domingo, 27 de janeiro de 2013

Bar Alto da Harmonia. Melhor visitá-lo no verão e sentar no terraço ao ar livre.

Todo mundo que tem o hábito de frequentar bares e restaurantes acaba formando sua lista de prediletos. Há certas casas às quais eu sempre retorno por me agradarem, mas também adoro descobrir lugares novos. Digamos que a proporção entre uma coisa e outra fica no 'meio a meio'.

Outro dia fui conhecer um bar inaugurado há uns quatro meses e em torno do qual tem havido um certo bochicho: trata-se do Alto da Harmonia, na Vila Madalena. Como o próprio nome já diz, fica na Rua Harmonia (a qual, cá entre nós, já está ficando tão 'batida' quanto a Aspicuelta...). Bem, o que posso dizer é que o lugar agrada à primeira vista. É um amplo sobrado de três andares localizado numa esquina, com muitos vidros, madeira e materiais reciclados. Soube que a casa pertence a um grupo de empresários e que o imóvel foi residência de um deles na infância.

A casa é bem arejada - Foto: Simone Catto

Um dos atrativos do lugar é o terraço no terceiro andar, que tem 180m² e uma bela vista panorâmica para a Vila Madalena – o espaço tem até luneta para quem quiser apreciar melhor a paisagem. Pena que, na noite de minha visita, o tempo estava tão frio e chuvoso, em pleno verão, que não havia uma única alma lá em cima.

A vista que não pudemos aproveitar... - Foto: www.altodaharmonia.com.br

O jeito foi nos acomodarmos no salão térreo, já que o segundo andar, mais aconchegante, estava reservado para um evento particular. Não havia muita gente, provavelmente porque o clima não ajudou.

Este é o salão onde ficamos - Foto: Simone Catto

O cardápio tem pratos e petiscos clássicos de boteco, como bolinho de bacalhau, tapioca, carne seca, pastéis, caldinhos, picadinho e outros. Comecei a noite com um suco de melancia e, para acompanhar, optamos pelos bolinhos de arroz com parmesão, que estavam muito bons. A porção vem com 10 unidades.

Os gostosos bolinhos de arroz - Foto: Simone Catto

Conforme o resto do pessoal foi chegando, pedimos também bruschettas de mozzarella de búfala, tomate e manjericão e uma tapioca, que vem com duas unidades de sabores diferentes: carne seca e queijo coalho. As bruschettas estavam excelentes, a massa da tapioca também, mas... não sei se é falta de hábito de meu paladar, achei que ela não combinou muito com esses dois recheios, embora o sabor de ambos, isoladamente, fosse bom. Pode ser apenas uma percepção minha, mas talvez os recheios doces combinem melhor – a propósito, a casa oferece também tapioca de Nutella.

As bruschettas estavam deliciosas! - Foto: Simone Catto

A massinha da tapioca estava muito boa e os recheios também, mas... acho que faltou diálogo entre eles. Foto: Simone Catto 

E para acompanhar tudo isso... caipirinha com uma cachaça que eu não conhecia: a cachaça Janaína, de Pirassununga – SP. Gostei! Para quem preferir uma cerveja, o bar oferece várias marcas premium e também um chope artesanal exclusivo desenvolvido pela Cervejaria Karavelle.

A caipirinha que homenageia as 'Janaínas' desse Brasil! - Foto: Simone Catto

Detalhe: a casa aceita animais e há até itens para eles no cardápio! A renda da venda das rações é destinada a uma ONG chamada Amparo Animal. Pode ser uma boa para quem quiser tomar alguma coisa na companhia de seu pet.  

Se você quiser conhecer o ALTO DA HARMONIA, o endereço é Rua Harmonia, 271 – tel.: 2528-1241. Porém, prefira uma noite quente ou, melhor ainda, um dia ensolarado para se acomodar no terraço e apreciar a vista. O site da casa, que aliás precisa de uma boa melhorada, é www.altodaharmonia.com.br. Abre de terça a sexta das 17h à 1h, sábado das 12h à 1h e domingo das 12h às 22h.

'O Homem Feio'. Ótima sátira ao culto da beleza vazia e às pseudocelebridades.

