segunda-feira, 22 de outubro de 2012

30ª Bienal de São Paulo. Se toda arte é expressão, será que toda expressão pode ser arte?

De uns seis anos para cá, cada vez que visito a Bienal de Arte de São Paulo fica mais veemente meu questionamento interno sobre se o que tenho visto por lá pode ser realmente chamado de arte. Tudo bem que essa discussão não é nova e que até já virou clichê com relação à arte contemporânea. Só que, agora, a questão está ainda mais gritante. Adquiriu uma dimensão tal, que se tornou inevitável, pelo menos para mim, postar-me diante de certas obras e me perguntar se elas são mesmo arte ou apenas expressões pessoais, manifestações de uma individualidade que deseja comunicar algo ao mundo. Sim, porque, atualmente, "tudo" virou arte. A multiplicidade de meios e de plataformas utilizadas para a produção artística é tão grande, que qualquer tipo expressão, teoricamente, pode ser denominada "arte" se alguém assim o determinar. E quem seria esse "alguém"? O próprio artista, para começar, e depois os galeristas, críticos de arte, marqueteiros, as mídias e todo o entourage que lhes dá aval. O fato é que se toda arte é expressão, nem toda expressão é arte. Simples assim.

Vamos, então, dar alguns exemplos com base no que vi na 30ª Bienal em duas visitas que fiz à exposição. Vamos começar pelo próprio nome desta edição: Iminência das Poéticas. O que significa? Significa que, aqui, é o processo criativo, o que houve por trás da produção da obra que realmente importa. E não a obra acabada, o produto final. É a intenção do artista que está valendo. Daí a profusão de vídeos ininteligíveis, instalações aparentemente confusas e objetos desconexos, pelos quais vi tantos visitantes passarem reto sem entender lhufas. É isso aí, a arte de hoje precisa de bula para ser compreendida. Porque se você não souber o que o artista quis dizer ou pretendeu com aquilo, pode esquecer. Você até pode achar uma obra esteticamente curiosa ou interessante, mas daí a entendê-la são outros quinhentos.

Frase pintada em uma parede do térreo da Bienal - Foto: Simone Catto

O problema é que, no meu caso, além da dificuldade de entender, à primeira vista, tantas obras dessa Bienal, quase nada despertou a atenção de meus sentidos. Entre as poucas obras que me atraíram, estavam os livros entrelaçados de Odires Mlászho (1960, Mandirituba, Brasil). Se o artista pretendeu transmitir uma mensagem com a obra, sinceramente não sei. Só sei que achei o visual interessante. É arte? Também não sei. Mas que é curioso, é.

Obra de Odires Mlászho - Foto: Simone Catto

As obras que me atraíram na sequência foram realizadas, sintomaticamente, por um artista hoje reconhecido: Arthur Bispo do Rosário (1909/11-89), figura cuja arte adquire uma dimensão mais fascinante por estar diretamente associada aos problemas psiquiátricos de seu autor.

Obra que faz parte do 'Inventário do Mundo', de Arthur Bispo do Rosário - Foto: Simone Catto

Nascido em Sergipe, Bispo do Rosário mudou-se para o Rio de Janeiro em 1925. Entre as profissões que exerceu, foi boxeador, marinheiro e trabalhou na Light. Após sofrer um surto psicótico em 1938, foi diagnosticado como esquizofrênico-paranoico e  transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. Começou seus trabalhos artísticos apenas no final da década de 60 e criou, até sua morte, cerca de 1.000 obras usando objetos do cotidiano que comprava ou trocava e sobras de materiais descartadas pelo próprio hospital onde estava internado, tais como pentes, botões, toalhas, roupas e ferramentas. Além disso, executou inúmeros bordados com material de uniformes e lençóis que desfiava. Bispo do Rosário foi descoberto em 1980 por Samuel Wainer Filho, que mostrou sua produção em uma reportagem do 'Fantástico', da Rede Globo. Na ocasião, afirmou ter recebido a missão de fazer um "inventário do mundo", para que, quando morresse, pudesse entregá-lo reconstruído a Deus. O irônico é que Bispo do Rosário não se considerava artista. Mas mais irônico, ainda, é imaginar que muitos que se consideram não o são.

