879. Após estudar com Grimm por dois anos, especializou-se em paisagens marinhas. Castagneto costumava alugar barcos para pintar em alto-mar e, quando não dava tempo de trocar de pincel, usava aquilo que tivesse à mão: seus dedos, as unhas, um pedaço de corda, um graveto, enfim - o que estivesse ao seu alcance. Suas pinturas não revelam superfícies polidas ou acabadas: Castagneto gostava de deixá-las empastadas, muitas vezes com textura rude. Aproveitando a grande oferta de tintas industriais, tinha uma paleta diversificada, o que lhe permitia pintar rapidamente enquanto estava nos barcos, sujeito ao movimento das ondas, dos ventos e do vai-e-vem das marés.

Giovanni Battista Castagneto - 'Marina com barcos' (1894) - óleo s/ tela - Coleção Luiz Carlos Ritter, RJ - Foto: Simone Catto

Antonio Parreiras decidiu tornar-se pintor em 1878 após herdar um dinheiro que lhe permitiu custear seus estudos na Academia Imperial de Belas Artes, onde se matriculou no curso noturno. Contudo, foi somente em 1884 que começou a ter aulas de pintura de paisagem e estudou com Grimm apenas alguns meses antes que este fosse desligado da escola. Apesar do pouco tempo de convivência com o alemão, Parreiras ficou vivamente impressionado com seu estilo e imediatamente começou a pintar a céu aberto. Quando Grimm deixou a Academia, não hesitou em segui-lo. Acordava ao nascer do sol e ia encontrar o professor em Boa Viagem, local de sua residência, onde os dois trabalhavam juntos até a noitinha.

Antonio Parreiras - 'Escola ao ar livre - Teresópolis, RJ' - c.1892 - óleo s/ tela - Coleção Governo do Estado do Rio de Janeiro
Foto: Simone Catto

Após o período de estudos, Parreiras não tinha mais dinheiro e, desconsolado, olhava os tubos de tintas fornecidos pela Academia se esvaziarem, sabendo que não poderia comprar novos e, portanto, que teria de parar de trabalhar. Os alunos de Grimm, aliás, eram em geral pobres e, quando as telas e tintas fornecidas pela escola acabavam, todos sabiam que não teriam condições de continuar pintando. Quando a monarquia acabou e a escola oficial passou a se chamar Escola Nacional de Belas Artes, Parreiras conseguiu tornar-se professor da instituição, mas, posteriormente, fundou uma escola independente em Niterói, o Ateliê Livre. Assim como Grimm, ele também se embrenhava nas florestas à caça de belas paisagens para retratar em suas telas.

Antonio Parreiras - 'Pintando do natural' (1937) - óleo s/ tela - Coleção Governo do Estado do Rio de Janeiro
Foto: Simone Catto

Antonio Parreiras - 'Crepúsculo' (s/d) - óleo s/ tela - Coleção Governo do Estado do Rio de Janeiro - Foto: Simone Catto

Além de Castagneto, um outro italiano desembarcou por aqui e se encantou com a paisagem tropical. Eliseu D'Angelo Visconti (1866-1944) veio para o Brasil em 1873 e matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes em 1885, um ano após a saída de Grimm. Em 1890, uniu-se ao grupo de "rebeldes" do Ateliê Livre, mas depois voltou a se reconciliar com os acadêmicos da Escola Nacional de Belas Artes e ganhou um prêmio que lhe permitiu estudar na França – o primeiro prêmio da recém-instituída República. Durante toda a década de 90, Visconti permaneceria na Europa, mas, mesmo assim, continuava a enviar pinturas para os salões do Rio de Janeiro. Ao retornar ao Brasil, em 1900, já era chamado de impressionista pela imprensa brasileira.

Eliseu Visconti - 'Igreja de Santa Teresa' (s/d) - óleo s/ tela - Museu Nacional de Belas Artes, RJ
Foto: Simone Catto

Eliseu Visconti - 'Três meninas no jardim' (s/d) - óleo s/ tela - Museu Nacional de Belas Artes, RJ
Foto: Simone Catto

Eliseu Visconti - 'Vista da Gamboa' (1889) - óleo s/ tela - Coleção Cristina e Jorge Roberto Silveira
Foto: Simone Catto

Por volta de 1900, o impressionismo já havia sido assimilado também na Escola Nacional de Belas Artes e a pintura ao ar livre já era uma prática comum entre os alunos da instituição. Os irmãos João e Arthur Timótheo da Costa, nascidos respectivamente em 1879 e 1882, eram pobres e negros – o que constituía um fator de forte discriminação no Brasil do século XIX, mas conseguiram estudar na Escola Nacional graças à sensibilidade de seu patrão na Casa da Moeda, local onde trabalhavam. O homem foi um verdadeiro anjo da guarda para os dois meninos: reconheceu seu talento, patrocinou seus estudos, e eles ganharam vários prêmios de pintura, além de terem a oportunidade de viajar para a Europa, onde puderam admirar de perto as obras impressionistas.

