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domingo, 21 de abril de 2013

Feira SP-Arte (parte 3). Agora, só no ano que vem!

Opa! E finalmente chegamos ao terceiro e último post sobre a feira SP-Arte 2013, que aconteceu no início de abril no Pavilhão Ciccilo Matarazzo, no Ibirapuera. Conforme comentei anteriormente, tive de desmembrar a matéria em três devido à quantidade de material que coletei na feira. São tantas fotos, que um só post não seria suficiente. E olhe que nem tirei fotos de tudo o que me agradou, senão não iria mais embora de lá!

Continuando nossa visita, a galeria Pinakotheke (SP/RJ/Fortaleza) estava belíssima. Tinha obras maravilhosas, valorizadas por uma iluminação suave e acolhedora. Não por acaso, ocupou um espaço respeitável que atraiu bastante público com mestres consagrados. É o caso dos Di Cavalcanti a seguir.

Di Cavalcanti - 'Composição' (1927) - Pinakotheke - Foto: Simone Catto

A alegria desse quadro é uma delícia! - Di Cavalcanti - 'Samba' (1967) - Pinakotheke - foto: Simone Catto

Achei as flores abaixo, de Bonadei, muito bonitas. Obra da Paulo Kuczynski Escritório de Arte.

Aldo Bonadei (1944) - o/s/t - Paulo Kuczinski Escritório de Arte - Foto: Simone Catto

Na Galeria Sylvio Nery, essas telas de Anita Malfatti e Portinari atraíram minha atenção em especial.

Anita Malfatti - 'Nu Sentado' - (1925) - o/s/t - Galeria Sylvio Nery - Foto: Simone Catto

Cândido Portinari - 'Família' - (1939) - o/s/t - Galeria Sylvio Nery - Foto: Simone Catto

E o que dizer deste Picasso "parisiense" vindo diretamente de New York? Esta e outras obras do mestre catalão estavam no stand da Van de Weghe Fine Art, de New York.

Pablo Picasso - 'Notre-Dame de Paris' (1954) - Van de Weghe Fine Art (NY) - Foto: Simone Catto

Ainda em New York, a 1500 Gallery exibiu essas fotos bonitas e perturbadoras de Bruno Cals. Só que a gente não consegue identificar o que elas retratam, e é aí que está a graça. São fachadas de edifícios fotografadas de baixo para cima, acredita? E sem Photoshop, conforme me explicou Silvia Balady, representante da galeria. Aliás, peguei as fotos abaixo no site da 1500 porque as que tirei saíram com muito reflexo no vidro.

Bruno Cals - 'Sem Título 2' (2010) - foto da série 'Horizons' - 1500 Gallery - Foto: www.1500gallery.com

Bruno Cals - 'Sem Título 22' (2010) - foto da série 'Horizons' - 1500 Gallery - Foto: www.1500gallery.com

E já que adentramos o âmbito da arte contemporânea, gostaria de fazer um comentário sobre um aspecto ou característica muito frequente na produção artística dos dias de hoje: costumo dizer que a arte contemporânea precisa de "bula". Sim, é isso mesmo. Se não tivermos um documento ou texto que explique o que ela significa, muitas vezes não compreendemos o que o artista pretende dizer. Veja o caso das fotos de Bruno Cals, que acabei de mencionar. Foi preciso que alguém me revelasse que se tratava de fachadas de edifícios, caso contrário eu jamais iria perceber.

Bem, independentemente do que os artistas tenham pretendido transmitir nas obras contemporâneas que mostrarei a seguir, selecionei-as para mostrar aqui porque achei interessante ou divertida a forma como os materiais foram manipulados.

Nelson Leirner - 'Golf / Futebol / Natação / Tênis (2013) - litografia c/ colagem - Polígrafa Obra Gráfica (Barcelona). 
Foto: Simone Catto

Na obra a seguir, achei interessante a mesa branca com uma cadeira que a atravessa como se fosse um "espírito" invocado nas "mesas brancas" das religiões espíritas.

Washington Silveira - 'Mesa Branca' (2012) - madeira laqueada - Ybakatu Espaço de Arte (curitiba) - Foto: Simone Catto

Nuno Ramos - 'Instrumento '- Celma Albuquerque Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Marçal Athayde - 'Sem título' (2012) - Pinakotheke - Foto: Simone Catto

Se você quiser saber mais sobre arte contemporânea, acesse '30a. Bienal de São Paulo. Se toda arte é expressão, será que toda expressão pode ser arte?'

E para finalizar, só um comentário que não tem nada a ver com arte, mas com um certo descaso que notei da parte da organização da SP-Arte para com os visitantes da feira.

O fato é que o restaurante 'Capim Santo' monopolizou todos os espaços de alimentação da SP-Arte 2013 com preços muito acima da média, isto é, não havia nenhuma outra alternativa de alimentação para quem quisesse fazer uma refeição ou apenas um lanche rápido. Para se ter uma ideia, um café expresso ou cappuccino pequeno eram vendidos a abusivos R$ 5,00 e um sanduíche simples no pão de fôrma saía a R$ 23,00. Nada contra a presença do Capim Santo no local, desde que a organização da feira, sob o comando de Fernanda Feitosa, colocasse outras opções à disposição dos consumidores, assim como ocorre nas exposições de primeiro mundo. Espero que nas próximas edições a organização seja mais cuidadosa nesse aspecto!