Parte do "inventário" de Bispo do Rosário - Foto: Simone Catto

Pentes, gravatas... objetos do cotidiano que Bispo do Rosário pretendia mostrar a Deus quando morresse.
Foto: Simone Catto

Arthur Bispo do Rosário - Foto: Simone Catto

Arthur Bispo do Rosário - Foto: Simone Catto

Sim, Bispo do Rosário mostrou a Deus que na Terra também havia automóveis. Coitado se tivesse vivido para ver o trânsito de São Paulo! - Foto: Simone Catto

Um trabalho que achei interessantíssimo são as Photo Notes, do holandês Hans Eijkelom (1949). Hans passou as últimas duas décadas coletando fotos de pessoas anônimas, em vários países do mundo, que mostrassem o mesmo padrão visual no vestuário. O resultado foram dezenas de séries que ocupam uma parede inteira da Bienal. Há as séries de homens de camisas xadrezes, de senhoras com estampas de oncinha, crianças com casacos coloridos e por aí vai.

As séries de Hans Heijkelom: praticamente um estudo antropológico! - Foto: Simone Catto

Aqui predominavam os homens de camisa xadrez.
Foto: Simone Catto

E aqui, senhoras de casaco branco! - Foto: Simone Catto

Segundo relatou a Profª Dra. Silvia Meira, historiadora de arte da USP que nos acompanhou em uma das visitas e havia presenciado o artista em ação na Rua Oscar Freire, em São Paulo, sua tática para tirar as fotos é muito engraçada. Ele fica horas parado discretamente num lugar, com sua câmera, e tão logo avista um pedestre com um padrão de indumentária que lhe interesse, tira a foto disfarçadamente. Assim que vê outro pedestre vestido no mesmo padrão, faz outra foto, e assim por diante. As pessoas, naturalmente, não sabem que estão sendo fotografadas. O resultado é quase um "estudo antropológico" visual no qual o artista tenta nos mostrar como a globalização está massificando e manipulando os gostos de todos em qualquer lugar do mundo. Está aí a indumentária para comprovar!

Os Rolling Stones agradam aos "tios"! rs - Foto: Simone Catto

Em frente aos trabalhos de Hans está outra enorme coletânea de séries de fotos, agora em preto e branco, realizadas com princípio semelhante. Trata-se da mais importante obra do alemão August Sander (1876-1964), denominada People of the 20th Century. Sander fotografou indivíduos de diversas esferas sociais, desde camponeses até capitalistas, criando um catálogo tipológico do povo alemão com mais de seiscentas imagens. Lá vemos séries de artistas circenses, de mulheres, casais burgueses, velhos camponeses etc. Algumas fotos são realmente impressionantes, sobretudo ao notarmos a mesma expressão no olhar de pessoas com funções ou posições sociais semelhantes. É inquietante imaginar que, provavelmente, a grande maioria daquelas pessoas capturadas num instante pela lente do fotógrafo já se foi. Sem dúvida, um belo trabalho.

O apanhado de tipos alemães de August Sander: impressionante! - Foto: Richard Vannucci 

Uma obra que achei perturbadora é Urine Reading, do venezuelano Eduardo Gil (1973). O artista fez uma instalação de colchões usados, recolhidos de orfanatos da cidade de São Paulo, e chamou videntes para "ler" as histórias das crianças que dormiam neles. As previsões foram gravadas em áudio e podemos ouvi-las, ao aproximarmos nossos ouvidos de cada colchão. Gostaria de saber quem são esses videntes e se essas pessoas realmente tiveram o poder de captar o que se passava nas mentes e corações das pobres crianças. De qualquer modo, é triste nos deparar-nos com aqueles colchões que, com ou sem vozes, carregam histórias de abandono.

Eduardo Gil e os colchões das criancinhas em sua instalação: tão triste quanto perturbador - Foto: Simone Catto

A instalação de Eduardo Gil - Foto: Simone Catto

Outra obra que me deteve um pouco foi O Teste do Homem sob a Chuva, de Martín Legón (1978, Buenos Aires). Consta que esse teste realmente existe e costuma ser aplicado a candidatos a vagas de trabalho, que devem desenhar pessoas sob a chuva e têm características de sua personalidade reveladas por meio da análise dos traços por psicólogos. Centenas de desenhos de candidatos foram expostos na Bienal e analisados por três profissionais: um psiquiatra, um curador de arte contemporânea e um profissional de RH. É interessante analisar as diferenças entre um desenho e outro, mas... novamente, faço a pergunta: seria isso arte?