A programação teatral do Sesc normalmente se destaca pela qualidade. Com a peça O Homem Feio, que tive a oportunidade de conferir, não foi diferente. O texto é de um jovem dramaturgo alemão chamado Marius von Mayenburg (nascido em 1972), que trabalha no Schaubühne am Lehniner Platz, um dos teatros mais importantes de Berlim, e é "uma das estrelas ascendentes da dramaturgia europeia", segundo o folheto do espetáculo. Suas peças têm sido muito prestigiadas na Europa e estão ganhando cada vez mais terreno também em outras partes do mundo. Já em 2007, a encenação de O Homem Feio causou sensação no teatro Royal Court de Londres, especializado em nova dramaturgia.

E como essa montagem veio parar aqui? Tudo começou quando o diretor André Pink, que residia em Londres desde 1996, recebeu, em 2011, um convite para dirigir o trabalho de uma turma da EAD - Escola de Arte Dramática da USP. O Homem Feio foi um dos textos escolhidos pelo grupo.

O espetáculo conta a história de Lette, um homem extremamente feio que vive bem com a esposa e não se dá conta de sua feiura. Até que, um dia, acaba sendo preterido no trabalho por causa de sua aparência: seu assistente é convidado a apresentar, num importante congresso, um trabalho que ele havia desenvolvido com sucesso. Inconformado, Lette resolve fazer uma cirurgia plástica. E fica tão bonito, mas tão bonito, que sua esposa e seus colegas nem o reconhecem mais. Lette não só vai para o congresso apresentar seu trabalho como passa a apresentar também os trabalhos dos colegas. Os convites não param, e as mulheres fazem até fila para falar com ele ao final de cada apresentação. Lette vira uma celebridade e sua personalidade também se transforma: ele fica cada vez mais arrogante, narcisista e ambicioso. Creio que qualquer semelhança com "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde, não seja mera coincidência!...

Só que ocorre uma reviravolta. Devido ao sucesso da cirurgia realizada em Lette, o cirurgião plástico resolve aplicar a mesma técnica em outros pacientes, gerando vários "clones" seus. E a partir do momento em que deixa de ser "único", ou "novidade", Lette passa a ser novamente preterido e cada vez mais relegado a segundo plano, entrando em decadência. O homem começa então a se dar conta de que nos tempos de "feiura" era mais feliz e procura novamente o cirurgião plástico, desta vez para "reverter" a cirurgia e recobrar seu antigo rosto. Mas aí já era tarde demais.

Alex Houf e Bruna Miglioranza, que interpretam Lette e sua bela esposa.

Com ótimos atores e tiradas irônicas e divertidas, a peça critica determinados valores da sociedade contemporânea, como o culto à beleza desprovida de significado e a fabricação em série de subcelebridades. A meu ver, o surgimento dos "clones" de Lette pode ser interpretado como uma crítica às cirurgias plásticas que pasteurizam o resultado e deixam todos os pacientes com a mesma "cara". E sobretudo, O Homem Feio mostra como cada vez mais as pessoas perdem sua essência, afastando-se de valores que possam conduzir à verdadeira felicidade.

Ficha técnica parcial: 
  
Duração: 80 minutos
Texto: Marius von Mayenburg
Direção e Cenografia: André Pink
Assistente de Direção: Otavio Oscar
Elenco: Alex Houf, Bruna Miglioranza, Camilo Chaden, Danilo Gambini, Fernanda Hartmann e Tiago Real

Se você gosta de teatro, vale a pena assistir! O HOMEM FEIO está em cartaz no Sesc Consolação – Espaço Beta – 3º andar, R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque - Centro. Tel.: 3234-3000. Ingresso: de 2,50 a R$ 10. Mas fique atento(a), porque a peça é apresentada apenas às segundas e terças-feiras (às 21h) e ficará em cartaz somente até 5/2. Ou seja: haverá só mais 4 apresentações.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

'Além das Montanhas'. Obsessão e fanatismo numa Romênia desoladora.

A maioria dos filmes contemporâneos costuma apresentar desfechos previsíveis apresentados com soluções fáceis. Definitivamente, não é o caso de Além das Montanhas ('Dupa Dealuri'), excelente drama franco-belgo-romeno exibido na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e que estreou nesse fim de semana na cidade. Lá não há nada de previsível, apesar de os espíritos mais sensíveis já poderem antever que boa coisa - leia-se: um 'final feliz' - não pode sair dali. Podemos até imaginar diferentes desfechos para a trama, mas certamente todos trágicos. Escrito e dirigido pelo romeno Cristian Mungiu, o filme tem uma atmosfera opressora. A fotografia escura, a paisagem desoladora e a carga dramática do elenco majoritariamente feminino reforçam a convicção de que, a qualquer momento, algo de muito terrível pode acontecer ali.


