segunda-feira, 17 de abril de 2017

SP-Arte 2017 (parte 3). O moderno e o contemporâneo selecionados com rigor.

Sabemos que nem todas as manifestações de arte moderna e contemporânea são facilmente assimiláveis pelo público brasileiro e, em se tratando de uma feira de arte comercial, a curadoria precisa selecionar muito bem as obras expostas de forma a atrair compradores. Ao circular pelos corredores da SP Arte 2017, que foi realizada este mês no Ibirapuera e reuniu quase 160 expositores do Brasil e exterior, percebi que as galerias tiveram esse cuidado. Houve uma predominância de pinturas de qualidade, as esculturas foram criteriosamente selecionadas e as obras de arte contemporânea, no geral, em nada lembravam os trabalhos normalmente incompreensíveis (quando não francamente ruins) que costumamos ver nas edições da Bienal, realizadas no mesmo Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Alguns trabalhos exibidos na SP-Arte, no entanto, eram até bem convencionais no suporte e na forma.

Vou começar mostrando algumas pinturas de artistas jovens que chamaram minha atenção pela beleza e frescor.

Pedro Varela - 'Sem título' (2017) - acrílica x/ tela - 145 X 150 cm - Zipper Galeria - SP - Foto: Simone Catto

Bruno Novelli - 'Bananeiras' e 'Diagonal com Berinjelas' (2017) - acrílica s/ linho - 200 X 150 cm - Zipper Galeria - SP
Foto: Simone Catto

Nomes consagrados do concretismo e da arte moderna brasileira são presença certa na SP-Arte e a Galeria Berenice Arvani exibiu alguns exemplares que refletem o bom gosto de sua simpática proprietária.

Lothar Charoux - 'Horizontais' (década de 60) - acrílica s/ madeira - 52 X 71 cm - Galeria Berenice Arvani - SP - Foto: SP-Arte

Waldemar Cordeiro - 'Tudo Consumido' (1964) - montagem com cadeira - 80 X 80 cm - Paulo Kuczunski Escritório de Arte - SP
Foto: Simone Catto

Nelson Leirner - 'Homenagem a Lúcio Fontana' (1967) - alumínio, zíper e tecido - 181 X 124 cm - Studio Nóbrega - SP
Foto: Simone Catto

Alfredo Volpi - 'Bandeirinhas e Mastros' - década de 70 - têmpera s/ tela - 67 X 135 cm - Galeria Frente - SP
Foto: Simone Catto

As coloridas obras de Frank Stella (1936) agradam aos olhos e são um investimento certo.

Frank Stella - 'Pergusa' (1981) - 167,6 X 190,5 X 45,7 cm - materiais variados gravados em magnésio
Athena Galeria de Arte - RJ - Foto: Simone Catto

Algumas pinturas criadas a partir do ano 2000 provam que sempre há espaço para a abstração de qualidade.

Rubem Ludolf - 'Sem título' (2005) - óleo s/ tela - 113 X 113 cm - Galeria Berenice Arvani - SP - Foto: Artsy

Gonçalo Ivo - 'Prelúdio - Fuga e Contraponto' (2014) - 150 X 300 cm - Simões de Assis Galeria de Arte - Curitiba
Foto: Simone Catto

O grafite está na moda, a dupla de artistas 'Os Gêmeos' (Gustavo e Otávio Pandolfo - 1974) conquistou notoriedade e também ganhou espaço na SP-Arte 2017.

Os Gêmeos - 'Debaixo do pé de limoeiro' (2007)
técnica mista s/ madeira - 250 X 300 cm - Galeria Frente - SP
Foto: Simone Catto

Achei a obra abaixo bastante curiosa: uma imagem de Bin Laden criada com mil ursinhos de pelúcia. O trabalho não tinha identificação nem data, mas o atendente do estande informou o nome da artista: Marta Neves. Creio que o trabalho tenha sido criado em 2008, já que foi exibido na feira Arco de Madri daquele ano.

Marta Neves - 'Mil Pelúcias para Bin Laden' - Manoel Macedo Arte - BH - Foto: Simone Catto

Detalhe da obra de Marta Neves com os ursinhos - Foto: Simone Catto

Como a obra abaixo possui uma película de vidro, o reflexo atrapalhou bastante a visibilidade. Trata-se de uma fotografia de Claudia Jaguaribe (1955) que retrata pássaros integrados à natureza de uma maneira no mínimo curiosa. 


Claudia Jaguaribe - 'Galápagos series' (2017) - 80 X 200 cm - Celma Albuquerque Galeria de Arte - BH
Foto: Simone Catto


Detalhe da obra de Claudia - Foto: Simone Catto

E tem mais SP-Arte 2017! Clique AQUI para conferir destaques do design e da arte contemporânea internacional, e AQUI para acessar obras de mestres já consagrados, anteriores a 1960.

SP-Arte 2017 (parte 2). Os grandes mestres atraem olhares e valorizam a feira.