Um dos desenhos da instalação 'Teste de Homem sob a Chuva', de Martín Legón.
Foto: Simone Catto
 

Dê um pulo na Bienal e tire suas próprias conclusões!

Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera – Portão 3 – Av. Pedro Álvares Cabral,  s/n. Terças, quintas, sábados, domingos e feriados: das 9h às 19h (entrada até as 18h). Quartas e sextas-feiras: das 9h às 22h (entrada até as 21h). Há estacionamento no parque com Zona Azul (cada folha vale por duas horas). Mais informações: www.bienal.org.br

domingo, 14 de outubro de 2012

Bar do Juarez. O clássico que faz bonito também em Pinheiros.

Já faz tempo que o Bar do Juarez é sinônimo de boteco bom aqui em Sampa. A unidade de Moema, pioneira, conheci anos atrás. Inaugurada no finzinho da década de 90, é um lugar onde sempre gostei de ir para tomar uma caipirinha e saborear uma deliciosa picanha na chapa. Por ser bem arejado e ter mesinhas na calçada, esse Juarez é mais gostoso nos dias de calor. Depois vieram os "filhotes": as filiais Itaim, na Av. Pres. Juscelino Kubitschek, bem maior e mais sofisticada, e na sequência as unidades do Brooklin (essa não conheço) e a de Pinheiros, que acabo de visitar. Das três casas que conheci, a de Moema é a menor e, em minha opinião, a mais descontraída.

Achei a ambientação do Juarez Pinheiros bem parecida com a do Itaim: o piso, aliás, é o mesmo das outras casas, e o décor também segue o mesmo padrão, com uma profusão de janelas e portas envidraçadas e muita madeira. O bar é bem arejado e o clima agradável e informal.

A vista de nossa mesa - Foto: Simone Catto 

Foto: Simone Catto

O deck externo, bem grande, é um convite para os dias e noites mais quentes.

Foto: Simone Catto

O balcão de petiscos do Juarez foi eleito o melhor, por voto popular, pela Veja São Paulo Comer & Beber 2012.

Foto: www.bardojuarez.com.br

Na noite de minha visita resolvi experimentar a caipirinha de caju com Salinas e acertei em cheio: estava realmente deliciosa e bem preparada, com cachaça na medida certa. A caipirinha vem com generosos pedaços de caju e também uma colherinha para que possamos comer a fruta depois - uma delicadeza para com os clientes. 

Detalhe importante: o garçom serve a cachaça na mesa, para que o cliente veja que realmente está sendo servida a cachaça solicitada. Um cuidado de quem sabe das coisas!

A caipirinha de caju com Salinas, preparada no capricho.
Foto: Simone Catto

E como sempre tenho o hábito de comer algo (além de beber água) ao ingerir bebida alcoólica, resolvi dividir com minha amiga uma porção de Bolinhos de Carne Seca com Mandioca enquanto o resto do pessoal não chegava. Estavam supercrocantes, adorei!

Bolinhos de Carne Seca com Mandioca (8 unidades, R$ 23): deliciosos! - Foto: Simone Catto 

Minha amiga também pediu um Caldo de Feijão e resolvi imitá-la. Além de ser um dos meus favoritos, uma dose extra de ferro no sangue nunca é demais para mim! Acompanhado de salsinha e cubinhos de torresmo, o caldo estava muito bom.

O saboroso Caldinho de Feijão (R$ 14) - Foto: Simone Catto

E para arrematar, seguindo sugestões da mesma amiga que resolveu me desvirtuar... rs... experimentei uma dose da cachaça Busca Vida, fabricada em Bragança Paulista, que leva limão, açúcar e um toque de mel. Por apresentar baixo teor alcoólico (17,5%), é perfeita para as mulheres, que não precisam mais torcer o nariz diante de uma "branquinha". A Busca Vida, aliás, tem coloração amarelada e é uma delícia! Se a gente não tomar cuidado, toma umas três ou quatro doses brincando! rs. 

Em suma: quem vai ao BAR DO JUAREZ nunca erra, seja em Pinheiros ou onde for. É a certeza de encontrar um ambiente agradável, ser bem atendido, saborear boas bebidas e provar quitutes deliciosos. O JUAREZ PINHEIROS fica na Rua Deputado Lacerda Franco, 642. Tel.: 3578-7228. www.bardojuarez.com.br.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um passeio pelos jardins de Monet com Renato Brolezzi.

