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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Vianna Bar. Cardápio generoso com altas doses de conforto e alto-astral.

São Paulo tem muitos bares denominados "botecos chiques", e o Vianna não foge à regra. Pode ser chamado de "boteco" no conceito e na concepção, mas é "chique" na qualidade da incrível variedade de quitutes e bebidas, na apresentação da casa e no atendimento profissional. Minha primeira impressão, pelo menos, foi ótima – e este é, sem dúvida, um bar ao qual pretendo voltar porque me senti em casa.

O Vianna não é o tipo de bar para se curtir a dois, mas é ótimo para um bate-papo informal com amigos, como foi o meu caso. As mesas de madeira de que eu tanto gosto e que sempre deixam o ambiente mais aconchegante ocupam interior e calçada, tornando o lugar ideal para dias quentes. A parede do fundo é tomada por fotos e gravuras emolduradas, o piso é de um xadrez bicolor e a profusão de portas e janelas envidraçadas permitem a qualquer cliente apreciar o movimento lá fora. Ou seja: o ambiente é bem agradável.

A fachada já dá uma ideia da atmosfera que mescla aconchego e alto-astral - Foto: www.viannabar.com.br

Foto: Simone Catto

Foto: Simone Catto

Agora vamos à parte gastronômica – começando pelos "bebes", que, no meu caso, se traduziram em uma deliciosa batida de coco. Pedi ao garçom a bebida não muito forte e parece que o barman entendeu perfeitamente, pois estava ótima. Uma dica: sempre que bebo algo alcoólico peço também água mineral para amenizar os efeitos do álcool – e funciona! Vale ressaltar que o Vianna tem uma belíssima carta de cachaças especiais, caipirinhas, coquetéis variados, cervejas, sucos e até alguns vinhos. Há de tudo para todos, ninguém passa vontade.

Minha batida de coco estava deliciosa! - Foto: Simone Catto

Como nunca bebo nada sem comer, além do que a turma que me acompanhava também gosta de petiscar, experimentamos vários quitutes. O primeiro logo chamou nossa atenção, pois estava em uma parte do cardápio que tinha por título 'Tour Gastronômico'. Trata-se do Won Ton de Frango com Alho-Poró, uma porção de trouxinhas asiáticas servida com geleia de gengibre e pimenta (R$ 26). Achei-as crocantes e saborosas e a geleia levemente picante conferiu ao salgado um sabor especial.

Won Ton de Frango com Alho-Poró: coisa boa! - Foto: Simone Catto

Na sequência, pedimos uma Piadina. Grande e redonda, ela parece uma pizza, mas é mais fina e crocante e já vem cortada em pedaços, própria para petiscar. A nossa levava mozzarella, catupiry com tomate em cubos e azeitona preta. Achei muito boa e dá para várias pessoas.

A Piadina: parece pizza, mas não é! - Foto: Simone Catto

As horas passaram, mas os quitutes continuaram! O próximo da lista foi a porção de Spinakopitas, um folhado típico grego de espinafre com parmesão. Também acompanha uma geleia especial e estava muito bom.

Spinakopitas, os folhados gregos - Foto: Simone Catto

Uma amiga que chegou depois, morrendo de fome, atacou logo uma generosa porção de Carne Seca desfiada, que acompanha mandiocas crocantes. A porção era tão grande, que deu para todo mundo experimentar e ainda sobrou. Aliás, a porção de carne seca parecia um ninho de pardal!! (rs). 

A porção de carne seca que parecia um ninho de pardal e estava um escândalo de boa,
acompanhada das mandiocas - Foto: Simone Catto

Ufa! E assim passaram-se horas daquela quarta-feira, e eu tendo de trabalhar no dia seguinte! Só faltava mesmo um café, e ele fechou nossa noite do jeito que pedimos a Deus.

Vá ao VIANNA BAR sem medo de ser feliz! Fica na Rua Cristiano Viana, 315 – Cerqueira César. Tel.: (11) 3082-8228 - www.viannabar.com.br. Abre de segunda a sexta-feira das 18h às 2h e sábados das 12h às 3h15.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Canaille Bar. Vinho e aconchego com sotaque francês.

Descobri o Canaille Bar por acaso, no Facebook, em um post do Consulado Francês que divulgava um show de voz e violão no local com uma cantora que, presumidamente, interpretaria um repertório francês.