Uma feira de arte é planejada, naturalmente, para vender obras de arte. Por isso, não foi de estranhar que a SP-Arte 2017, realizada entre 5 e 9 de abril no Ibirapuera com quase 160 expositores, tenha priorizado artistas com maior potencial comercial e obras com mais probabilidade de agradar ao público. Isso explica por que as pinturas predominaram na grande maioria dos estandes, algumas com a assinatura de nomes consagrados. Passei uma tarde inteira na feira e, neste post, compartilho imagens de algumas pinturas produzidas até 1960 por esses mestres e que, se nem sempre garantem um retorno do investimento em curto prazo, no mínimo enchem os olhos de quem tem a oportunidade de adquiri-las ou contemplá-las. Vamos a elas?

A galeria Paulo Kuczynski exibiu uma série de belas paisagens de Nicolau Facchinetti (1829-1900), italiano nascido em Treviso que morou no Rio de Janeiro e retratou a cidade numa época que deve ter deixado saudades.

Nicolau Facchinetti - 'Vista da Lagoa Rodrigo de Freitas' (1872) - óleo s/ tela - Paulo Kuczynski Escritório de Arte - SP
Foto: Simone Catto

E já que falamos em paisagem, não dá para não mencionar o onipresente Pancetti (1902-1958) que, ao lado de Volpi (1896-1988), é um verdadeiro "arroz de festa" da SP-Arte (rs), com obras exibidas por várias galerias a cada edição da feira.

José Pancetti - 'Itanhaém' (1945) - óleo s/ tela - 54,5 X 65,5 cm - Simões de Assis Galeria de Arte - Curitiba - Foto: Artsy

José Pancetti - 'Série Bahia' (1952) - óleo s/ tela - 55 X 46 cm - Galeria Frente - SP - Foto: Simone Catto

Alfredo Volpi - 'Paisagem rural' (1945) - óleo s/ cartão - 24,5 X 34,5 cm - Foto: Simone Catto

Anita Malfatti - obra em nanquim e lápis de cor s/ papel - década de 1940 - Foto: Simone Catto

Emiliano Di Cavalcanti - 'Igreja de São Francisco' (1940) - óleo s/ tela - 81 X 60,5 cm
Pinakotheke - RJ - Foto: Simone Catto

As figuras femininas também não podiam faltar, desde as enigmáticas divas de Ismael Nery (1900-1934), passando pelas mulheres cubistas de Léger (1881-1955) e as morenas de Di Cavalcanti (1897-1976) – algumas de aparência respeitável, outras nem tanto.

Ismael Nery - Galeria Steiner - SP - Foto: Simone Catto

Ismael Nery - 'Duas Figuras' (1923) - óleo s/ tela - 34 X 27 cm - Galeria Frente - SP
Foto: Simone Catto

No título da pintura abaixo, Duas mulheres com aldes, Léger (1881-1955) provavelmente referiu-se a Alde Manuce (1449-1515), um editor de livros que muito contribuiu para a difusão da cultura humanista na Itália. Como a palavra "aldes" também se refere aos livros editados por Aldes ou seus descendentes, supomos, portanto, que Léger tenha representado duas mulheres com alguns desses exemplares diante de si.

Fernand Léger - 'Deux femmes aux aldes' (Duas mulheres com aldes) (1937) - guache s/ papel colado s/ cartão
37,7 X 40,6 cm - Pinakotheke - RJ - Foto: Simone Catto

Emiliano Di Cavalcanti - 'A Moreninha' (1944) - óleo s/ tela colada em eucatex - 54,3 X 49,3 cm
Pinakotheke - RJ - Foto: Simone Catto

Di Cavalcanti - 'Brasserie de la Bastille' (1967) - óleo s/ tela - 81 X 116 cm - Galeria de Arte Ipanema - RJ - Foto: Artsy

O colorido da obra a seguir é um primor de Cícero Dias (1907-2003). Levanta o astral de qualquer um!

Cícero Dias - 'Moça no espelho' (década de 1950) - óleo s/ tela - 92 X 73 cm
Simões de Assis Galeria de Arte - Curitiba - Foto: Simone Catto

Flores também são sempre bem-vindas em qualquer exposição – eu, particularmente, nunca resisto a elas – ao vivo ou na paleta de grandes artistas.

Emiliano Di Cavalcanti - 'Flores' (c.1930) - óleo s/ tela - 35 X 27 cm - Pinakotheke - RJ - Foto: Simone Catto

Alberto da Veiga Guignard - 'Vaso com flores' (1951) - óleo s/ madeira- 50 X 40 cm - Pinakotheke - RJ
Foto: Simone Catto

Sobre a obra abaixo, devo dizer que adoro ler, mas não consigo imaginar como alguém poderia se concentrar com a bagunça da festiva Sala de Leitura de Djanira (1914-1979). Parece que os garotos mais velhos, à esquerda, não estão muito convencidos de que é melhor ler do que brincar lá fora!