Sábado passado assisti, no MASP, a mais uma aula de História da Arte do Prof. Renato Brolezzi, da Unicamp. Mais uma vez o Grande Auditório ficou lotado e quase não consegui lugar para sentar. Não é para menos. As aulas do Prof. Brolezzi são um verdadeiro show, tamanha sua erudição, seu senso de humor e sua capacidade de transmitir conhecimento de uma forma absolutamente envolvente.

A cada aula, uma obra do acervo do MASP é analisada e relacionada com outras obras do mesmo artista e também de outros mestres. A obra abordada na última aula foi 'Canoa sobre o Epte' (c. 1890), de Claude Monet (1840-1926) – possivelmente, ao lado de Renoir, um dos pintores impressionistas mais amados do mundo.

C. Monet - "Canoa sobre o Epte" (c. 1890) - MASP

Monet pintou essa tela quando já estava instalado em sua belíssima propriedade em Giverny, cercado do exuberante jardim que criou como se fosse uma obra de arte. Mas quem são as moças que passeiam de barco nesse cenário idílico? Para chegarmos a essa resposta, precisamos voltar um pouco no tempo.

Tudo começou com um homem chamado Ernest Hoschedé, negociante de telas apaixonado por pintura e casado com Alice, filha de um rico fundidor belga. Espécie de mecenas dos impressionistas, Hoschedé começou a adquirir telas de Monet na década de 1870 e inclusive comprou a obra que batizou o movimento impressionista: 'Impréssion, soleil levant' (1872), exposta em 1874 na primeira exposição impressionista e achincalhada pelos críticos de então.

C. Monet - "Impréssion, Soleil Levant" (1872) - Musée Marmottan Claude Monet

Pouco depois, em 1876, Hoschedé encomendou a Monet quatro painéis para seu castelo de Rottenbourg, em Montgeron, um município perto de Paris. O pintor instalou-se no local e também fez vários retratos da família de seu anfitrião, além de paisagens da região. Sua esposa Camille havia ficado em Argenteuil e na ocasião Monet teve um envolvimento amoroso com Alice Hoschedé, retornando a Paris no início de 1877.

Já em Paris, o artista iniciou a série de telas da Estação Sainte-Lazare (1876-7), cujo motivo principal é a locomotiva, símbolo da Revolução Industrial. Na terceira exposição impressionista, em 1877, Monet expôs oito dessas telas. A essa época, ainda passava por dificuldades financeiras e era frequentemente socorrido por amigos, entre os quais Édouard Manet. Foi nessa época, também, que nasceu seu segundo filho, Michel. O primeiro, Jean, havia nascido em 1867, quando Monet e Camille ainda não eram casados. Na ocasião, devido às condições sociais, o artista escondeu a existência desse filho e vivia atormentado por isso.

C. Monet - "A Estação Sainte-Lazare" (1877)  - Musée d'Orsay

Em 1878, Ernest Hoschedé estava arruinado economicamente e Monet acolheu, então, toda a família do amigo em sua residência em Vétheuil, um subúrbio próximo a Paris, para onde se mudaram o casal Hoschedé e seus seis filhos: dois meninos e quatro meninas. Imagino que Monet deva ter sido uma pessoa generosa por acolher família tão grande estando ele próprio em dificuldades financeiras, mas é fácil compreender esse gesto se lembrarmos que Hoschedé, além de comprador de suas obras, sempre foi um grande amigo e incentivador. Em 1879, Monet sofreu um doloroso baque: sua esposa Camille morreu tuberculosa, deixando-o em profunda depressão. Ernest Hoschedé foi para a Bélgica a fim de fugir dos credores e, em 1891, também morreria de um colapso nervoso.

Desde jovem Monet havia levado uma vida errante, morando em várias cidades e passando temporadas em diversos lugarejos, a fim de capturar diferentes paisagens para imortalizá-las em suas telas. "Sigo a natureza sem poder captá-la", disse certa vez. Essa ânsia de "aprisionar" as variações da natureza em sua obra era, não raro, fonte de grande angústia para o artista, que nunca se considerava satisfeito.

Em 1883, Monet muda-se para Giverny com seus dois filhos, Alice Hoschedé e os filhos desta. Essa nova mudança, porém, não o impede de viajar para outros locais para pintar suas paisagens. A essa altura, já era um pintor conhecido e tinha uma legião de seguidores.

