sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

'Venga!' O bar de 'tapas' que merecem beijos.

Ontem tive uma grata surpresa. A convite de uma amiga querida, fui conhecer o
'Venga!', bar de tapas recém-inaugurado na Vila Madalena. Já existem duas unidades da casa no Rio de Janeiro que, segundo soube, fazem tanto sucesso quanto o novo empreendimento paulistano. Tanto é verdade, que nosso grupo combinou de se encontrar lá às 19h30, sob pena de não encontrarmos lugar caso chegássemos mais tarde. E isso em plena quarta-feira. Bem, cheguei às 19h45 – a casa ainda estava quase vazia, mas... cerca de meia hora depois, já não restava uma mesa para contar a história. O burburinho foi aumentando, aumentando... olé!!! E não é que as 'tapas' pegaram em Sampa?? Notei que, ultimamente, outras casas do gênero abriram por aí.

Vista do local

O salão onde sentei com minhas amigas - Foto: www.destemperados.com.br

Arrisco dizer que as tapas espanholas são uma das formas mais sociais de se comer, pois consistem em pequenas porções de petiscos e comidinhas que podem ser compartilhados com os amigos. Uma experiência gastronômica saborosa e eclética, portanto. Ainda mais quando são bem-feitas como as do 'Venga!'. Para quem gosta
de experimentar temperos diferentes, são um prato cheio – mesmo as porções sendo minúsculas e delicadas.

Rollitos de anchoas

Uma amiga que conheceu uma unidade do 'Venga!' no Rio comentou que a de
São Paulo é beeem maior. O pé direito é alto e a cozinha é integrada ao salão, compondo uma ambientação arejada e interessante inclusive pela amplidão das janelas de vidro e a profusão de plantas. O espaço tem um balcão com 20 lugares,
25 mesas e mais uma área de espera ao ar livre.

O ambiente, levemente assimétrico, é amplo e agradável.

Quando cheguei, as meninas estavam tomando uma sangria e comendo o delicioso Salteado de Setas, uma cumbuquinha de champignons temperados. E as tapas foram se sucedendo: pulpo a la galega (polvo confitado com batata e páprica), queijo manchego, pan con tomate, tortilla... tudo delicioso.

Pan con Tomate - Foto: www.chezcroque.com.br

Tortilla de Batata - Foto: www.chezcroque.com.br

Depois da sangria, pedimos um espumante rosé espanhol, Prado REY Rosado 09. Estava tão leve e saboroso que tomamos duas garrafas! Aliás, sentimos que o sabor desse rosé tem um toque de baunilha – e tem mesmo.
  

Diante disso, se você quiser uma experiência gastronômica diferente e ver gente bonita de todas as idades, conheça o 'Venga!' porque vale a pena. Mas chegue cedo se quiser pegar uma mesa ou conversar. Porque depois... nem touro bravo espanta a galera. O endereço é rua Delfina, 196 – Vila Madalena (www.venga.com.br).

domingo, 5 de fevereiro de 2012

'Tomboy'. Crise de identidade sexual tratada com delicadeza.

Céline Sciamma, diretora e roteirista de Tomboy, saiu do Festival de Berlim de 2011 com o prêmio Teddy, destinado às produções cinematográficas de temática homossexual. Não foi por acaso. O filme trata, com bom senso e sensibilidade, a crise de identidade sexual de Laure, uma garota de 10 anos protagonizada pela belíssima e sensacional atriz mirim Zoé Héran.

Laure acaba de se mudar com os pais (Mathieu Demy e Sophie Cattani) e a irmã caçula (a excelente Malonn Lévana) para um subúrbio de Paris. De cabelos bem curtinhos e sempre vestida como um moleque, acaba confundida com um menino pela nova amiga, a pré-adolescente Lisa (Jeanne Disson). Só que Laure gostou dessa história e assume a identidade de um menino, dizendo chamar-se Mickäel. E é como Mickäel que passa a se apresentar para os outros amiguinhos da vizinhança.

Só que Laure/Mickäel não é como os outros meninos: além de muito bonita e valente, é também sensível e doce, acabando por despertar na amiga Lisa algo mais que um desejo de simples amizade. A partir daí, a farsa vai-se embrenhando por um caminho sem volta, com todas as implicações, embaraços e desmandos que isso virá a acarretar.