Djanira da Mota e Silva - 'Sala de Leitura' (1944) - óleo s/madeira - 70 X 99 cm - Galeria de Arte Ipanema - RJ
Foto: Simone Catto

E os flagrantes da SP-Arte 2017 não param por aí! Clique AQUI para conferir destaques do design e da arte contemporânea internacional, e AQUI para acessar mais obras criadas a partir de 1960. 

domingo, 16 de abril de 2017

SP-Arte 2017 (parte 1). Uma amostra do que as galerias têm de melhor.

Há três anos ouvimos falar em crise, mas a SP-Arte continua aí, firme e forte no Ibirapuera. A 13ª edição da feira de arte mais importante do Hemisfério Sul, que agora é denominada Festival Internacional de Arte de São Paulo, abriu para o grande público de 6 a 9 de abril, exibiu mais de 4 mil obras e teve quase 160 expositores, incluindo 44 galerias estrangeiras. Passei uma tarde lá e compartilho, aqui, algumas impressões e imagens que coletei na feira. 

Soube que a organização do evento se mobilizou para convencer o governo do Estado a reduzir os exorbitantes impostos sobre as vendas dos expositores, que giram em torno de 50% e 60%, para algo como 15% ou 16%. Além disso, a feira contou com o patrocínio do governo japonês para seu maior estande, o da Japan House, representando um centro cultural nipônico a ser inaugurado em maio na Av. Paulista. O espaço exibiu obras de 15 artistas japoneses, onde se destacaram a festejada Yayoi Kusama (1929) e Hiroshi Sugimoto (1948). A principal obra de Yayoi era uma escultura, uma espécie de "abóbora psicodélica" de grandes dimensões. Sugimoto, por sua vez, nos brindou com uma escultura sofisticada em que uma peça metálica assentada sobre uma estrutura circular vai afinando gradualmente até culminar num pico afiadíssimo.

Yayoi Kusama - 'Abóbora Estrelada' (2015 - plástico reforçado com
fibra de vidro e ladrilhos - 181 X 202 X 203 cm - Ota Fine Arts - Japão
Foto: Simone Catto

Hiroshi Sugimoto - 'Modelo Matemático 006: Superfície de Revolução com Curvatura Negativa Constante' (2006)
alumínio usinado. Peça superior: 1305 X 600 mm. Base: 800 X 1800 mm - Galeria Koyanagi - Japão
FotoJulia Flamingo/Veja SP

A propósito, muitas obras contemporâneas, selecionadas a dedo, destacavam-se pela sofisticação das formas e, não raro, pela maneira criativa e inusitada como diferentes materiais são manipulados. Enquadra-se nesse caso a obra Spearmint to Peppermint, da artista americana Pae White (1963), representada na feira pela galeria berlinense Neugerriemschneider. Concebida como uma tapeçaria, essa obra pode ser reproduzida pela artista e explora o contraste expressivo entre a utilização de um material mundano – o alumínio – e seu brilho glamouroso. A artista escaneia folhas de alumínio amassado, envia os arquivos para um tear controlado numericamente por computador e os pixels são transformados em uma tapeçaria de algodão, lã e poliéster. O resultado é uma peça "trompe l’oeil" de beleza impactante. Em 2008, White reproduziu a técnica na criação de uma cortina para a Ópera de Oslo, na Noruega, transmitindo ao espectador a impressão de que está diante de uma parede com relevo brilhante.

Pae White - 'Spearmint to Peppermint' (2013) - tapeçaria em algodão, lã e poliéster - Galeria Neugerriemschneider - Berlim - Foto: Paulo Lanne

A cortina de Pae White para a Ópera de Oslo - Foto: Internet (autor anônimo)

Detalhe da obra de Pae White na feira - Foto: SP-Arte

A galeria Neugerriemschneider também trouxe exuberantes obras de Franz Ackermann (1963), representado na feira também pela brasileira Fortes d'Aloia & Gabriel. Temas como o turismo, a globalização e o urbanismo dão o tom nas coloridas pinturas e obras de técnica mista do artista.

Obra de Franz Ackermann - Galeria Neugerriemschneider - Berlim
Foto: Simone Catto

Obra de Franz Ackermann - Galeria Neugerriemschneider - Berlim - Foto: Simone Catto

O impacto de uma escultura só pode ser vivenciado em sua totalidade numa experiência presencial, quando podemos sentir a textura do material, apreciar o volume no espaço e perceber de que maneira ela interfere no ambiente. Mesmo assim, as fotos a seguir dão uma ideia de esculturas que achei interessantes.

Saint Clair Cemin - 'Ballerina' (2006) - cobre - 150 X 120 X 120 cm
Bolsa de Arte - Porto Alegre - Foto: Simone Catto

A escultura abaixo, de uma artista do Leste europeu, é feita em acrílico e remete a um prédio de apartamentos - deu vontade de tocar!

