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domingo, 20 de abril de 2014

SP-Arte 2014 (parte 3). O contemporâneo que intriga e diverte.

Este post é o terceiro de uma série dedicada à feira SP-Arte 2014, realizada no início do mês no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera. Como já afirmei anteriormente, essa feira realizada todos os anos é imperdível para quem deseja comprar arte ou simplesmente ficar por dentro do que as galerias têm a oferecer. Nesta edição foram mais de cento e trinta participantes, entre galerias brasileiras e estrangeiras, com acervos em que predominam, em 99% dos casos, obras de arte moderna e contemporânea.

Deixando à parte a discussão sobre a legitimidade de determinadas obras de arte contemporânea, encontrei, na SP-Arte 2014, alguns trabalhos que, no mínimo, eram divertidos e provocadores. Se são arte ou não, isso é outra questão que "dá muito pano pra manga", pois percebi que a noção de arte cada vez mais se relativiza e pode ser muito subjetiva. As obras da galeria carioca Portas Vilaseca, por exemplo, me atraíram pela inventividade de suas propostas. Vale lembrar que nem todas exibiam seus nomes, como o curioso tabuleiro de xadrez abaixo, com peças que lembram itens de banheiros e lavabos.

Claudia Hersz - Portas Vilaseca Galeria - RJ - Foto: Simone Catto

Aqui a artista se apropriou de uma tapeçaria no estilo Gobelin para criar seu trabalho.

Claudia Hersz - 'Denier Le Paysage' - Portas Vilaseca Galeria - RJ - Foto: Simone Catto

Note que a obra abaixo é constituída por uma imagem impressa em dezenas de post-its.

Íris Helena - 'Lembretes' da série 'Lembretes' - Portas Vilaseca Galeria - RJ
Foto: Simone Catto

Achei as cores e o a vivacidade da composição a seguir, elaborada com pratos, muito interessantes. Conforme explicou o representante da Galeria Emma Thomas, trata-se de uma obra de Bruno Miguel, artista plástico que nasceu e vive no Rio de Janeiro.

Bruno Miguel - Galeria Emma Thomas - Foto: Simone Catto

A próxima obra foi toda realizada com pedaços de vinil recortado. O resultado saiu no mínimo curioso e inusitado!

Carlos Aires - Sergio Gonçalves Galeria - RJ - Foto: Simone Catto

E agora vamos a uma pequena amostra de artistas bastante conhecidos e respeitados por seu trabalho – seja no Brasil ou no exterior.

Aqui temos uma parede repleta de obras de Leonilson - Galeria Berenice Arvani - Foto: Simone Catto

Wesley Duke Lee - 'Nike Descansa - "59" (1966-1986) - nanquim, guache e xérox s/ papel .
A Ponte Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

A seguir, uma vista de obras de Gordon Matta-Clark exibidas no stand da Galerie Natalie Saroussi – Paris.

Gordon Matta-Clark - Natalie Saroussi - Paris - Foto: Simone Catto

Hector Vilche - Galeria Sur - Montevidéu - Foto: Simone Catto

E para finalizar, que tal uma polêmica? A foto abaixo mostra uma performance da artista sérvia Marina Abramovic e Ulay, artista plástico com quem se relacionava, realizada no ano de 1977 em uma galeria de arte de Bolonha, Itália. Ambos sentaram-se de costas um para o outro durante 16 horas, imóveis e sem a presença de público, enlaçados fortemente por seus cabelos. Somente por uma hora o público pôde entrar e presenciar a performance que tinha, como objetivo, mostrar a força do vínculo que os unia. Posso até ser excomungada, mas devo dizer que questiono fortemente esse gênero de manifestação artística. Podemos chamar performances como essa de arte ou são apenas a expressão de uma subjetividade? Tudo é arte? Fica a questão para reflexão.

Marina Abramovic - 'Relation in Time' (1977) - Galeria Lia Rumma - Itália - Foto: Simone Catto

Confira, nos links abaixo, mais obras da SP-Arte 2014!


sábado, 19 de abril de 2014

SP-Arte 2014 (parte 2). As cores e formas de uma arte contemporânea que vale a pena.

A produção de arte contemporânea é imensa e muito se fala sobre ela, pelo bem ou pelo mal. Vídeos, instalações, performances e obras conceituais das mais variadas estirpes e vertentes ocupam espaços na mídia, nas Bienais, em galerias de arte, museus, feiras e exposições pelo mundo afora. Muitas vezes é difícil compreender o que o artista pretende se não tivermos acesso a um documento que explique sua intenção. E outras tantas vezes, em número muito maior do que seria confortável admitir, pergunto-me francamente se estou mesmo diante de uma obra de arte ou de uma "pegadinha" para incautos. Vejo obras que absolutamente não me convencem serem comercializadas a preços astronômicos. Vejo artistas serem alçados a um pedestal, até que algum ser iluminado ouse levantar a voz para declarar que "o rei está nu".