Em 1890, Monet finalmente conseguiu comprar a casa que habitava em Giverny, lá construindo seu novo ateliê e o jardim de seus sonhos. O marchand e colecionador japonês Hayashi, com quem o pintor trocava quadros por estampas, o presenteou com espécies de plantas raras de seu país. Monet escolhia pessoalmente as flores e as arranjava em seu jardim de modo a criar um belo efeito de harmonia cromática. Um lugar maravilhoso que tive o privilégio de conhecer em uma de minhas viagens à França. Sua casa também era encantadora, com fachada rosa e esquadrias verdes nas janelas. Lembro-me particularmente da enorme sala de almoço amarela, onde ele, Alice e toda a criançada deviam se reunir alegremente em torno da mesa.

A encantadora casa de Monet em Giverny: uma de minhas mais belas memórias da França! - Foto: acervo pessoal

A alegre sala de almoço - Foto: Ariane Cauderlier

Voltando à obra tema da aula, relembramos que foi nesse mesmo ano, 1890, que Monet pintou 'Canoa sobre o Epte'. A tela mostra duas das meninas Hoschedé, Blanche (1865-1947) e Suzanne (1868-1899), remando no Rio Epte, em Giverny. As meninas não estão centralizadas no quadro, e esse deslocamento de foco, inspirado nos enquadramentos das estampas japonesas e da fotografia, que havia sido patenteada poucos mais de 50 anos antes, foi uma das inovações das pinturas impressionistas. 

Em 1891, Monet pintou outros quadros com as meninas Hoschedé e, em 1892, pintou 'Blanche pintando Suzanne'. Sim, a jovem Suzanne também tinha certo talento para a pintura e ainda teve o privilégio de aperfeiçoá-lo com ninguém mais, ninguém menos que... Claude Monet!

C. Monet - "En norvégienne: cena representando Germaine, Suzanne e Blanche Hoschedé" (1887)

C. Monet - "No bosque de Giverny - Blanche Hoschedé Monet pintando Suzanne Hoschedé lendo" 

Na pintura 'Mulher com sombrinha olhando para a esquerda', quem posou foi Suzanne Hochedé. Em 1892, Monet finalmente oficializou sua união com a mãe das meninas.

C. Monet - "Mulher com sombrinha olhando para a esquerda" (1886)
Musée d'Orsay

A partir de 1890, o artista passou a dedicar ainda mais tempo à jardinagem – em especial a seu "jardim aquático", para cuja construção foi necessário desviar um braço do Rio Epte. Entusiasmado pelas ninfeias (nenúfares), decidiu, então, construir sobre o lago uma "ponte japonesa", inspirado pelas ilustrações de Hokusai. Monet pintou mais de 86 versões da ponte japonesa em Giverny.

Um pedaço da ponte japonesa em meio ao exuberante jardim de Giverny... paisagem de sonho! - Foto: acervo pessoal

C. Monet - "O Lago das Ninfeias" (1899) - Musée d'Orsay

C. Monet - "O jardim do artista em Giverny" (1900) - Musée d'Orsay

A década de 90 também foi caracterizada pela pintura de séries, nas quais o artista retratava as mesmas paisagens ou motivos sob diferentes ângulos, luzes, dias e horários, outra prática dos artistas japoneses que admirava, como Hokusai e Hiroshige. É dessa época as séries dos montes de feno e dos álamos, bem como das catedrais de Rouen. Em 1893, Monet alugou um quarto com vista para essa catedral e produziu 28 telas a partir de três ângulos de visão.

C. Monet - "A catedral de Rouen. O portal e a torre Saint-Romain,
sol a pino "
(1893) - Musée d'Orsay

C. Monet - "A catedral de Rouen. O portal, tempo nublado" (1892)
Musée d'Orsay 

Na aula, o Prof. Brolezzi também relacionou algumas obras de Monet que sofreram nítida influência de Manet, com seus contrastes de preto e branco. Mas isso é assunto para outro post! 

Programe-se: a próxima aula do Prof. Renato Brolezzi no MASP será dia 10/11 e ele abordará Toulouse-Lautrec. Consulte o calendário de aulas em http://masp.art.br/masp2010/servicoeducativo_curso_introdutorio_2012.php

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Fran's Café Haddock Lobo. Agora com visual e serviço à altura da Paulista.