Zhanna Kadirova - 'Yours/Mine' (2016) - 18 tijolos de acrílico
e impressão UV - 122 X 36 X 36 cm - Galleria Continua
San Gimignano - Itália - Foto: Simone Catto

O fato é que, com ou sem crise, o evento pareceu-me ainda mais sofisticado e contou com mais parceiros comerciais. Andando pelos corredores do Pavilhão Ciccilllo Matarazzo, deparei-me com vários espaços gourmet, montados com décor caprichado e requintes de detalhes. Um deles, da marca de champanhe Perrier-Jouët, possuía mesinhas convidativas nas quais os visitantes podiam degustar flûtes da bebida, as quais também eram encontradas em carrinhos estrategicamente espalhados pela feira e servidas por rapazes uniformizados. Carrinhos também vendiam doses do whisky Chivas, agradando aos paladares que buscavam emoções de maior voltagem etílica e diluindo a censura de eventuais compradores na hora de abrir a carteira nos estandes. Não faltaram, também, o onipresente restaurante Santinho, um restaurante japonês – o Osaka - e o café Illy, dentre outros parceiros gastronômicos. Acredito que a presença do restaurante japonês tenha sido um agrado aos patrocinadores daquele país, além de acertar em cheio o gosto dos paulistanos.

O espaço Perrier-Jouët: coerente com o perfil da feira - Foto: Simone Catto

Os carrinhos das bebidas com atendentes uniformizados: presença em todos os andares - Foto: Simone Catto

O agradável espaço montado pelo restaurante japonês Osaka - Foto: Simone Catto

A grande novidade da SP-Arte 2017 é que, pela primeira vez, a feira dedicou um andar inteiro ao design, abrigando 25 empresas do setor. Ao circular por seus corredores, no andar superior, vi mobiliário assinado por nomes como Lina Bo Bardi (1914-1992), Burle Marx (1909-1994) e Lasar Segall (1889-1957), entre outros, e belas peças dos anos 60 e 70 coabitando em harmonia com móveis divertidos dos irmãos Campana.

Fernando e Humberto Campana - 'Cadeira Sonia Diniz' (2003))
Firma Casa - SP - Foto: Simone Catto

Detalhe da cadeira lúdica dos irmãos Campana - Foto: Simone Catto

Abaixo, uma traquinagem dos irmãos Campana: um banco todo feito de bichinhos de pelúcia. Você teria coragem de sentar? Eu não!

Fernando e Humberto Campana - 'Cake Stool' (2008)
Firma Casa - SP - Foto: Simone Catto

Os lindos móveis de Hugo França construídos com resíduos florestais também fizeram sucesso!

Foto: Simone Catto

É bom dizer que o tipo de arte encontrado na SP-Arte é bem diferente daquele exibido normalmente nas Bienais Internacionais de São Paulo, até porque os objetivos são diametralmente opostos. A SP-Arte oferece uma arte mais palatável, por assim dizer, em que predominam artistas e obras com maior potencial comercial – independentemente do valor e da data de criação. Dá para entender: se o objetivo é vender, é preciso agradar ao público. Um público mais elitizado, diga-se de passagem, que exige qualidade e explica os R$ 45,00 cobrados pelo ingresso inteiro, deixando claro que a feira, realizada anualmente, não é concebida para ser uma opção de "passeio dominical em família", e sim para atrair compradores de arte. O que não impede, naturalmente, que amantes da arte em geral – mesmo sem intenção de comprar – passeiem por seus corredores para conferir o que os artistas andam fazendo e o que as galerias têm de melhor a oferecer.

Como tirei muitas fotos e não daria para reproduzi-las num só post, você pode conferi-las em duas outras publicações do blog sobre a SP-Arte 2017. Clique AQUI para acessar outras obras produzidas a partir de 1960, e AQUI para conferir obras de mestres já consagrados, anteriores a 1960. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Retrato de Picasso que virou símbolo da Resistência Francesa pode ser vendido por 50 milhões de dólares.

Fonte: Artnet

Combatentes franceses salvaram a pintura na Segunda Guerra Mundial.


Funcionária da Christie's posa com a pintura 'Mulher sentada, vestido azul', de Pablo Picasso.
Foto: Carl Court/AFP/Getty Images

Uma pintura de Picasso que possui uma história no mínimo impressionante será 
leiloada na Christie's em maio, no leilão noturno de Arte Moderna e Impressionista.

A pintura, um retrato de Dora Maar, amante do mestre espanhol, está indelevelmente associada à história da Europa. Picasso fez o trabalho em seu aniversário, no dia 25 de outubro de 1939, véspera da eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Logo após sua criação, a obra foi expropriada pelos nazistas de seu proprietário original, Paul Rosenberg, o marchand judeu de Picasso. Até o final da guerra, a pintura deveria ser transportada para a Alemanha, mas foi localizada, interceptada e capturada com sucesso pelos combatentes da Resistência Francesa, que tinham como prioridade preservar a cultura de seu país.