Arthur Timótheo da Costa - 'Quinta da Boa Vista' (1919) - óleo s/ tela - Coleção particular - Foto: Simone Catto

João Timótheo da Costa - 'Paisagem RJ' (1921) - óleo s/ tela - Pinacoteca do Estado de São Paulo - Foto: Simone Catto

Arthur Timótheo da Costa - 'Sem título' (1919) - óleo s/ tela - Museu Afro Brasil
Foto: Simone Catto

Entre essa turma que pintava ao ar livre também havia uma mulher extremamente talentosa, a paulista Georgina de Moura Andrade de Albuquerque, nascida em Taubaté no ano de 1885. Georgina matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes em 1905 e mudou-se dois anos depois para Paris com o marido, o igualmente talentoso pintor Lucilio de Albuquerque. Em 1927, a artista se tornaria professora da escola onde havia estudado.

Georgina de Albuquerque - 'Canto do Rio' (c.1926) - óleo s/ tela - Coleção Governo do Estado do Rio de Janeiro
Foto: Simone Catto

Georgina de Albuquerque - 'Raio de Sol' (c.1920) - óleo s/ tela - Museu Nacional de Belas Artes
Foto: Simone Catto

A pintura abaixo me lembrou muito Cézanne e o pós-impressionismo, o que não é de se espantar, uma vez que o casal Albuquerque havia morado em Paris e teve contato com várias vanguardas.

Lucilio de Albuquerque - 'Paisagem' (1949) - óleo s/ tela - Pinacoteca do Estado de São Paulo - Foto: Simone Catto

Lucilio de Albuquerque - 'Arredores de Porto Alegre' (1914) - óleo s/ madeira - Coleção Orandi Momesso - Foto: Simone Catto

Na década de 20, o impressionismo estava completamente estabelecido no Brasil e não se limitava mais às paisagens: seus artistas aplicavam o estilo também na pintura de outros temas, como retratos e naturezas-mortas. E foi assim que o Impressionismo tornou-se o primeiro movimento artístico no Brasil diretamente relacionado a inovações industriais. 

Veja também:


Se você gosta de pintura "de primeira", daquela produzida pelos velhos mestres, não deixe de visitar a exposição O IMPRESSIONISMO E O BRASIL! MAM Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, S/N. Tel.: (11) 5085-1300 – atendimento@mam.org.br. Entrada: R$ 6,00 – gratuita aos sábados. Horário: de terça a domingo, das 10h às 17h30. Até 27/8. Não perca!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

SP-Arte 2017 (parte 3). O moderno e o contemporâneo selecionados com rigor.

Sabemos que nem todas as manifestações de arte moderna e contemporânea são facilmente assimiláveis pelo público brasileiro e, em se tratando de uma feira de arte comercial, a curadoria precisa selecionar muito bem as obras expostas de forma a atrair compradores. Ao circular pelos corredores da SP Arte 2017, que foi realizada este mês no Ibirapuera e reuniu quase 160 expositores do Brasil e exterior, percebi que as galerias tiveram esse cuidado. Houve uma predominância de pinturas de qualidade, as esculturas foram criteriosamente selecionadas e as obras de arte contemporânea, no geral, em nada lembravam os trabalhos normalmente incompreensíveis (quando não francamente ruins) que costumamos ver nas edições da Bienal, realizadas no mesmo Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Alguns trabalhos exibidos na SP-Arte, no entanto, eram até bem convencionais no suporte e na forma.

Vou começar mostrando algumas pinturas de artistas jovens que chamaram minha atenção pela beleza e frescor.

Pedro Varela - 'Sem título' (2017) - acrílica x/ tela - 145 X 150 cm - Zipper Galeria - SP - Foto: Simone Catto

Bruno Novelli - 'Bananeiras' e 'Diagonal com Berinjelas' (2017) - acrílica s/ linho - 200 X 150 cm - Zipper Galeria - SP
Foto: Simone Catto

Nomes consagrados do concretismo e da arte moderna brasileira são presença certa na SP-Arte e a Galeria Berenice Arvani exibiu alguns exemplares que refletem o bom gosto de sua simpática proprietária.