Tenho muitas lembranças do Fran's Café. Algumas boas, outras nem tanto. Entre as boas, incluem-se muitos cafés que compartilhei com gente querida e também com alguns diretores de arte, na loja da Rua Haddock Lobo, quando trabalhava em uma agência na Av. Paulista. Sempre que o ambiente ficava insuportavelmente barulhento e o clima pesava, não dava outra: descíamos para o Fran's, pedíamos um cappuccino e criávamos a campanha, felizes da vida. Incrível como esse "refresco de cafeína" turbinava a criação!

Outras vezes, quando o relógio dava umas seis horas, eu enviava um e-mail para uma amiga – sempre a mesma, também redatora - e a convidava para um café no Fran's. Virou um ritual nosso. Discretamente descíamos, virávamos a esquina, pedíamos nossos cafés e comíamos um pão de queijo cada uma. Ao voltarmos, quinze minutos depois, estávamos devidamente energizadas para enfrentarmos os próximos sessenta ou noventa minutos de trabalho que ainda nos restavam antes de irmos embora pra casa. Mas já nessa época, o Fran's Café – pelo menos o da Rua Haddock Lobo - estava meio decadente. O atendimento era ruim, as instalações estavam velhas, enfim, o lugar havia perdido o charme dos primeiros tempos. Mesmo assim, talvez por falta de opção, as pessoas sempre iam lá e à noite o local virava um ponto gay para a rapaziada que marcava encontros ou fazia um "esquenta" para a balada.

Até que a concorrência aumentou e o pessoal do Fran's acordou. A loja da Haddock Lobo foi reformada e, em minhas recentes visitas, encontrei um espaço moderno e fartamente iluminado, com pé direito alto, instalações confortáveis e bom atendimento. E o melhor: continua aberto 24h. Aliás, eu diria que boa parte do charme do lugar deve-se ao fato de acolher os paulistanos (e forasteiros também!) a qualquer hora do dia ou da noite.

Adoro lugares que abrem 24h! - Foto: Simone Catto

A foto não saiu lá essas coisas, mas publiquei mesmo assim para que as pessoas tenham uma ideia do lugar. 
As mesas externas são ótimas para o verão que vem aí! - Foto: Simone Catto 

A vista de nossa mesa, no cantinho... - Foto: Simone Catto

A vista lá de cima, do mezanino... - Foto: Simone Catto

O mezanino é perfeito para quem busca mais privacidade - Foto: Simone Catto

Na última vez em que lá estive, no final de tarde de um domingo, estava com vontade de algo doce. Optei pelo delicioso Café Caribe (R$ 9,90), que leva expresso, conhaque, sorvete de creme, chantilly e farofa doce. Escolha acertadíssima!!

Café Caribe, simplesmente dos deuses!
Foto: Simone Catto

Minha amiga pediu um expresso (R$ 3,80) com uma porção de Minichurros (R$ 5,90), que vêm em número de três e acompanhados de um potinho com doce de leite para a pessoa mergulhá-los enquanto come. Como meu café especial era enorme, eu não experimentei o doce, mas ouvi que os churros estavam crocantes e o recheio gostoso.

Na próxima vez vou experimentar os Minichurros, que parecem muito bons - Foto: Simone Catto

Em suma: se você gosta de saborear um bom café em ambiente "descolex", pode ir ao Fran's da Haddock Lobo que agora não tem erro. Sem falar, é claro, que circular pela região da Paulista é tudo de bom!

Vai lá: FRAN'S CAFÉ HADDOCK LOBO – R. Haddock Lobo, 586 (quase esquina com a Av. Paulista). Tel.: 3083-1019 – www.franscafe.com.br.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Restaurante The Garden. Um oriental que é a cara do verão.

Da rua dá para avistar o grande deck elevado com mesinhas e ombrelones. O visual atraente já chama atenção. O The Garden, localizado na Vila Mariana, é um restaurante japonês que lembra um bar de praia. Inaugurado no final de 2010, está instalado num espaço de mil metros quadrados numa bela avenida próxima ao parque da Aclimação. A casa é bonita e agradável. O tipo de lugar no qual você pode fazer uma happy hour com os amigos, saborear um jantar romântico ou compartilhar momentos com a família. Tudo na santa paz, dadas a amplidão do espaço, a variedade de ambientes e a riqueza de opções do menu. Lá você pode simplesmente bebericar um drink acompanhado de um petisco oriental, fazer uma refeição à la carte ou então desfrutar do bem servido rodízio.