Pablo Picasso - 'Mulher sentada, vestido azul' (1939) - Foto: Christie's Images Ltd. 2017

Na realidade, o filho de Rosenberg, Alexandre – que se alistou nas Forças Livres Francesas após a ocupação alemã da França, em 1940 – envolveu-se nos esforços da resistência para manter obras de arte importantes no país e foi uma das várias pessoas que arriscaram suas vidas para salvar obras fundamentais para as futuras gerações.

Em 1964, a história extraordinária dessa pintura foi adaptada para a telona na produção hollywoodiana "O Trem", estrelada por Burt Lancaster e Jeanne Moreau. Depois a obra tornou-se propriedade do magnata de Pittsburgh G. David Thompson, até ser adquirida por uma grande coleção europeia.

Burt Lancaster e Jeanne Moreau no filme 'Trem' (1964), inspirado
na trajetória da famosa obra - Foto: Inrternet Movie Database
A pintura reflete o relacionamento de Picasso com sua musa, retratada em formas curvas e arrebatadoras com um vestido azul que realça sua feminilidade e sensualidade. "Ela exibe todas as qualidades excitantes que Dora revelou no trabalho de Picasso: a paleta surpreendente, chapéus enfeitados e uma complexidade notável expressa pelos traços distorcidos de Dora", disse Giovanna Bertazzoni, vice-presidente de Arte Impressionista e Moderna da Christie's. "A tela é um exemplo poderoso da imaginação criativa de Picasso e a paixão que Dora inspirava nele". 

Apesar da elevada estimativa de 35 a 50 milhões de dólares para a venda no leilão, Francis Outred, presidente da Christie's e diretor do departamento de Arte do Pós-guerra e Contemporânea, acredita na capacidade do mercado de absorver esse trabalho. "Em maio, esperamos profundamente que o romance e o poder dessa pintura e sua história memorável capturem os corações e mentes de nossos colecionadores mundiais de obras-primas desde os velhos mestres até a contemporaneidade", disse. Enquanto isso, Bertazzoni salientou que "a demanda por retratos de Picasso com um de seus maiores temas, Dora Maar, está em alta a qualquer tempo". Façam suas apostas!

sábado, 25 de março de 2017

Abre o primeiro museu dedicado a Camille Claudel.


Pela primeira vez no mundo, um museu dedicado à escultora Camille Claudel (1864-1943) abre suas portas. A inauguração será amanhã (domingo, 26/3/2017) em Nogent-sur-Seine, pequeno distrito do departamento de Aube que fica a pouco mais de uma hora a sudeste de Paris. Finalmente o mundo poderá homenagear essa grande artista que sofreu com a crueldade da família e teve uma vida trágica que inspirou várias obras biográficas, nem sempre fiéis à realidade. Mas quem era realmente Camille Claudel?

Antes de responder a essa questão, vamos nos situar no ano de 1962. Naquela data, Pierre Claudel, filho do escritor Paul Claudel, desejou oferecer a Camille Claudel, irmã de seu pai, "uma sepultura mais digna da grande artista que ela foi". Escreveu então ao prefeito de Montfvafet, pequeno distrito perto de Avignon onde sua tia morreu em 19 de outubro de 1943. Resposta do administrador: "Lamento informar que o terreno foi retomado pelo serviço do cemitério, uma vez que informações referentes à família da falecida não nos tenham sido fornecidas". Em outras palavras: a pobre Camille não dispunha nem mesmo de uma sepultura digna. Em sua morte, no asilo de doentes mentais de Montfavet, seus restos terminaram numa vala comum. E ninguém de sua família apareceu para o último adeus.

"A escultura? Um métier que não é feminino!"

Nascida em 1864, Camille tem quatro anos a mais que seu irmão Paul. Desde a adolescência apresenta uma evidente vocação artística encorajada pelo pai, uma das poucas pessoas próximas a reconhecer verdadeiramente seu talento. Camille modela em argila. Sua personalidade forte contraria a mãe, personagem dura e autoritária que se revelará, mais tarde, uma megera digna de filme de terror. Quando a adolescente declara um dia o desejo de abraçar a carreira artística, ouve da família: "Você não fará escultura, esse métier não é feminino!"  Camille persiste. Quando ela completa 12 anos, o escultor Alfred Boucher se impressiona com o talento da menina e lhe dá as primeiras lições. Mais tarde, consegue persuadir o pai dela a deixá-la se instalar em Paris. Em 1883, Camille torna-se, aos 19 anos, aluna de Auguste Rodin (1840-1917) no depósito de mármores do Estado, na rue de l’Université. O escultor conta então 43 anos.

Camille Claudel e Jessie Lipscomb em seu ateliê na rua Notre-Dame-des-Champs, 117,
Paris. Foto de William Elborne, 1887. Crédito: © ADAGP. Paris, 2012

Primeiramente modelo, depois colaboradora, a jovem tem um dom que impressiona o mestre. Rapidamente, surge uma paixão louca entre os dois artistas – aquilo que os franceses chamam de "amour fou" - um amor violento, incandescente, o encontro de dois seres excepcionais que têm noção de sua singularidade e de seu gênio.