Jeanne Disson (Lisa) e Zoé Héran (Laure)

Alguém poderia questionar se a crise de identidade sexual de Laure pudesse ser fruto da convivência com um lar desestruturado, problemático ou coisa assim. Muito pelo contrário. Nossa protagonista tem uma família normal (no melhor dos sentidos), bem-estruturada, carinhosa e é cercada de afeto pelos pais e pela encantadora irmãzinha caçula com quem adora brincar e que também a adora.

Malonn Lévanna (a irmãzinha caçula) e Zoé Héran

A irmã caçula, aliás, é um caso à parte. A menina tem expressões e tiradas engraçadíssimas, não tanto pelo teor do que diz, mas sobretudo pela forma como o faz. E é assim, mesclando humor e drama e tangenciando questões familiares como a terceira gravidez da mãe e a ausência temporária do pai, que o filme nos entretém e encanta do início ao fim. Imperdível!

Tomboy está em cartaz apenas nos três cinemas que, em minha opinião, são os melhores de São Paulo: Espaço Unibanco 3, Frei Caneca Unibanco 8 e Reserva Cultural 3 e 4. Escolha um e vá!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

'A Sogra que pedi a Deus': uma peça que nenhuma sogra merece.

Depois de postar uma matéria, há pouco, sobre a ótima peça "Conversando com Mamãe", eis-me aqui novamente falando de teatro. Só que, desta vez, para comentar sobre uma peça que me causou uma impressão bem diferente da primeira: "A Sogra que pedi a Deus", em cartaz no teatro Ruth Escobar.

Ocorre que eu estava a fim de uma diversão ligeira, queria dar umas risadas e, ao receber o convite para o teatro, achei que pudesse ser divertido. Acontece que diversão "ligeira" também precisa ser bem escrita, bem dirigida e ter um bom elenco para funcionar. Infelizmente, não foi o caso. O texto era fraco e o improviso rolou solto (nada contra improviso, é claro, mas até o improviso precisa ser profissional). O timing foi inexistente. Faltou direção e talento dramático – um dos atores, aliás, atuou de forma particularmente forçada e histriônica. A exceção foi Renato Papa, que interpretou a sogra "monstro" com tiradas e trejeitos engraçados, apesar das deficiências do roteiro.

Como se não bastasse, o teatro Ruth Escobar, além de possuir infraestrutura precária, é de um desconforto atroz. As cadeiras da Sala Gil Vicente são de madeira, extremamente duras, e achar posição durante o espetáculo tornou-se um verdadeiro suplício. Cadê o patrocínio para uma reforma?

Outra coisa curiosa é a quantidade de peças encenadas simultaneamente no local, nas diferentes salas. Notei, inclusive, que uma mesma sala chega a ter duas ou mais sessões seguidas, no mesmo dia... e de diferentes peças!!! Um verdadeiro "varejão teatral", eu diria. Talvez isso justifique, em parte, a multidão que entrava e saía do local. Quando cheguei, o saguão estava tão lotado que mal conseguíamos chegar à bilheteria.

Uma outra possível razão para a "invasão", segundo soube depois, foi a inserção de uma ou mais peças num site de compras coletivas, a preços promocionais. Como eu fiquei sabendo? Simples. Ao final do espetáculo, o teatro se desculpou com o público porque a promoção da peça no tal site estava marcada para outro dia da semana e, pelo que entendi, o site errou a data, divulgando que ela era válida para aquele dia – um sábado. Resumo da ópera: a turba acorreu para lá, e o teatro, num louvável esforço de boa vontade, acolheu as pessoas mesmo assim, se desdobrando para acomodá-las todas. Antes do início da peça, diga-se de passagem, quando vi que cadeiras extras estavam sendo colocadas na Sala Gil Vicente, logo pensei: "Ou a peça é muito boa, ou muito barata". Bem, depois que tive a resposta, só pude reforçar minha convicção de que aqueles sites de compras coletivas são mesmo uma roubada máster... Fechem as cortinas, o post acabou! 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tempero das Gerais. Esse trem é bão demais, sô!