É por tudo isso que fiquei feliz ao encontrar, na SP-Arte 2014, várias obras de arte contemporânea que considerei bastante interessantes por me transmitirem um determinado  prazer estético, já que isso tem se tornado cada vez mais raro ultimamente. Realizada de 3 a 6 de abril no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, a feira reuniu mais de 130 galerias de arte nacionais e estrangeiras. Já publiquei um post abordando obras desta edição da SP-Arte que foram produzidas por artistas modernos que já conquistaram seu lugar no panteão dos mestres, e agora, portanto, vou compartilhar algumas obras de arte mais recentes que se destacaram, sob meu ponto de vista, por me despertarem uma agradável sensação estética. Vale reforçar que algumas obras não exibiam seu nome, mas apenas o nome do artista.

Vamos começar com duas obras da Zipper Galeria que chamaram minha atenção. A primeira, por seu colorido e o efeito agradável gerado pela superfície homogênea que reflete luz. Dá vontade de tocá-la! A segunda obra destacou-se por sua inventividade, embora ela tenha suscitado em mim alguns questionamentos sobre sua legitimidade como arte.

Fernando Velazquez - da série 'Mindscapes' 678, ed. 3, 2014 - impressão fotográfica em metacrilato - Zipper Galeria - Foto: Simone Catto.

Daniel Escobar - 'The World' - recorte sobre guias de viagem - Zipper Galeria - Foto: Simone Catto

Na SP-Arte 2014 não poderiam faltar, também, Adriana Varejão e Beatriz Milhazes, embora tenha notado uma ausência maior desta última em relação à edição do ano passado.

Uma colagem de Beatriz Milhazes - Athena Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Adriana Varejão - 'Pele' (1996) - óleo e poliretano s/ tela - Paulo Kuczynski Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Achei as obras a seguir extremamente interessantes pelo formato inusitado. A escultura de Nick Van Woert, particularmente, é de uma dramaticidade impressionante. Belíssima!

Obra de Daniel Arsham - Baró Galeria - Foto: Simone Catto

E aqui temos um casal enlaçado para a eternidade!
Nick Van Woert - sem título (2014) - estátua de fiberglass e plástico de uretano
pigmentado - Galeria Yvon Lambert - Paris - Foto: Simone Catto

E acredite se quiser: as singelas borboletas a seguir são do polêmico Damien Hirst, bem como a comportada composição abstrata da sequência. Dá para acreditar que se trata do mesmo artista que vende animais mortos dentro de aquários por milhões de dólares? Neste caso (cá entre nós), louco não é quem vende, mas quem compra! Prefiro as borboletas pintadas do que os tubarões mortos.

Damien Hirst - Arteedições Galeria - Foto: Simone Catto

Damien Hirst - 'Shattered' (algo como 'Despedaçado' (1912-13) - lâminas de bisturi e pintura
em alumínio - Galeria White Cube - Foto: Simone Catto

As próximas obras atraíram meu olhar pelo colorido exuberante e lo bom gosto da composição.

Paulo Climachauska - Lurixs: arate contemporânea - RJ - Foto: Simone Catto

José Patrício - Galeria Amparo 60 - Recife - Foto: Simone Catto

Ian Davenport - 'Puddle - Painting: Red' (a tradução quer dizer algo como: 'Lamaçal -
Pintura: Vermelho') - acrílica s/ alumínio - Dan Contemporânea - Foto: Simone Catto

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Feira SP-Arte 2014. Arte para todos os gostos e alguns bolsos.

Uma visita à feira SP-Arte, que é realizada anualmente e foi encerrada domingo dia 6 em São Paulo, é obrigatória para todo mundo que deseja adquirir arte, seja por gosto ou por investimento, ou simplesmente quer ficar por dentro do que as galerias têm a oferecer por aí. Passear pelos corredores do Pavilhão Ciccillo Matarazzo (o prédio da Bienal) para observar as obras dispostas nos stands enfileirados, com suas diferentes cores, formatos, técnicas e origens, é um deleite para os olhos e uma experiência bem divertida - pelo menos para mim! A exemplo do que ocorreu no ano passado, devo dizer que vi coisas muito interessantes  nesta edição de 2014. Notei, também, um maior número de estrangeiros circulando pelos corredores.