Confira mais obras da SP-Arte 2013 nos outros posts do blog:

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Conhecer? Comprar? Admirar? Veja por que a feira SP-Arte tornou-se imperdível.

Para quem gosta de arte e quer ficar por dentro do que está sendo comercializado por aí, a feira SP-Arte, realizada desde 2005 no Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Pavilhão da Bienal), no Ibirapuera, é sempre uma boa pedida. E lá fui eu conferir mais uma edição, que desta vez aconteceu de 4 a 7 de abril, reuniu 122 galerias e também apresentou uma programação de exposições paralelas, palestras e outras atividades.

Quando cheguei, ao meio-dia, a bilheteria havia acabado de abrir - Foto: Simone Catto

Embora o objetivo da feira seja puramente comercial, minha intenção não era especular preços ou comprar, mas sim avaliar o que está sendo produzido e oferecido ao mundo em termos de arte. A esmagadora maioria dos expositores era constituída de galerias de arte brasileiras, embora o evento tenha abrigado representantes de 15 países. Havia de tudo um pouco, mas deu para sentir que a arte figurativa ainda é a que mais atrai o público em geral.

Logo ao entrar, deparei-me com um grupo de galerias, a maioria enfileirada do lado direito. Ao circular entre elas e observar suas obras, entendi o porquê da localização privilegiada e logo deduzi que eram as 'vedetes do pedaço': todas exibiam belos exemplares de artistas há muito consagrados, como Di Cavalcanti, Portinari, Anita Malfatti, Volpi, Vicente do Rêgo Monteiro e Iberê Camargo, entre outros, ao lado de obras de representantes de gerações mais novas, como a festejada Beatriz Milhazes e o saudoso Jorge Guinle.

Na Galeria Ipanema, do Rio de Janeiro, a grande obra de Beatriz Milhazes imediatamente saltava aos olhos.
 Foto: Simone Catto

E a lista de 'monstros sagrados' ia ainda mais longe: obras de Guignard, Pancetti, Lasar Segall, Brecheret, Ismael Nery, Milton Dacosta, Cícero Dias, Hélio Oiticica, Maria Leontina, Cildo Meirelles e Tomie Ohtake também marcaram presença por lá em meio a uma infinidade de artistas contemporâneos e até alguns 'Picassos' aqui e acolá. Vale ressaltar que algumas obras não apresentavam título nem data, apenas o nome do autor. 

Não pude deixar de notar, também, o expressivo número de obras da dobradinha de venezuelanos Jesús Soto e Carlos Cruz-diez, legítimos representantes da chamada 'arte ótica'. Não tirei fotos porque a graça dessas obras reside justamente na observação ao vivo de seus efeitos óticos, de forma que perderia o sentido contemplá-las em outro suporte que não fosse em 3D.

Portanto, vou compartilhar aqui as imagens de apenas algumas obras dentre as muitas que chamaram minha atenção na feira, já que o catálogo, vendido a R$ 40,00, apresentava apenas uma obra de cada galeria expositora e, dentre essas, poucas me interessaram.

Vamos começar, então, com algumas obras da Galeria Steiner, de São Paulo, que era uma das "estrelas" que estavam bem próximas à entrada e realmente tinha coisas muito bonitas.

Iberê Camargo - 'Três Modelos' (1985) - Galeria Steiner - Foto: Simone Catto
  
Ismael Nery - 'Autorretrato' (1928) - Galeria Steiner - Achei esses olhos particularmente 
assustadores! - Foto: Simone Catto

Di Cavalcanti (1940) - Galeria Steiner - Foto: Simone Catto

Alfredo Volpi - 'Retrato de Eugênia' (1951) - Galeria Steiner - Foto: Simone Catto

Na carioca Athena Galeria de Arte topei com Beatriz Milhazes e alguns exemplares do talentoso Jorge Guinle, precocemente falecido. E de repente, no meio de todos aqueles artistas brasileiros, não é que me deparo com um belíssimo Marc Chagall perdido por ali?! Um encanto de pintura.

Jorge Guinle e uma de suas belas e exuberantes composições.
Athena Galeria de Arte - Foto: Simone Catto 

Mais uma obra de Guinle, da mesma galeria - Foto: Simone Catto

Beatriz Milhazes e seu inconfundível colorido caleidoscópico também era um dos destaques
da Athena Galeria de Arte - Foto: Simone Catto 

Vicente do Rêgo Monteiro - Athena Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Um circo de Marc Chagall, simplesmente encantador! - Athena Galeria de Arte - Foto: Simone Catto

Como tirei fotos em muitas galerias, vou distribui-las também por outros posts porque este não comportaria todas - sem falar, é claro, que a leitura ficaria um tanto cansativa.

Contudo, não posso deixar de dizer que gostaria de ter tirado muito mais fotos, dada a quantidade de obras interessantes que vi na feira. No entanto, eu precisava escolher: ou admirava as obras ou ficava tirando fotos! Aí não dá, né?