A foto divulgada na ocasião mostrava um lugar intimista, pequenino, aconchegante. Convidei algumas pessoas queridas para conhecer. Inaugurado sem alarde havia apenas um mês, o bar pareceu-me um daqueles locais que seriam divulgados mais na base do boca a boca do que do "auê" na imprensa, o que achei ótimo. Assim não corre o risco, guardadas as devidas proporções, de se transformar em um "Paris 6", uma casa que já apreciei muito em seus primeiros tempos e que hoje se popularizou de tal forma, apesar dos preços, que a fila de espera tornou um simples jantar inviável a qualquer dia da semana. Para ser sincera, fujo de lugares que viram moda e tornam-se demasiadamente comerciais!

Foto: Simone Catto

Minha primeira experiência no Canaille foi um jantar em um sábado, no meio de um feriadão em que São Paulo estava deliciosamente vazia. Como chegamos cedo, ainda conseguimos bater um papo com o garçom e soubemos que os sócios são franceses e brasileiros, dentre eles a sommelière Marina Bertolucci, ex-Girarrosto.

Ao olharmos de fora, a casa parece menor do que é, pois não é muito larga. Há um terraço muito gostoso na frente, com poucas mesas, e foi lá que ficamos naquela noite porque o clima estava uma delícia. Depois, há um salão um pouco maior. E à medida que vamos entrando, chegamos a um gostoso deck arborizado nos fundos, perfeito para dias e noites de verão.

O terraço, visualizado de fora para dentro - Foto: Simone Catto

O salão interno, depois do terraço - Foto: Simone Catto

E lá no fundo, o deck! - Foto: Simone Catto

Começamos a noite pedindo um Châteu La Croix St Benoit, um Bordeaux Superior de corte clássico: cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc. Agradou muito!

Tim-Tim! - Foto: Simone Catto

Depois experimentamos uma sequência de saborosos petiscos. Tudo bem que a maioria deles, por sua natureza, pedia um vinho branco para acompanhar, mas o tinto não atrapalhou, em absoluto, nosso padadar. Estreamos com a Croqueta cremosa de queijo Brie, que estava muito boa e tinha ótima consistência.

Croqueta cremosa de queijo Brie (R$ 18) - Foto: Mário Rodrigues

Depois pedimos o levíssimo Vol-au-vent de cogumelos, uma verdadeira iguaria que recomendo a todos que forem lá!

Vol-au-vent de cogumelos (R$ 18) - Foto: Mário Rodrigues

E quando mais uma amiga juntou-se a nós, fizemos outro pedido para embalar o papo: o Risoto de cogumelos de cogumelos na xícara, um prato pequenino e delicado que, sim, é servido numa xícara, mesmo! Mas para quem estiver com mais fome, há a opção de pedir o risoto no prato, em uma porção maior.

Risoto de cogumelos na xícara (R$ 15) / no prato (R$ 25)

Apesar de se autodenominar "bar", a casa também serve alguns pratos para aqueles que desejarem uma refeição mais substanciosa. Seja como for, é o tipo de lugar para você ir se deseja conversar tranquilamente e ficar numa boa, degustando seu vinho e saboreando comidinhas.

Conheça o CANAILLE: Rua Cristiano Viana, 390 - Cerqueira César. Tel.: (11) 3898-3102. Siga: www.facebook.com/bar.canaille

domingo, 12 de abril de 2015

Drosophyla - Madame Lili. O prazer de beber e petiscar em um palacete centenário.

Quem conheceu o Drosophyla, um bar com quase três décadas instalado em uma casa da década de 40 na rua Pedro Taques, Consolação, deve se lembrar do jeitão alternativo do lugar, com um décor apinhado de objetos exóticos e/ou inusitados.

Pois eis que, após tantos anos naquele endereço, o Drosophyla fechou para reabrir em outro local, uma casa ainda mais antiga e numa rua – digamos – ainda mais "alternativa": a Nestor Pestana, no Centro boêmio da cidade. Agora o bar, que ganhou o complemento "Madame Lili" no nome, divide a calçada com as instalações mais discretas da icônica boate Kilt, que antes reinava absoluta sobre os inferninhos da região com seu castelinho fake, um monumento kitsch do outro lado da rua, em um ponto agora transformado no canteiro de obras de um provável edifício.