Lothar Charoux - 'Horizontais' (década de 60) - acrílica s/ madeira - 52 X 71 cm - Galeria Berenice Arvani - SP - Foto: SP-Arte

Waldemar Cordeiro - 'Tudo Consumido' (1964) - montagem com cadeira - 80 X 80 cm - Paulo Kuczunski Escritório de Arte - SP
Foto: Simone Catto

Nelson Leirner - 'Homenagem a Lúcio Fontana' (1967) - alumínio, zíper e tecido - 181 X 124 cm - Studio Nóbrega - SP
Foto: Simone Catto

Alfredo Volpi - 'Bandeirinhas e Mastros' - década de 70 - têmpera s/ tela - 67 X 135 cm - Galeria Frente - SP
Foto: Simone Catto

As coloridas obras de Frank Stella (1936) agradam aos olhos e são um investimento certo.

Frank Stella - 'Pergusa' (1981) - 167,6 X 190,5 X 45,7 cm - materiais variados gravados em magnésio
Athena Galeria de Arte - RJ - Foto: Simone Catto

Algumas pinturas criadas a partir do ano 2000 provam que sempre há espaço para a abstração de qualidade.

Rubem Ludolf - 'Sem título' (2005) - óleo s/ tela - 113 X 113 cm - Galeria Berenice Arvani - SP - Foto: Artsy

Gonçalo Ivo - 'Prelúdio - Fuga e Contraponto' (2014) - 150 X 300 cm - Simões de Assis Galeria de Arte - Curitiba
Foto: Simone Catto

O grafite está na moda, a dupla de artistas 'Os Gêmeos' (Gustavo e Otávio Pandolfo - 1974) conquistou notoriedade e também ganhou espaço na SP-Arte 2017.

Os Gêmeos - 'Debaixo do pé de limoeiro' (2007)
técnica mista s/ madeira - 250 X 300 cm - Galeria Frente - SP
Foto: Simone Catto

Achei a obra abaixo bastante curiosa: uma imagem de Bin Laden criada com mil ursinhos de pelúcia. O trabalho não tinha identificação nem data, mas o atendente do estande informou o nome da artista: Marta Neves. Creio que o trabalho tenha sido criado em 2008, já que foi exibido na feira Arco de Madri daquele ano.

Marta Neves - 'Mil Pelúcias para Bin Laden' - Manoel Macedo Arte - BH - Foto: Simone Catto

Detalhe da obra de Marta Neves com os ursinhos - Foto: Simone Catto

Como a obra abaixo possui uma película de vidro, o reflexo atrapalhou bastante a visibilidade. Trata-se de uma fotografia de Claudia Jaguaribe (1955) que retrata pássaros integrados à natureza de uma maneira no mínimo curiosa. 


Claudia Jaguaribe - 'Galápagos series' (2017) - 80 X 200 cm - Celma Albuquerque Galeria de Arte - BH
Foto: Simone Catto


Detalhe da obra de Claudia - Foto: Simone Catto

E tem mais SP-Arte 2017! Clique AQUI para conferir destaques do design e da arte contemporânea internacional, e AQUI para acessar obras de mestres já consagrados, anteriores a 1960.

SP-Arte 2017 (parte 2). Os grandes mestres atraem olhares e valorizam a feira.

Uma feira de arte é planejada, naturalmente, para vender obras de arte. Por isso, não foi de estranhar que a SP-Arte 2017, realizada entre 5 e 9 de abril no Ibirapuera com quase 160 expositores, tenha priorizado artistas com maior potencial comercial e obras com mais probabilidade de agradar ao público. Isso explica por que as pinturas predominaram na grande maioria dos estandes, algumas com a assinatura de nomes consagrados. Passei uma tarde inteira na feira e, neste post, compartilho imagens de algumas pinturas produzidas até 1960 por esses mestres e que, se nem sempre garantem um retorno do investimento em curto prazo, no mínimo enchem os olhos de quem tem a oportunidade de adquiri-las ou contemplá-las. Vamos a elas?

A galeria Paulo Kuczynski exibiu uma série de belas paisagens de Nicolau Facchinetti (1829-1900), italiano nascido em Treviso que morou no Rio de Janeiro e retratou a cidade numa época que deve ter deixado saudades.