Além das Montanhas se passa numa gélida Romênia, país visivelmente depauperado por décadas de atraso do Leste Europeu. O cenário é uma espécie de monastério ortodoxo de freiras, situado no meio do nada, dirigido com parcos recursos por um padre (Valeriu Andriuta) e uma madre superiora (Dana Tapalaga).

Voichita (Cosmina Stratan), ao centro, em cena típica do monastério.

O filme começa quando uma das noviças, Voichita (Cosmina Stratan), vai à estação ferroviária receber sua amiga Alina (Cristina Flutur), colega do orfanato onde ambas cresceram juntas. Alina, uma jovem de 25 anos que até então estava morando na Alemanha, vai para a Romênia firmemente decidida a buscar a amiga para que continuem a viver juntas. Fica claro, desde o princípio, que a moça agiu movida por um sentimento que vai muito além da amizade, mas que a amiga, se um dia lhe correspondera, havia agora escolhido outro caminho – a renúncia de uma vida mundana para servir a Deus. E é aí que começam os problemas.

Voichita (Cosmina Stratan) e Alina (Cristina Flutur) em sua cela no monastério. 

O convento tem regras rígidas impostas a mão de ferro pelo padre e endossadas pela madre superiora, e as moças dividem entre si diversas tarefas de uma pesada rotina de trabalho: tirar água do poço, limpar, cozinhar, fazer consertos, rezar etc. Alina, hospedada no lugar, não se conforma com o fato de Voichita ter escolhido aquela vida e começa a se rebelar contra os indícios de fanatismo religioso e os dogmas nos quais claramente não acredita. A moça não consegue guardar para si suas convicções e, num crescendo de tensão, acaba por se descontrolar e surtar, fazendo com que os religiosos a considerem "possuída pelo demônio". Não é difícil prever que as consequências são as mais nefastas possíveis.

O padre (Valeriu Andriuta) tenta expiar Alina (Cristina Flutur) de seus pecados na capela do monastério.

Alguém poderia afirmar que, se a personagem de Voichita havia optado por aquela vida de privações, é porque teoricamente estaria feliz ali e a amiga não tinha o direito de interferir em sua escolha. Bastaria que fosse embora e procurasse outra forma de também ser feliz.

Por outro lado, é inevitável questionar até que ponto aquelas moças haviam optado pela vida monástica por uma vocação genuína ou se não o haviam feito por mera falta de perspectivas, já que a maioria não teria chances de assegurar uma existência digna e aplacar sua solidão de outra maneira numa Romênia árida e hostil. Vale lembrar que Voichita é órfã e não possui ninguém no mundo além de Alina, de forma que o convívio com as colegas do convento, de certa forma, é aquilo que mais se aproxima de uma vida em família. Apesar de toda a lavagem cerebral doutrinária e da alienação a que as jovens estão submetidas, portanto, somos levados a concluir que consideram ser ali o lugar "menos ruim" onde poderiam estar.


Merecidamente, Além das Montanhas ganhou dois prêmios no último Festival de Cinema de Cannes: roteiro, do também diretor Cristian Mungiu, e atriz principal, prêmio que foi dividido entre as intérpretes das duas amigas: Cosmina Stratan (Voichita) e Cristina Flutur (Alina), simplesmente soberbas. Nem preciso dizer que o filme vale cada um de seus 155 minutos, os quais nem sentimos passar pela constante tensão que permeia a trama e que nos deixa sempre na expectativa do pior.

Por enquanto, ALÉM DAS MONTANHAS está em cartaz em apenas dois cinemas que, não por acaso, estão entre os meus preferidos: Espaço Itaú de Cinema Augusta (Sala 3) e Reserva Cultural (Sala 4). Se você é daqueles(as) que gosta de cinema da melhor qualidade, não deixe de assistir! Mas vá preparado(a) para um filme pesado.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Restaurante Ruaa. Sabores cosmopolitas num clima descolado e despretensioso.

Um lugar desencanado, descontraído, aonde você pode ir quando quiser comer alguma coisa saborosa e diferente. Estou falando do Ruaa, um pequeno restaurante da Vila Madalena que tive o prazer de conhecer em ótima companhia. A casa tem a proposta de oferecer alguns pratos que são saboreados "nas ruas" de diversos países – como yakissoba e fish & chips -, entre outras opções oferecidas no restrito, porém atraente cardápio.