Não há como negar: o local onde o Drosophyla - Madame Lili está instalado agora é, inegavelmente, um tremendo diferencial, e é grandemente responsável pelo charme do bar. Trata-se de uma belíssima mansão tombada, daquelas que infelizmente a gente quase não vê mais em São Paulo, construída em 1920 e com projeto atribuído a Abelardo Soares Caiuby. A proposta da nova casa é diferente da do bar anterior, privilegiando um clima mais intimista em detrimento dos grandes e ruidosos grupos de pessoas. Tanto é, que só são aceitas reservas para o máximo de dez pessoas. Eu, pelo menos, prefiro assim! 

Na noite em que lá estive fui a primeira de meu grupo a chegar e, enquanto aguardava as outras pessoas, bati um papo com um dos garçons e também com a simpática proprietária do bar, Lili, que se sentou à minha mesa e contou um pouco da história da casa. Perfeitamente preservada em parceria pelos proprietários do imóvel e também pela inquilina, a mansão realmente tem uma linda arquitetura.

O ambiente é superaconchegante! - Foto: Divulgação

O belo vitral na escadaria do primeiro para o segundo andar - Foto: Simone Catto

Curiosidade: o site do Drosophyla menciona uma suposta Lili Wong, chinesa amante das artes e da literatura que teria se casado com um alemão, vindo para o Brasil e habitado a mansão. Uma mística curiosa e bem-humorada que, sem dúvida, deve atrair mais clientes ao bar. Isso explica por que a casa está decorada em dois estilos: alemão, no andar inferior, e oriental, no superior. Assim que entrei, fiquei imaginando como deviam viver as pessoas que lá habitavam - sem dúvida, famílias de posses. Se não me engano, o terreno pertencia à Dona Veridiana Prado.

As paredes do salão onde fiquei, o alemão, são de madeira e o teto é todo trabalhado. Magníficas janelas e detalhes de vidro e espelho dão um charme todo especial aos diferentes ambientes que, em tempos áureos, deviam ser luxuosas salas. Além das mesinhas, há também confortáveis sofás espalhados pelo espaço, dando um clima de aconchego.

O salão em estilo alemão - ficamos na mesinha perto do bar, à esquerda - Foto: Divulgação

Detalhe do teto e de alguns detalhes de vidro e espelho - Foto: Simone Catto

Lili explicou que o friso superior próximo ao teto, que parece um papel de parede, foi, na realidade, pintado a mão. O trabalho é mesmo muito bonito. E aprendi mais uma: em imóveis tombados, os quadros devem ser pendurados com ganchos, e não com pregos, porque furos nas paredes não são permitidos.

Detalhe do teto e do friso abaixo dele, pintado a mão - Foto: Simone Catto

A proprietária do bar contou, também, ter investido em uma reforma pesada na parte elétrica e hidráulica da casa, além de outros itens importantes, para que o bar pudesse funcionar a contento e com segurança. Depois me ciceroneou por todo o espaço e me conduziu ao grande terraço, que tem uma bela vista para a Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, do outro lado da rua. Naquela noite, o andar superior, bem como o terraço, estavam fechados, mas nas noites de verão o terraço promete! Na parte de cima também há uma colorida lojinha com itens vintage e curiosos.

A vista do terraço: uma delícia! - Foto: Simone Catto

O fato é que o delicioso ambiente da casa é parte fundamental do prazer que desfrutamos no local. As comidas e bebidas do extenso cardápio, naturalmente, são um capítulo à parte. Embora a casa ofereça grande variedade de drinks exóticos e tentadores, naquela noite de quarta-feira comecei com um drink não alcoólico à base de limão chamado 'Mentirinha', porque tem todo o aspecto de um drink normal, mas não contém um pingo de álcool. Depois, à medida que fui forrando o estômago, dividi com uma amiga um cabernet sauvignon chileno, o Casa Rivas. Não é um vinho top de linha, naturalmente, mas caiu bem naquele momento. 