Auguste Rodin fotografado por Dornac em 1898.

Posteriormente, Rodin escreveu a Camille: "Não tenho arrependimentos, nem do desfecho que me parece fúnebre - minha vida cairá num abismo. Mas minha alma floresceu, infelizmente muito tarde. Foi preciso que eu te conhecesse e tudo adquiriu uma vida desconhecida, minha terna existência inflamou num fogo de alegria. Obrigada, porque é a você que devo toda a parcela de céu que tive em minha vida. (...) Ah, beleza divina, flor que fala, e que amo, flor inteligente, minha querida. Minha muito amada, sobre dois joelhos estou diante de teu belo corpo, e o abraço."

Camille também escreveu àquele que continuava a tratar por "senhor Rodin": "Deito-me toda nua para me fazer crer que você está lá, mas, quando acordo, não é mais a mesma coisa. Beijo-te." E este post-scriptum revelador: "Sobretudo, não me engane mais!" Rodin não é exatamente o homem mais fiel do mundo. Ele vive com uma antiga modelo, Rose Beuret, a qual conheceu em 1864, ano do nascimento de Camille. Rose é costureira, filha de um agricultor. 
O amor devastador de Camille e Rodin durará dez anos e terá uma influência decisiva sobre o trabalho de ambos. É nesse período que ela cria suas obras mais sublimes: 'O Abandono' (ou 'Sakountala'), 'A Valsa', 'Clotho', 'A Suplicante', 'A Idade Madura'.

Camille Claudel - 'O Abandono' (1905) versão posterior em bronze da obra 'Sakountala'
  
(1888), que ganhou Menção Honrosa no Salão.
Altura: 42,3 cm / Largura: 39,1 cm / Profundidade: 20,5 cm.

"Camille Claudel, a brilhante aluna de Rodin"

Excessiva, irascível, muitas vezes violenta, Camille conhece a qualidade artística do trabalho de seu amante, mas não suporta sua negligência amorosa. Por que ele não deixa Rose Beuret? Existem alguns desenhos de Camille nos quais a parceira de Rodin é representada com os traços de uma feiticeira grotesca ou em poses que imitam a cópula dos cães. No plano artístico, ela suporta cada vez menos ser designada como "a aluna brilhante de Rodin". Ela escreve ao amante, com muita lucidez: "Corro grande risco de nunca colher o fruto de meus esforços e de me extinguir na sombra da calúnia e das suspeitas maldosas..." Em 1911, escreveu a seu irmão Paul, com uma ponta de amargura: "As ovações desse homem célebre me custaram os olhos da cara e, para mim, não sobra nada!"

"Rodin é mais escandaloso, mas Camille Claudel é mais revolucionária" - Octave Mirbeau

Camille Claudel permanecerá eternamente à sombra de seu mestre? Sua escultura 'Sakountala' (posteriormente renomeada como 'O Abandono') foi exibida em 1888 e obteve o Prêmio do Salão. Octave Mirbeau, escritor e crítico de arte, elogiou seu trabalho em diferentes ocasiões, em comentários críticos. Em seu primeiro artigo, evocando o Salão em 1893, no qual são apresentados os trabalhos dos dois escultores, ele escreve com grande pertinência: "Rodin é mais escandaloso, mas Camille Claudel é mais revolucionária." De fato, Camille sabe o valor de seu trabalho. Mas quando poderá voar com suas próprias asas? Nunca. E sua vida, até então difícil, se tornará excruciante.

Camille Claudel - 'A Valsa' (1889-1905) - arenito - H: 41,5 cm / L: 37 cm / P: 20,5 cm

10 de março de 1913: Camille é internada.

Diplomata e escritor, Paul Claudel execra Rodin e sua obra. Fica chocado com a sensualidade inovadora de suas esculturas, reprova sua audácia artística e abomina sua influência sobre a irmã. Certa vez, escreveu: "Rodin exerceu sobre seus anos de juventude uma ascendência frequentemente cruel". Já bem mais velho, Paul Claudel escreveu sobre a irmã: "Eu vejo, emergindo da infância, essa jovem figura triunfante, seus belos olhos azuis escuros, os mais belos que jamais havia visto, que se fixam com zombaria sobre esse irmão desengonçado".

Desenho de Camille Claudel - 'Paul Claudel aos 20 anos' (1888)

No dia 2 de março de 1913, os irmãos Claudel perdem o pai. E Camille perde, a partir de então, seu apoiador mais leal. Tudo indica que a família não a avisa sobre o falecimento. Aliás, havia alguns anos a família a evitava. Sua ruptura com Rodin, em maio de 1894, enclausurou-a numa solidão a princípio bem-vinda, mas que acaba por sufocá-la. Camille vive miseravelmente em seu ateliê, tem acessos de cólera e, vira e mexe, destrói seus trabalhos. Vive quase como uma mendiga, numa sujeira repulsiva. Vocifera e denuncia "o bando de Rodin" que, segundo ela, quer envenená-la e roubar suas obras.