De cara experimentei a porção de lulas grelhadas com molho de páprica e batatas bravas, que vem acompanhada de fatias de pão temperado. Uma entrada fresquinha e deliciosa, perfeita para o verão!

As deliciosas lulas com batatas bravas... nham!!! - Foto: Simone Catto

Na sequência, pedi o curry indiano de lulas e camarões, acompanhado de arroz jasmim e pão naan. Levinho, bem feito e saboroso, esse prato também caiu superbem!

Detalhe simpático: a casa serve água filtrada gratuita, levada à mesa geladinha, numa garrafa de vidro. Como em Paris!

O excelente curry indiano - Foto: Simone Catto

Outro pedido da mesa foi o peito de frango orgânico marinado em ervas, empanado com quinoa e acompanhado de risoto de brie e tomatinhos. Agradou.

O frango orgânico - Foto: Simone Catto

Agora vamos ao ambiente. O Ruaa é pequenino e tem jeitão de bar. No dia de minha visita, gostei muito da frequência do local. Predominava um pessoal jovem, bonito, descolado e bem educado, com perfil meio "culturete". Nada de "playboys" barulhentos, periguetes e assombrações afins. Que assim seja todos os dias, amém!

Foto: www.guiadasemana.com.br

Foto: www.blogs.estadao.com.br

Foto: Simone Catto

Depois de horas de ótimo papo embalado por sabores tão especiais, finalizamos a refeição com o excelente café gourmet da Fazenda Santa Monica. Valeu e pretendo voltar!

Foto: Simone Catto

Quer dar um pulo lá para conhecer? O RUAA fica na Rua Mourato Coelho, 1168 – Vila Madalena. Tel.: 3097-0123. www.ruaa.com.br. Abre de terça a quinta das 20h às 0h, sexta-feira das 20h às 0h30, sábado das 13h às 17h e das 20h às 0h30, e domingo das 13h às 17h.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Olea - Mozzarella Bar. Para relembrar o que a Toscana tem de melhor.

Dia desses recebi um convite muito gentil para almoçar no Olea – Mozzarella Bar, no Jardim Paulistano. Quando a gente chega e olha a fachada, não imagina a dimensão da casa no interior. Trata-se de um imóvel de grandes proporções, pé direito alto, vários ambientes e muitas, muitas plantas. Há árvores na decoração, plantas escalando pelas paredes e até pendendo do teto. Enfim, o tipo de lugar onde a gente se sente bem, ainda mais na companhia de pessoas especiais!

A fachada já é atraente - Foto: Simone Catto

Segundo o site da casa, a palavra "Olea vem do latim olea europea, que é o nome cientifico da oliveira". O nome do restaurante, portanto, teria surgido quando um dos sócios trouxe da Itália duas oliveiras - uma delas foi instalada à entrada e a outra no pátio central.

A vista de nossa mesa no mezanino - Foto: Simone Catto

O salão principal também é uma delícia! - Foto: www.olea.com.br

Foto: Simone Catto

O imóvel, da década de 40, foi concebido para lembrar uma pequena villa toscana, com seu décor, seus tijolos aparentes e todo aquele verde. São quatro ambientes no total: um deck coberto por um pergolado de vidro e madeira de demolição, um pátio arborizado com teto retrátil, um bar onde fica um "aquário" de saladas e mozzarellas, e um pequeno mezanino, com vista para o deck e o jardim vertical. Foi nesse mezanino "privé" que ficamos, com todo o sossego e conforto de um ambiente exclusivamente nosso. 

O "nosso" mezanino com vista para o jardim vertical - Foto: www.olea.com.br

Outra vista a partir do mezanino - Foto: Simone Catto 

Lá de cima a gente via pessoas acomodadas nesses sofás, em outro ambiente gostoso do lugar. 
Foto: www.olea.com.br

Quando cheguei, a anfitriã já havia pedido o Prossecco Belstar, de origem controlada. Estava delicioso e foi ele que embalou nosso almoço. Alguns amigos preferiram caipirinhas, servidas em respeitáveis copos de long drinks.

Foto: Simone Catto

Inaugurado em 2009, o Olea recebeu, em 2011, o selo Ospitalità, conferido pela União das Câmaras de Comércio Italianas aos restaurantes considerados como legítimos representantes da tradição italiana no Brasil. Somente 30 casas, no Brasil, receberam essa premiação. Todas localizam-se no estado de São Paulo, sendo que 29 estão na capital, e foram selecionadas pelos seguintes critérios de "italianidade": utilização de certos ingredientes importados; menu escrito também em italiano; 51% do menu com receitas autênticas italianas; descrição dos ingredientes de cinco receitas tradicionais; um funcionário que fale italiano; ambiente com um ou mais elementos da identidade italiana; pelo menos 20% da carta de vinhos com rótulos daquele país.