O drink Mentirinha: me engana que eu gosto! (rs)
Foto: Simone Catto

Foto: Simone Catto

Na hora de escolher os quitutes, pedimos uma sucessão de porções – uma mais gostosa que a outra. No princípio éramos apenas três "boquitas" esfomeadas após um longo dia de trabalho, mas no decorrer da noite chegaram mais três. Começamos pelo delicioso Francesinho Mon Amour, uh-là-là!!! Trata-se de um queijo Camembert assado inteiro ao forno com pesto de manjericão, cogumelos e lascas de alho. Acompanha pão. Ah, como é gostoso esse francês!!! 

O Francesinho Mon Amour, que despertou paixões na mesa inteira (R$ 44,50) - Foto: Simone Catto

Na sequência, pedimos os quadradinhos de tapioca com queijo coalho e geleia de pimenta, uma iguaria que tive o prazer de conhecer, em outra versão, no restaurante Mocotó e que foi preparada divinamente também no Drosophyla. É uma  perdição, quando a gente começa a comer não quer mais parar. Amo!

Os quadradinhos de tapioca, nham... (R$ 28) - Foto: Simone Catto

A próxima pedida foi a porção de bolinhos de shimeji. Até então, eu só conhecia o shimeji cozido tradicionalmente servido nos restaurantes japoneses. Bolinhos desse cogumelo foi a primeira vez que experimentei. E gostei!

Os bolinhos de shimeji também estavam bons! - Foto: Simone Catto

E como naquela noite estávamos insaciáveis, não faltou também uma clássica porção de filé aperitivo com molho mostarda, acompanhada de fatias de pão italiano. Também agradou. 

Filé aperitivo com molho mostarda - Foto: Simone Catto

Em resumo: minha primeira experiência no novo Drosophyla foi ótima em todos os sentidos e pretendo voltar, como bem está assinalado no cartão do bar...!

Foto: Andrea Longov

Em tempo: não se preocupe com o quesito "parar o carro": há dois estacionamentos pertinho, na mesma calçada, com valores bem razoáveis. Um deles é o Estapar, que ainda dá desconto de 30% para clientes da Porto Seguro. Outro item que facilita a vida de muitos: a comanda do bar é individual. 

Pode ir ao DROSOPHYLA - MADAME LILI sem medo que certamente você vai gostar! Anote aí: Rua Nestor Pestana, 163 – Consolação. Tel.: (11) 3120-5535 – www.drosophyla.com.br. Abre às terças-feiras das 18h às 24h, quartas e quintas-feiras das 18h à 1h e sextas e sábados das 18h às 2h. Fica a dica!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Bar Paralelo 12:27, na Vila Mariana. Refúgio garantido de domingo a domingo.

Um das coisas que São Paulo tem de bom é que a gente nunca fica órfã no quesito "comer e beber", pois existem bares e restaurantes que abrem todos os dias. Isto significa que, se você sair de uma sessão tardia do cinema ou do teatro num domingão à noite, não precisará rodar muito à procura de um lugar para matar a fome ou simplesmente beber alguma coisa.

Um bar que abre todos os dias é o Paralelo 12:27, na rua Joaquim Távora, reduto gastronômico da Vila Mariana. Inaugurado em 2004, ele é muito parecido no estilo e na proposta com o vizinho 'Genuíno', com a diferença de que não tem a área avantajada nem o quintal ajardinado que fez a fama do concorrente mais veterano. Mesmo assim, o Paralelo é um bar extremamente agradável, perfeito para as noites de verão que estão vindo por aí, já que na frente há uma área aberta bem gostosa. Meu ponto favorito é o mezanino mais ao fundo, que é mais reservado e permite uma visão estratégica do lugar. O interior também é acolhedor e arejado.

A área à frente do bar é a mais gostosa, sobretudo a que fica na parte mais elevada, no mezanino.
Foto: www.paralelo1227.com.br

Detalhe da área interna - foto: Simone Catto

Outro ângulo do salão interno - foto: www.paralelo1227.com.br

Entre os frequentadores do bar estão estudantes da ESPM e da Faculdade Belas Artes, ali pertinho, o pessoal que trabalha na região e, logicamente, os próprios moradores da Vila Mariana que desejam papear e beber alguma coisa sem pegar trânsito e confusão.

Há um senão para quem, como eu, vai a bares para bater papo sem muvuca e detesta futebol: o site da casa diz que há música ao vivo de quarta a sábado e que todos os jogos dos campeonatos Paulista e Brasileiro são transmitidos em um telão. Felizmente, nos dias em que lá estive não havia música nem jogo, de forma que minha experiência foi ótima. Vale a pena dar uma ligada antes para checar!