Nicolau Facchinetti - 'Vista da Lagoa Rodrigo de Freitas' (1872) - óleo s/ tela - Paulo Kuczynski Escritório de Arte - SP
Foto: Simone Catto

E já que falamos em paisagem, não dá para não mencionar o onipresente Pancetti (1902-1958) que, ao lado de Volpi (1896-1988), é um verdadeiro "arroz de festa" da SP-Arte (rs), com obras exibidas por várias galerias a cada edição da feira.

José Pancetti - 'Itanhaém' (1945) - óleo s/ tela - 54,5 X 65,5 cm - Simões de Assis Galeria de Arte - Curitiba - Foto: Artsy

José Pancetti - 'Série Bahia' (1952) - óleo s/ tela - 55 X 46 cm - Galeria Frente - SP - Foto: Simone Catto

Alfredo Volpi - 'Paisagem rural' (1945) - óleo s/ cartão - 24,5 X 34,5 cm - Foto: Simone Catto

Anita Malfatti - obra em nanquim e lápis de cor s/ papel - década de 1940 - Foto: Simone Catto

Emiliano Di Cavalcanti - 'Igreja de São Francisco' (1940) - óleo s/ tela - 81 X 60,5 cm
Pinakotheke - RJ - Foto: Simone Catto

As figuras femininas também não podiam faltar, desde as enigmáticas divas de Ismael Nery (1900-1934), passando pelas mulheres cubistas de Léger (1881-1955) e as morenas de Di Cavalcanti (1897-1976) – algumas de aparência respeitável, outras nem tanto.

Ismael Nery - Galeria Steiner - SP - Foto: Simone Catto

Ismael Nery - 'Duas Figuras' (1923) - óleo s/ tela - 34 X 27 cm - Galeria Frente - SP
Foto: Simone Catto

No título da pintura abaixo, Duas mulheres com aldes, Léger (1881-1955) provavelmente referiu-se a Alde Manuce (1449-1515), um editor de livros que muito contribuiu para a difusão da cultura humanista na Itália. Como a palavra "aldes" também se refere aos livros editados por Aldes ou seus descendentes, supomos, portanto, que Léger tenha representado duas mulheres com alguns desses exemplares diante de si.

Fernand Léger - 'Deux femmes aux aldes' (Duas mulheres com aldes) (1937) - guache s/ papel colado s/ cartão
37,7 X 40,6 cm - Pinakotheke - RJ - Foto: Simone Catto

Emiliano Di Cavalcanti - 'A Moreninha' (1944) - óleo s/ tela colada em eucatex - 54,3 X 49,3 cm
Pinakotheke - RJ - Foto: Simone Catto

Di Cavalcanti - 'Brasserie de la Bastille' (1967) - óleo s/ tela - 81 X 116 cm - Galeria de Arte Ipanema - RJ - Foto: Artsy

O colorido da obra a seguir é um primor de Cícero Dias (1907-2003). Levanta o astral de qualquer um!

Cícero Dias - 'Moça no espelho' (década de 1950) - óleo s/ tela - 92 X 73 cm
Simões de Assis Galeria de Arte - Curitiba - Foto: Simone Catto

Flores também são sempre bem-vindas em qualquer exposição – eu, particularmente, nunca resisto a elas – ao vivo ou na paleta de grandes artistas.

Emiliano Di Cavalcanti - 'Flores' (c.1930) - óleo s/ tela - 35 X 27 cm - Pinakotheke - RJ - Foto: Simone Catto

Alberto da Veiga Guignard - 'Vaso com flores' (1951) - óleo s/ madeira- 50 X 40 cm - Pinakotheke - RJ
Foto: Simone Catto

Sobre a obra abaixo, devo dizer que adoro ler, mas não consigo imaginar como alguém poderia se concentrar com a bagunça da festiva Sala de Leitura de Djanira (1914-1979). Parece que os garotos mais velhos, à esquerda, não estão muito convencidos de que é melhor ler do que brincar lá fora!

Djanira da Mota e Silva - 'Sala de Leitura' (1944) - óleo s/madeira - 70 X 99 cm - Galeria de Arte Ipanema - RJ
Foto: Simone Catto

E os flagrantes da SP-Arte 2017 não param por aí! Clique AQUI para conferir destaques do design e da arte contemporânea internacional, e AQUI para acessar mais obras criadas a partir de 1960.