Camille Claudel - 'A Suplicante' (1905) - bronze - H: 67 cm / L: 72 cm / P: 59 cm

Camille incomoda. O escândalo ameaça estourar. Sua família decide, então, interná-la. Sua mãe, aos 73 anos, assina uma "solicitação de internação compulsória". Em 10 de março de 1913, um furgão estaciona diante do número 19 do cais Bourbon, da Ilha de Saint-Louis, em Paris. Camille se tranca. Dois enfermeiros são obrigados a entrar pela janela e agarram a artista. Nunca mais Camille será livre.

Placa na fachada do apartamento de Camille Claudel, no cais Bourbon, 19,
Paris, onde ela viveu de 1899 a 1913. "Há sempre algo de ausente que me
atormenta", escreveu ela a Rodin em 1886.
Até hoje questiona-se se Camille era realmente tão insana a ponto de justificar uma internação compulsória. Paul Claudel escreveu a respeito: "Foi preciso intervir, os proprietários daquela velha casa do cais Bourbon reclamavam: 'Por que as persianas desse apartamento térreo estão sempre fechadas?' 'Quem é essa personagem abatida e amedrontada que vemos sair de manhã somente para recolher os itens de sua alimentação miserável?'"

Em agosto de 1987, no jornal Le Monde, o professor François Lhemitte, especialista em neurologia e neuropsicologia no hospital Salpêtrière iria rever esse assunto. Escreve: "Camille Claudel, em 1905, já era vítima de um delírio paranoico de perseguição, delírio conhecido como irreversível, perigoso e incurável (que é ainda o caso hoje). Essa foi a razão de sua internação em 1913 e da renovação dessa medida até sua morte. Camille Claudel, convencida de que Rodin queria envenená-la, continuou, mesmo após a morte deste último, a se recusar a se alimentar, exceto por ovos frescos (que ela mesmo cozinhava)."

Porém, pode haver uma questão mais íntima que tenha agravado a frágil saúde mental da artista. Dizem que Camille, grávida de Rodin, fez dois abortos. Sabemos que ela era uma mulher hipersensível, passional, e sua psique instável pode ter sucumbido a essas provações. Não se trata de simples suposição. Em 1939, Paul Claudel escreveu a uma mulher que lhe confessou ter feito um aborto: "Saiba que uma pessoa da qual sou muito próximo cometeu o mesmo crime que você e que ela o expia há muitos anos num asilo de loucos. Matar uma criança, matar uma alma imortal, é horrível! É aflitivo!"

Por outro lado, em 19 de setembro de 1913, o jornal L'avenir de l'Aisne ("O futuro de Aisne"– Aisne é uma região da França) evoca a internação supostamente abusiva de Camille Claudel: "... em pleno trabalho, em plena possessão de seu belo talento e de todas as suas faculdades intelectuais, os homens foram à sua casa, jogaram-na brutalmente num carro apesar de seus protestos indignados..."  Foi lançada, então, uma campanha na imprensa contra o "sequestro legal". Ela tinha como alvo a família de Camille Claudel, acusada de desejar se livrar da moça, e solicitava a revogação da lei de 30 de junho de 1838 sobre os pacientes psiquiátricos. Infelizmente, no caso de Camille, foi em vão.

Camille Claudel, trinta anos de solidão atroz.

Camille foi primeiramente admitida no Hospital Psiquiátrico de Ville-Evrard, reservado às mulheres, e em 9 de setembro foi transferida para o asilo psiquiátrico de Montdevergues, em Montfavet, perto de Avignon. O estabelecimento tinha a reputação de um matadouro e Camille foi instalada sem nenhum conforto num dormitório de terceira categoria, dos piores do lugar, ao lado de dez a 15 pessoas. Tarifa: 6 francos por dia.

A artista se recusa a esculpir porque isso significaria aceitar sua condição e ela não pensa em outra coisa a não ser sair desse pesadelo. Sua mãe, que era sua maior algoz, lhe proíbe as visitas e todas as relações com o exterior e escreve ao diretor da instituição: "... Quando ela estava em sua casa, não recebia ninguém (...) por que agora faria questão de visitas?" Além disso, as cartas de Camille são apreendidas e destruídas e ninguém lhe entrega correspondência. Ela nunca receberá uma única visita da mãe, que morre em 1929, nem de sua irmã. Seu irmão Paul a visita somente uma dúzia de vezes em 30 anos.

Asilo psiquiátrico de Montdevergues, em Montfavet, para onde Camille foi transferida em setembro de 1913.