O cardápio, farto, tem todos os clássicos dos bons botecos e um pouco mais: cachaças nobres, cervejas nacionais e importadas, caipirinhas, drinks variados e comidinhas para todos os gostos, desde petiscos usuais como frango à passarinho, pastéis, bolinhos variados e outros, passando pelo filé mignon aperitivo à milanesa, a calabresa na cachaça, picanha na chapa e o escondidinho de carne seca desfiada coberta com purê de mandioca e catupiry, entre muitas outras opções. Se a fome for muita e você quiser algo com mais "sustância", o bar também serve sanduíches e alguns pratos. Em minha última visita, optei pelo escondidinho, muito bem servido e saboroso.

O escondidinho de carne seca desfiada com purê de mandioca e catupiry cumpriu plenamente sua função!
Foto: Simone Catto

Adivinhe o que pedi para acompanhar?... Sim, ela mesmo... a clássica, imbatível e inigualável caipirinha de limão com cachaça (R$ 14) que, no meu caso, foi a 'Espírito de Minas'. Delícia!

A caipirinha clássica também fez bonito!
Foto: Simone Catto

O PARALELO 12:27 abre de domingo a domingo das 12h à 01h e fica na Rua Joaquim Távora, 1227 – Vila Mariana. Tel.: 5579-1227. Para consultar o cardápio na íntegra, acesse www.paralelo1227.com.br (aliás, bem que eles poderiam dar um jeito no layout do site, que é bem feinho...) Fica a dica!

sábado, 20 de setembro de 2014

Bar Balcão. O clássico do calor humano.

Em uma cidade com tantos bares que nascem, crescem, criam clones e morrem na velocidade de um gole, é um alento retornar a locais que já surgem com a vocação para ser clássicos. É o caso do Bar Balcão, instalado há anos em uma esquina da Rua Melo Alves, pertinho da Paulista. Não me pergunte há quanto tempo ele foi inaugurado porque não sei. Só sei que é o tipo de bar onde me sinto acolhida. Um bar que vai muito além dos modismos e que, mais do que sobreviver, tem vivido - e muito bem, obrigada! – com uma clientela fiel, satisfeita, descolada e interessante - pelo menos dentro daquilo que considero interessante, por assim dizer. A casa é frequentada por artistas, músicos, designers, jornalistas, profissionais liberais, o povo de comunicação, uma turma da happy hour – enfim, uma fauna diversificada e mais madura, felizmente com perfil bem diferente daquele que tem superpovoado boa parte da Vila Madalena de uns anos para cá.

A fachada já dá uma ideia do clima de aconchego no interior - Foto: Simone Catto

O Balcão ganhou esse nome porque seu salão é circundado por um enorme, único e sinuoso balcão contínuo, permitindo a aproximação das pessoas. Por isso, não é o tipo de bar aonde você deve ir para discutir a relação ou ter um tête-à-tête ao pé do ouvido. Mesmo assim, lá a gente sente uma grande sensação de "pertencimento" e, se houver clima, pode até acabar engatando um papo com a pessoa ao lado. Não foi meu caso, porque eu estava em ótima companhia, totalmente absorvida na conversa e meu propósito era outro. (rs)

Calor e proximidade: esse é o clima em torno do enorme balcão! - Foto: Simone Catto

A decoração do bar destaca-se por uma enorme pintura do artista norte-americano da pop art Roy Lichtenstein, que domina todo o salão. Nos fundos há também um mezanino, mas o espaço mais agradável é mesmo o do balcão amigo. A iluminação em tons alaranjados contribui para o clima de aconchego.

A tela de Roy Lichtenstein dá um charme pop ao lugar - Foto: Simone Catto

Detalhe bem bolado: caso o cliente saia para fumar, o centro do salão tem várias plaquinhas como esta abaixo para sinalizar que o lugar está ocupado. Assim ninguém corre o risco de perder o lugar ou de que o garçom recolha sua bebida da mesa!

Foto: Simone Catto

O cardápio tem opções etílicas para todos os gostos. Naquele dia tomei uma margarita, mas devo dizer que já provei melhores. Além disso, estranhei o copo, já que a bebida costuma ser servida naquelas taças com haste fina, formato triangular e boca larga.