O bufê de saladas da casa é muito bom, mas naquele dia eu estava com vontade de comer uma massa. Pedi então uma Farfalle Joie de Vivre (é a massa 'borboleta' – que alguns chamam de 'gravatinha' - com salmão, alho-poró, mascarpone e um pouco de tomate). O prato parecia apetitoso, mas, por alguma razão, não me entusiasmou. Achei-o satisfatório, mas esperava mais. Confesso que não percebi o sabor do mascarpone e sequer enxerguei o tomate. Só senti o sabor do salmão. Enfim... preciso retornar à casa para tirar a prova.

O meu prato: Farfalle Joie de Vivre - Foto: Simone Catto 

Quando chegamos, havia poucas mesas ocupadas. Ao sairmos, horas depois, o lugar estava lotado de gente bonita de todas as idades. O ambiente é muito bom, ao mesmo tempo refinado e informal. Pretendo retornar ao restaurante para experimentar outros sabores. Vale dizer que alguns amigos pediram pratos à base de carne e gostaram muito de suas escolhas. Pode ser uma boa na próxima vez!

Se você for ficar em Sampa no verão, vale a pena dar uma conferida no OLEA – MOZZARELLA BAR. Fica na Rua Joaquim Antunes, 198 - Jardim Paulistano. Tel.: (11) 3062-1535/2725. www.olea.com.br

BUON NATALE!!!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Restaurante Mestiço. Quinze anos de delícias bem temperadas em ambiente descolex.

Há restaurantes que são atemporais. Seja pela qualidade de sua gastronomia, pelo charme da localização, pelo perfil de público que atrai ou por tudo isso junto. É o caso do Mestiço, na região da Consolação. A casa abriu há quinze anos com uma proposta inovadora, que era aliar as cozinhas baiana e tailandesa naquilo que elas têm em comum e de mais característico: o acentuado sabor do tempero, guardadas as particularidades de cada uma. E é exatamente isso que encontramos por lá: uma "cozinha contemporânea variada, com especialidades tailandesas e toques baianos", conforme descrição no site da casa.

O bar da entrada já tem uma atmosfera gostosa - Foto: Simone Catto

O salão é amplo e as paredes sempre exibem pinturas que estão à venda - Foto: www.mestico.com.br  

Frequento o Mestiço há mais de dez anos e, invariavelmente, acabo optando mais pelos pratos tailandeses do que pelos baianos, embora goste de ambas as cozinhas. O acarajé, por exemplo, é muito bom. Mas, como entrada, nunca resisto ao Krathong-thong, as famosas cestinhas tailandesas de massa crocante recheadas com frango, milho e especiarias. São tão levinhas que num minuto desaparecem do prato.

Krathong-thong: as deliciosas cestinhas tailandesas são um clássico da casa! - Foto: www.mestico.com.br

Em minha última visita ao restaurante, optei pelo Hua Hin, frango com shiitake ao molho de gengibre ao estilo tailandês. Estava delicioso, aliás como absolutamente todos os pratos que já tive a oportunidade de saborear ali. Para acompanhar, tomei um suco de tangerina fresquinho.

O Hua Hin é levemente condimentado e saborosíssimo - Foto: Simone Catto

Por falar nisso, lembro-me de várias vezes ter pedido, em outras visitas, um prato à base de frango e leite de coco que há tempos não peço e que é servido numa cumbuquinha branca. Não lembro o nome desse prato e, ao consultar o cardápio on-line para tentar descobrir, infelizmente ele não estava lá. Só lembro que era bem condimentado, delicioso e perfeito para os dias frios.  

O fato é que, não importa o que você peça, tudo no Mestiço é saboroso. E essa opinião é compartilhada por todas as pessoas que já frequentaram o lugar comigo - nunca ouvi sequer uma reclamação sobre a comida de lá. É por isso, entre outras coisas, que ele se tornou um restaurante emblemático de Sampa.