"Eu reclamo por liberdade em altos brados" - Camille Claudel

Presa de uma solidão atroz e desumana, Camille envia uma carta arrasadora a seu irmão, no dia 3 de março de 1927:

"Meu lugar não é no meio disso tudo, é preciso me tirar daqui. Após 14 anos de tal vida eu reclamo por liberdade a altos brados. Meu sonho é voltar para Villeneuve imediatamente e nunca mais sair de lá, eu preferiria uma granja em Villeneuve do que uma hospedagem de primeira aqui. (...) Não é sem pesar que vejo você gastar seu dinheiro num asilo de loucos. Dinheiro que poderia me tornar útil para criar belas obras e viver agradavelmente! Que infelicidade! Eu choro. Converse com o senhor Diretor para me trocar de instalações ou então tire-me daqui imediatamente, o que seria muito melhor; que felicidade se eu pudesse estar em Villeneuve! Aquela bela Villeneuve à qual nada se compara sobre a terra! Faz 14 anos que tive a desagradável surpresa de ver entrar, em meu ateliê, dois sabujos armados com todo o aparato, capacetes, botas, ameaçadores em todos os sentidos. Triste surpresa para uma artista: no lugar de uma recompensa, veja o que me acontece! É por sua causa que acontecem tais coisas porque sempre fui alvo da maldade. Deus! O que tenho suportado desde aquele dia! E nada de esperança que isso acabe. Cada vez que escrevo à mamãe para me levar de volta a Villeneuve, ela responde que sua casa está prestes a cair, é curioso de qualquer forma. Enquanto isso, estou ávida para deixar este lugar, quanto mais o tempo passa, mas duro fica! Sempre chegam novas pacientes, somos umas sobre as outras (...) faz pensar que todo o mundo está ficando louco. Não sei se você tem a intenção de me deixar aqui, mas é bem cruel para mim!..."

Nada dessa carta desesperada indica a mínima desordem de suas faculdades mentais. Entretanto, eistem outras correspondências nas quais Camille continua a se queixar do "bando de Rodin" que quer envenená-la e ela se exalta com afirmações quase delirantes, mas, em tal atmosfera e tal solidão, como poderia ser diferente? Que pessoa poderia suportar tal suplício sem perder a sanidade? Camille viverá esse inferno até o último dia de sua vida.

Rodin, que morrerá em 1917, está a par da situação. Transtornado, tentará conseguir algum dinheiro para Camille e fará uma exposição de suas obras, mas não será de nenhuma utilidade para ela se livrar do hospício. Até porque, legalmente, ele está impedido de fazê-lo – a família Claudel é a única apta a tomar decisões.

À esquerda, uma foto de Camille Claudel tirada antes de 1883. À direita, a artista em 1929, aos 65 anos, no asilo de Montfavet.

"O peso do gênio é penoso para uma mulher carregar" – Paul Claudel

É possível que Paul Claudel, que viria a se tornar diplomata e escritor de renome, imaginasse que Camille pudesse dar algum escândalo e manchar sua reputação, caso saísse do asilo. Os anos passam. O hospício lhe escreve para transmitir notícias de sua irmã. Durante a Segunda Guerra Mundial, vítima dos racionamentos alimentares, Camille começa a ficar com a saúde cada vez mais debilitada. Faminta, já que as restrições alimentares durante a guerra atingem todos os estabelecimentos hospitalares, ela morre, sozinha, em 19 de outubro de 1943. Seu corpo, não reclamado pela família, é depositado na vala comum.

No dia seguinte à sua morte, numa carta a seu cunhado, Paul Claudel escreve: "Camille terminou sua longa vida de decepções e de sofrimento. O peso do gênio é penoso para uma mulher carregar!... Meu consolo é que esses trinta anos de sofrimento certamente lhe valerão o acesso a um plano melhor. O capelão me disse que ela sempre comungava com sentimentos de grande fé. Uma longa vida de decepções e sofrimento". A frase é exata. E a carta, de uma hipocrisia impressionante.

Agora, mais de 70 anos após sua morte, Camille finalmente recebe uma homenagem à altura de seu gênio. Projetado pelo arquiteto Adelfo Scaranello, o Museu Camille Claudel exibe mais de 40 esculturas da artista e concretizou-se graças ao mecenato de algumas empresas e à parceria público-privada. Localizado numa propriedade onde a família Claudel viveu entre 1876 e 1879, anexou também o antigo museu Dubois-Boucher, dedicado aos escultores Paul Dubois (1829-1905) e Alfred Boucher (1850-1934), primeiro mestre de Camille.

Se você estiver nas imediações de Paris e quiser conhecer o MUSEU CAMILLE CLAUDEL, anote o endereço: 10, rue Gustave Flaubert, Nogent-sur-Seine. Tel.: 03 25 24 76 34. www.museecamilleclaudel.fr. Abre em 26 de março de 2017. Você pode ir de trem a partir da Gare de L’Est, em Paris, e o museu fica a cinco minutos a pé da estação ferroviária. Se você for de automóvel, há dois estacionamentos gratuitos: o Fournier no número 1, rue Paul Fournier, ou então o estacionamento da igreja no centro da cidade. Bom passeio!