Minha margarita... - Foto: Simone Catto

A Torta Pecã estava boa! - Foto: Simone Catto
Para comer, fomos de sanduíches. O meu, chamado Balcão Filé e Vegetais, levava filé mignon, cogumelos na manteiga, abobrinha e tomates grelhados, servidos no pão ciabata (R$ 26). Como o lanche tinha um tamanho respeitável, deu para dividir com uma amiga. Nem me atrevo a inserir a foto porque ficou ruim demais! 

Depois deu vontade de comer um doce e optei pela Torta Pecã, isto é, torta de nozes-pecã ao forno com sorvete de creme (R$ 16). Estava gostosa. A foto também não está lá essas coisas, mas seja o que Deus quiser.

Se você mora e/ou trabalha na região ou simplesmente gosta de papear num clima descontraído enquanto toma uma bebida, certamente vai encontrar um porto seguro no Balcão. Estive lá em plena terça-feira e o bar estava cheio, embora não estivesse lotado a ponto de não conseguirmos mesa. Anote aí: o BAR BALCÃO fica na Rua Dr. Melo Alves, 150 – Jardim Paulista – tel.: 3063-6091. Abre todos os dias das 18h à 01h.

domingo, 16 de março de 2014

Riviera Bar. Ícone etílico de Sampa resgatado com respeito e estilo.

Anos atrás, sempre que passava pelo final da Avenida Paulista, pertinho da Consolação, eu prestava atenção no formato interessante daquele bar antigo e decadente, todo feito de tijolos de vidro e cercado por uma muretinha de concreto vazado. A placa, acanhada, dizia 'Riviera Bar'. Então eu pensava que aquele bar, naquele ponto tão privilegiado de Sampa, em seus dias de glória devia ter sido um lugar supermoderno que "bombava" de gente. Curiosa, fui perguntar ao São Google. Descobri que o prédio que abriga o estabelecimento, o Edifício Anchieta, foi fundado em 1941, é residencial e considerado um dos grandes ícones do modernismo paulistano. O bar, no térreo, foi fundado em 1949 e infelizmente despejado em 2006, porque desde 1996 o proprietário não conseguia quitar as dívidas. Também, pudera! Com os impostos acachapantes deste país, qualquer empresário precisa fazer mágica para sobreviver.

Foto da Internet - sem créditos.


O interno do bar - foto da Internet (sem créditos).

A ideia inicial do Riviera era reunir senhoras chiques, mas essa vocação high society logo caiu por terra: na década de 50, o bar começou a atrair professores universitários, políticos e esportistas. Nos anos 60 e 70, auge da ditadura, virou ponto de encontro do pessoal de esquerda. Artistas, músicos, ‘culturetes’ (quando esse termo ainda nem existia...) e figurinhas carimbadas da boêmia paulistana discutiam ideias, namoravam e ferviam por ali, normalmente vários degraus etílicos acima do aceitável. Pelas mesas do Riviera circularam nomes como Chico Buarque, Elis Regina, Toquinho, Cláudio Tozzi, Zé do Caixão, os meninos do Dzi Croquetes e os cartunistas Laerte, Chico e Paulo Caruso, entre outros frequentadores da night. Consta que a personagem Rê-Bordosa, de Angeli, foi inspirada não em uma, mas em várias habituées do local.

Eu nunca havia entrado lá. Quando comecei a frequentar bares, o lugar já estava decadente. Portanto, qual não foi minha alegria ao descobrir que o lendário bar seria reaberto por obra e graça da dobradinha Facundo Guerra e Alex Atala, duas referências de qualidade e profissionalismo em entretenimento e gastronomia? Criador de várias casas noturnas bem-sucedidas, Facundo Guerra, imaginei, não iria dar ponto sem nó. A primeira prova disso foi a parceria com Atala, um dos chefs mais festejados do país e agora do mundo, para recriar o cardápio do bar. No mínimo, teríamos comidinhas de qualidade. Dito e feito.