No final de semana tive o prazer de ir ao almoço de aniversário de uma amiga querida, no restaurante Tempero das Gerais, no Brooklin. Eu realmente não conhecia a casa e me surpreendi com a excelente relação custo-benefício.

Porção Mista - Foto: Adriana Machado

O ambiente é familiar, bem simples e realmente não tem nada de especial. Mas posso dizer, seguramente, que poucas vezes na vida – ou talvez nunca - comi uma carne de sol tãaaao saborosa e macia quanto a que saboreei lá!!! Levemente puxada na manteiga, ela faz parte de uma combinação denominada "Diamantina", verdadeira "mina" gastronômica composta por uma cumbuca – daquelas de ferro - de tutu de feijão, outra com farta porção de arroz, outra com uma couve fresquinha e, por fim, a melhor de todas, que reúne pedaços crocantes de mandioca frita e a tal carne de sol dos deuses. Sem exagero: cada combinação dessas, lá, serve 3 pessoas tranquilamente. Digo isso porque outros amigos pediram uma refeição denominada "Belo Horizonte", com feijão tropeiro e torresmo, entre outros itens, e as porções das cumbucas eram igualmente generosas.

A combinação "Diamantina" - a foto não é minha, mas dá pra ter
uma ideia do tamanho dos pratos!!! 

Outra coisa que apreciei muito, na casa, foi o cuidado ao servirem minha caipirinha: a cachaça Salinas que solicitei para a bebida foi servida na mesa, na minha frente. O serviço também é atencioso: quando pedi mais gelo e açúcar, os itens foram-me entregues prontamente. Igual atenção foi notada quando solicitamos a outro garçom para diminuir o ar condicionado que estava mirando em cheio nossas cabeças.

Diante disso, se você pretende se deliciar com os quitutes mineiros do Tempero das Gerais, no fim de semana, é bom chegar cedo pra não perder o "trem"! O endereço é Rua Princesa Isabel, 385 – Brooklin – tel. (11) 5093-9950.

‘Conversando com Mamãe’. Ria, chore e lave a alma com um ótimo teatro.

É incrível a quantidade de peças de teatro que são encenadas na cidade de São Paulo. Muitas fazem sucesso pelo eficiente "boca-a-boca", algumas porque recebem críticas positivas na mídia, outras porque apresentam atristas globais no elenco, e ainda há aquelas que reúnem dois ou mais desses fatores. Neste caso, eu menciono "Conversando com Mamãe", espetáculo muito elogiado pela crítica que ostenta excelentes atores globais no elenco.

A peça, uma adaptação do espanhol Jordí Galcerán a partir de um longa-metragem de Santiago Carlos Oves, é toda tomada pelo tocante diálogo entre Jaime – personagem do versátil Herson Capri – e sua mãe, magistralmente interpretada por Beatriz Segall. Tudo começa quando Jaime relata à matriarca seus problemas financeiros. A partir daí, pouco a pouco vão-se desvendando facetas desta última até então desconhecidas pelo filho, ao mesmo tempo em que os questionamentos desconcertantes da mãe conduzem esse filho, gradativamente, a uma dolorosa jornada rumo à consciência de seu próprio fracasso. Por esta razão, se por um lado rimos com as tiradas engraçadas da velha senhora, por outro sentimos um toque de melancolia pela comovente percepção da infelicidade do filho.

Beatriz Segall e Herson Capri - Foto: Paula Kossatz

O roteiro é excelente. A direção de Suzana Garcia é impecável. Os diálogos são sensíveis e primorosos. Tudo isso, aliado à excelente interpretação da dupla de atores, torna o espetáculo imperdível para quem busca um teatro inteligente e de alto nível. Eu assisti à peça no final do ano passado, quando ela ainda estava no Teatro Folha, mas, em 2012, ela reestreou no teatro Renaissance. A temporada vai de 27 de janeiro a 1º de abril de 2012. Não perca!

CONVERSANDO COM MAMÃE
Teatro Renaissance
Quando: sextas e sábados, às 21h30; domingos, às 19h.
Duração: 80 minutos.
Preço: sextas, R$ 70,00; sábados e domingos, R$ 80,00.
Classificação: 12 anos.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Veridiana Jardins. Ótima pizza, belo ambiente e alguns ajustes a fazer.