Essa obra da Regina Silveira, bem interessante, estava "estacionada" logo à entrada da feira. Era, sem dúvida, o primeiro
trabalho que todos visualizavam logo ao entrar. Por isso, tornou-se, a meu ver, uma espécie de ícone da SP-Arte 2014.
Foto: Simone Catto

A feira cresceu em número de expositores, saltando de 122 galerias, no ano passado, para 136 galerias de 17 países, este ano, sendo 78 brasileiras e 58 estrangeiras. Vi obras dos onipresentes mestres Di Cavalcanti, Portinari e Tarsila, entre tantos outros, e desta vez chamou minha atenção a quantidade de trabalhos de Volpi e Pancetti espalhados pelos mais diversos stands. Onde quer que eu olhasse via uma bandeirinha de Volpi ou uma indefectível marinha de Pancetti. Algumas das obras expostas exibiam apenas o nome do artista, sem indicação de título, técnica e data.


Victor Brecheret - 'O Guerreiro' - Foto: Simone Catto
Note o Volpi ao fundo!

Neste primeiro post sobre a feira, selecionei trabalhos de alguns modernistas e outros mestres consagrados, brasileiros e estrangeiros, dentre tantos que me atraíram de maneira especial. Vamos a eles!

Olhe ele aí: Cândido Portinari - 'Casal de Noivos' (1955) - óleo s/ tela
Almeida e Dale Galeria de Arte / Hilda Araujo Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Infelizmente, a imagem dos créditos dessa obra de Cícero Dias saiu fora de foco.
Faz parte do acervo da Almeida e Dale Galeria de Arte / Hilda Araujo Escritório de Arte.
Foto: Simone Catto

Essa obra de Flavio de Carvalho tem um colorido espetacular! Chama-se Mulheres' (1952) -
óleo s/ tela - Almeida e Dale Galeria de Arte / Hilda Araujo Escritório de Arte
Foto: Simone Catto

Lasar Segall - 'Le Mendiant Aveugle' ('O Mendigo Cego') (1944) - óleo s/ tela
Almeida e Dale Galeria de Arte / Hilda Araujo Escritório de Arte
Foto: Simone Catto

José Pancetti - 'Itapoan - Bahia' (1953) - óleo s/ tela - Paulo Kuczynski Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Aqui temos uma Tarsila do Amaral ainda comportada: 'Vaso com Rosas' (1919) - crayon s/ papel
Paulo Kuczynsky Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

E agora, uma Tarsila mais próxima daquela que conhecemos, em uma obra realizada mais de 30 anos após a anterior:
'Formação'
(1952) - óleo s/ tela - 
Paulo Kuczynsky Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Belo exemplar de Eliseu Visconti, o maior mestre do Impressionismo brasileiro:
'A Convalescente' (1986) - óleo s/ tela - Paulo Kuczynsky Galeria de Arte
Foto: Simone Catto

Flavio de Carvalho e seu colorido exuberante: 'Paisagem Mental' (1955) - óleo s/ tela 
A Ponte Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Um singelo e belo Cícero Dias - Athena Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Um dado curioso é que algumas obras que vi e fotografei no ano passado estavam novamente presentes este ano, à espera de compradores. Renoir e Picasso também enfeitaram as paredes e deleitaram nossos espíritos na feira, como você pode ver a seguir.

Pierre-Auguste Renoir - Athena Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Pablo Picasso - 'Homme et Femme' (1969) - lápis e giz de cera s/ papel
Mayoral Galeria d'Art - Barcelona - Foto: Simone Catto

Paul Klee - Galerie Natalie Seroussi - Paris - Foto: Simone Catto

Roy Lichetenstein - 'Water Lilacs with Japanese Bridge' - técnica mista
Gagosian Gallery - New York - Foto: Simone Catto

A entrada para a SP-Arte 2014 custou R$ 40,00, um valor longe de ser "popular", possivelmente para selecionar o público visitante e atrair, sobretudo, o perfil que interessava: potenciais compradores, já que o objetivo da feira é majoritariamente comercial. O que é inadmissível é a cobrança de extorsivos R$ 5,00 por uma garrafinha de água Minalba. Sim, era esse o valor cobrado dentro da feira pela garrafa pequena de água mineral - um abuso. Tudo bem estipular um preço de bilheteria mais alto para selecionar o público com poder de compra para adquirir obras de arte, mas cobrar R$ 5,00 por uma garrafinha de água mineral é no mínimo um desrespeito para com os visitantes, por maior que seja seu poder aquisitivo. Em outras palavras: o fato de uma pessoa ser rica não confere aos outros o direito de espoliá-la, concorda? 

Bem, essa foi uma pequena amostra do que vi na SP Arte deste ano. Aguarde, nos próximos posts, mais imagens das obras que vi por lá!