O novo luminoso de néon - foto: Simone Catto

Estive lá em uma terça-feira porque, desde a reabertura, no segundo semestre do ano passado, a casa tem lotado, sobretudo de quarta a sábado, quando há jazz ao vivo – uma novidade de Facundo Guerra. Embora eu não tenha conhecido o bar em seus tempos áureos, parece-me que o projeto arquitetônico atual, de autoria de Márcio Kogan, preservou e restaurou os principais elementos originais, como as famosas paredes de vidro que visualizamos do lado de fora e a escada que conduz ao mezanino. Eu soube, contudo, que a casa reabriu com o dobro do tamanho da original. A única coisa que estranhei foi o andar térreo que, no velho Riviera, era ocupado por mesas e atualmente está todo tomado por um grande balcão vermelho em formato de ameba, nos mesmos moldes do 'Bar Balcão', na Rua Melo Alves. OK, ficou bonito, é cool e facilita a aproximação das pessoas, mas confesso que fiquei levemente decepcionada ao não encontrar as famosas mesinhas. Enfim, é outra proposta.

O salão onde antes havia mesinhas - foto:  Felipe Gombossy/Época SP

E aqui, vista parcial do balcão e as famosas escadas que conduzem ao piso superior - foto: Simone Catto

O andar de cima é um espaço superagradável e charmoso à meia-luz. Ocupei uma deliciosa mesa encostada na parede de vidro, com vista para o finalzinho da Avenida Paulista. Tudo de bom.

O aconchegante andar superior em foto do Facebook do Riviera.

E aqui uma foto um tanto 'meia-boca' tirada do celular, já que eu estava sem câmera - foto: Simone Catto.

A vista de minha mesa: finalzinho da Av. Paulista - foto: Simone Catto

O menu é grande e variado, com petiscos, sanduíches, pratos e coquetéis preparados com maestria. Como ninguém estava morrendo de fome, fomos de petiscos. Para iniciar, pedimos a porção de bolinhos de arroz. Saborosíssimos, com a crocância certa e um leve toque de queijo, aqueles bolinhos estavam entre os melhores que já comi na vida! O único senão é que a porção vem com apenas seis unidades. Poderia ser mais bem servida, uma vez que o preço passa dos R$ 20,00. Para acompanhar, tomei uma margarita que estava no ponto certo.

Os bolinhos de arroz são uma delícia, mas a porção é um tanto minguadinha - foto: Simone Catto

Uma amiga pediu o Royal (R$ 31), um clássico repaginado do Riviera. Trata-se de um sanduíche montado no pão de forma e recheado com queijo, rosbife, tomate e picles de pepino. É bem grande e dá para dividir tranquilamente.

Entre um gole e outro, conversa vai, conversa vem, os bolinhos de arroz acabaram rapidinho - como já seria de se esperar. Aí pedimos uma porção de mandioca frita, bem mais generosa. Pode parecer exagero, mas até uma porção prosaica como essa pode (e deve!) ser preparada com primor. Pois esse clássico dos barzinhos paulistanos tornou-se um show de sabor lá no Riviera. A textura das mandiocas estava uma coisa de louco de tão boa. Ao mesmo tempo em que eram crocantes, elas desmanchavam na boca de tão macias. Coisa de alquimista de cozinha!

A porção de mandiocas era mais generosa e estava entre as melhores que já comi - foto: Simone Catto

Como naquele dia eu estava com vontade de doce, pedi a Torta Riviera, uma torre composta de massa de crepe com chantili em camadas e laranjas em calda. Uma coisa leve que deixa na boca um gosto de céu. Maravilha dos deuses!

A foto saiu péssima, mas garanto que a saborosíssima Torta Riviera
deixou minhas endorfinas bem felizes! - Foto: Simone Catto

Detalhe IM-POR-TAN-TÍS-SI-MO que faz a diferença: o Riviera abre de domingo a domingo às 12h e sempre fecha depois da meia-noite. Ou seja: é um daqueles refúgios que não deixam nenhum faminto na mão, com forte vocação para se tornar um clássico do calibre de casas como Mestiço, Ritz e Spot, porém com preços mais acessíveis.

Até breve, Riviera! - Foto: Simone Catto

Em tempo: peço desculpas pelas fotos sofríveis, é que precisei tirá-las do celular. Mas pelo menos dá para ter uma ideia do ambiente e da dimensão dos pratos. 

O RIVIERA está na Av. Paulista, 2584 – tel.: 3231-3705 - www.rivierabar.com.br. Abre todos os dias a partir do meio-dia e, de quarta a sábado, tem jazz ao vivo à noite. Já entrou para minha lista de preferidos!