Eu já conhecia a Pizzaria Veridiana - tanto a casa mais antiga e tradicional, carregada de história e localizada em Higienópolis, quanto a unidade mais recente, situada nos Jardins. Ao voltar a esta última, neste final de semana, minha impressão anterior sobre alguns quesitos se confirmou: a casa é mesmo muito bonita, com vários ambientes, pé-direito alto, fartura de plantas e iluminação agradável. As pizzas também são deliciosas - desta vez, experimentei a Napoli Lisbona, que é na realidade uma Portuguesa mais incrementada, e a pizza Romana, feita com aliche importado e igualmente saborosa.

A área externa à entrada: perfeita para as noites de verão! - Foto: Simone Catto

Vista da bela área interna - Foto: www.veridiana.com.br
Para beber, eu havia solicitado um chianti italiano que constava na carta de vinhos, mas a bebida havia acabado, o que fez com que eu optasse por um outro vinho recomendando pelo sommelier: o espanhol Torres Coronas - Tempranillo da Catalunha. 

A qualidade das pizzas, a beleza do espaço e a frequência de gente bonita da região devem ter sido as responsáveis pela grande lotação da casa ontem, uma noite de sábado, mas, como o local é amplo e há muitos lugares, a fila de espera andou rápido.

O salão onde fiquei - Foto: www.veridiana.com.br

A única derrapada foi no atendimento à mesa: uma das pessoas que me acompanhavam pediu uma pizza com massa bem fina, pouca mussarela e muuuuito molho de tomate, mas... a pizza que chegou era exatamente o contrário: com massa grossa, muita mussarela e pouco molho. Ou seja: além do molho, faltou também cuidado, já que se trata de uma pizzaria sofisticada e, se o garçom nos dá a opção de escolher a espessura da massa, o pedido deveria ser atendido. De qualquer forma, prefiro acreditar que tenha sido um lapso eventual e que, da próxima vez, a casa prestará mais atenção às preferências dos clientes.

Vale dizer, também, que a presença de músicos também é dispensável, uma vez que o burburinho da casa já é alto e, cá entre nós, o nível musical do pianista de ontem não era lá essas coisas.

Apesar dos deslizes (que, naturalmente, podem ser corrigidos), vale a pena conhecer a Pizzaria Veridiana Jardins pela qualidade da pizza e o belíssimo ambiente. Anote o endereço: Rua José Maria Lisboa, 493.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

'O Garoto da Bicicleta'. Corra ou pedale, mas vá assistir!

Neste fim de semana fui convidada a assistir a um filme que há tempos desejava ver, mas que ainda não havia tido oportunidade: "O Garoto da Bicicleta" ("Le Gamin au Vélo"), que deu aos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, justificadamente, o Grand Prix do Festival de Cinema de Cannes em 2011.

Trata-se de um filme extremamente sensível que aborda, ao mesmo tempo com delicadeza e crueza, o sentimento de abandono de uma criança renegada pelo pai e que foi internada num orfanato após a morte da avó, bem como sua recusa em aceitar que esse pai simplesmente não a ama e não a deseja mais.

Thomas Doret, que interpreta o menino "Cyril"

Até o dia em que o destino dessa criança rebelde e revoltada pelo sofrimento, interpretada magistralmente pelo ator mirim Thomas Doret, cruza com o da cabeleireira Samantha, interpretada por Cécile de France. Tem início, aí, uma terna e tocante história de amor incondicional, na qual o instinto maternal e de proteção despertado na mulher pelo garoto ultrapassa a compreensão dos menos sensíveis, mas captura de imediato aqueles que acreditam na inexplicável comunhão de almas que se encontram ao acaso.

Cyril e Samantha, personagem de Cécile de France

Não vou contar mais para não perder a graça. Se você aprecia o bom cinema e ainda não viu “O Garoto da Bicicleta”, não perca! Atualmente o filme está em cartaz somente em duas salas de Sampa, Espaço Unibanco 1 e Reserva Cultural 4.