A mesa onde sentei na última vez ficava ao lado da pintura que retrata bem a "mestiçagem"! - Foto: Simone Catto 

Além da qualidade da cozinha, o Mestiço está num ponto dito 'alternativo' da cidade, a meio caminho entre os Jardins e a região da Consolação, o que contribui enormemente para seu sucesso e também para atrair um público eclético, porém com duas coisas em comum: é gente bonita e descolada. Lá vemos jovens, senhores, gays, casais, grupos de amigos e, eventualmente, uma ou outra família. Crianças são mais raras no local. Mesmo com o restaurante lotado, uma coisa chama atenção (ou deixa de chamar, dependendo do ponto de vista): o salão não fica com aquele barulho ensurdecedor, talvez porque as pessoas que frequentam o lugar costumam ser mais educadas. O astral é ótimo. Sobretudo nos fins de semana, é comum haver espera, mas ninguém parece se importar: o pessoal se acomoda no salão do bar ou nos banquinhos da calçada e observar o movimento acaba sendo parte do programa.

Outro ângulo do salão do bar onde os clientes aguardam seus lugares saboreando um vinho ou caipirinha - Foto: Simone Catto

E se a noite estiver agradável, a espera também acontece do lado de fora! - Foto: www.mestico.com.br 

Outro ponto positivo é que, ao contrário da maioria dos restaurantes de Sampa, a casa nunca deixa os clientes "órfãos", isto é: abre também aos domingos e segundas-feiras, sendo um porto seguro para todo mundo que gosta de comer bem num ambiente diferenciado.

É por tudo isso que sou fã do MESTIÇO e não abro! O endereço é Rua Fernando de Albuquerque, 277 – Consolação. Tel.: 11 3256-3165 - www.mestico.com.br. A casa abre aos domingos e segundas das 11h45 às 24h, de terça a quinta-feira das 11h45 à 1h e sextas e sábados das 11h45 às 2h. Não conhece? Pode ir que você não vai se arrepender!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

'Maria do Caritó', com Lilia Cabral. A temática e a atriz mereciam mais.

A ideia é boa. Contar as aflições de uma virgem nordestina, quase cinquentona, que foi prometida a um santo pelo pai (nada santo) por ter supostamente sobrevivido ao parto que matou sua mãe. Por causa dessa promessa, a pobre deveria manter-se casta e pura até morrer. É fácil fazer promessa com o sacrifício alheio, não? Pois é. A virgem Maria (sim, a coitada ainda foi batizada com o nome da Santíssima) nunca esteve com homem algum e sequer imagina o sabor de um beijo na boca. O pior é que seu pai lhe atribui uma série de "milagres" ocorridos na cidade, mas a pobre trocaria de bom grado o melhor lugar no céu por uma única noite "do capeta" com qualquer macho da Terra.

Este é o ponto de partida da peça Maria do Caritó, estrelada por Lilia Cabral, que interpreta uma Maria aflita e cheia de tiradas divertidas. A palavra "caritó" designa um tipo de prateleira presente em casas sertanejas e a expressão "ficar no caritó" refere-se às mulheres que não se casam e "ficam para titia", ou seja, para sempre "na prateleira" sem que ninguém as resgate de lá. Para muitas, isso deve equivaler a uma condenação! (rs)


Lilia Cabral e sua Maria virgem e milagreira.

O teatro estava lotado, provavelmente pela presença de Lilia Cabral, que atrai público por sua indiscutível competência como atriz e seu carisma. Eu diria que a peça É Lilia Cabral. Não que o restante do elenco não seja bom, longe disso. Todos atuam bem, com especial destaque para Dani Barros, que em determinado momento faz uma caracterização hilária de uma galinha (sim, a ave! rs).

A pobre Maria tenta alcançar Santo Antônio no topo do mastro.


Confesso, no entanto, que achei o roteiro um tanto fraco. O texto poderia ser mais bem costurado e o enredo poderia ter sido melhor explorado com mais humor, diálogos e situações inteligentes. Uma pena, porque a temática rende. Porém, foi subaproveitada. Essa opinião é compartilhada por outras pessoas com quem conversei, inclusive aquelas que assistiram à peça em minha companhia.

Se me perguntarem se recomendo o espetáculo, portanto, respondo que não. Não vale os R$ 80,00 cobrados pela inteira aos sábados. De qualquer maneira, se você quiser conferir, MARIA DO CARITÓ está em cartaz no Teatro FAAP (Rua Alagoas, 903) até 16/12 - próximo domingo, portanto - com os seguintes horários e preços:
Sexta: 21h30 – ingressos populares - R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Sábado: 21h – R$ 80,00 / Domingo: 18h - R$ 70,00.
Informações: 11 3662-7233. A ficha técnica completa da peça está em