A bela vista a partir da rua - Foto: www.thegarden.com.br 
  
O local é bem amplo, arejado, repleto de verde, árvores frutíferas e muita madeira. Até um lago de carpas há por ali. Vários ambientes, incluindo o deck ao ar livre, contribuem para criar uma atmosfera ao mesmo tempo rústica e romântica – o toque de romantismo é acentuado pela iluminação de velas nas mesas.

A atmosfera é bem acolhedora - Foto: www.thegarden.com.br

O bar do piso inferior - Foto: Simone Catto

Ao fundo, o bar do piso superior - Foto: Simone Catto

Outro ângulo do deck superior - Foto: Simone Catto

O ambiente fechado é uma opção para os dias frios, mas não tem o mesmo charme do deck... - Foto: Simone Catto

As entradinhas e petiscos, de sabores orientais, são bastante variados. Incluem desde delícias como o Harumaki Especial (enroladinhos de massa crocante com camarão, cream cheese e alho-poró) e o Curry Shinjo (trouxinhas de massa crocante com frango, gengibre e alho-poró ao molho curry), até o magnífico Ebi Garden (camarões empanados com molho teriyaki e laranja), cuja apresentação lembra uma estrela do mar. Essa foi uma das entradas pedidas na primeira vez em que estive no The Garden.

O Ebi Garden (R$ 33) - crocante e delícioso! - Foto: Simone Catto

Outro pedido foi o Roast Salmon (sashimi de salmão semigrelhado ao molho teriyaki, gergelim e couve), que estava levíssimo! O salmão até desmanchava na boca de tão tenro.

O delicado Roast Salmon (R$ 18,90) - Foto: Simone Catto

O Hot Roll Philadelphia, um best-seller dos restaurantes japoneses de Sampa, foi solicitado na sequência e também estava muito bom.

Hot Philadelphia (R$ 20,90), um hit paulistano que justifica a fama! - Foto: Simone Catto

Além da ampla gama de sushis, a casa ainda oferece temakis e robatas (espetinhos orientais), entre outros quitutes orientais.  

Após saborearmos os deliciosos petiscos, pedimos um Combinado de Sushis e Sashimis para duas pessoas, composto por 12 sashimis variados, 8 nigirizushis (8 duplas de sushis), 4 makis e 2 especiais da casa. Esses "especiais" incluem criações brasileiras como o Honey Brie (enrolado de salmão e queijo Brie coberto com geleia de damasco e mel) e o Natural (atum, alho-poró e shiitake enrolados na acelga).

Combinado para duas pessoas (R$ 85) - Foto: Simone Catto

Os drinks também são diversificados e bem elaborados. Há desde saquês nacionais e importados, chopes e cervejas nacionais e importadas, passando pelos drinks tradicionais, caipirinhas e "saquerinhas". Vale destacar os coquetéis especiais criados para a casa, como o Sunrise (leva suco de cranberry, suco de laranja, vodca e gelo triturado) e o divertido Ice-Tangerina, que leva saquê, suco de limão, hortelã e um picolé de tangerina mergulhado no copo. Uma amiga pediu e gostou muito.

O Ice-Tangerina de minha amiga: visual interessante e, ao que tudo indica, sabor agradável - Foto: Simone Catto 

Desta vez fui mais conservadora: preferi uma caipirinha de frutas vermelhas com cachaça Seleta.

A caipirinha estava bem feita e na medida: nem forte, nem fraca - Foto: Simone Catto

O rodízio custa R$ 58,00 por pessoa, mas até o mês de outubro as mulheres têm uma "colher de chá" às terças-feiras e domingos após as 17h: o rodízio para elas sai por R$ 35, incluindo um sorvete de sobremesa. Eis uma iniciativa simpática que já aproveitei num retorno à casa!

A quantidade e qualidade dos itens servidos no rodízio também é excelente. Tudo bem que, assim como ocorre em outros restaurantes orientais de Sampa, os pratos possam ter sido adaptados ao paladar nacional e não ser os autênticos saboreados em países como o Japão, mas nem por deixam de ser gostosos. Dê uma olhada  no combinado de sushis e sashimis:

O Combinado do rodízio... nham! - Foto: Simone Catto
  
Diante de tudo isso, nem preciso dizer que recomendo o The Garden não só para os moradores da região, mas também para todo mundo que goste de saborear quitutes orientais num clima gostoso e descontraído. 

O THE GARDEN fica na Av. Eng. Luís Gomes Cardim Sangirardi, 20 – Vila Mariana. Tel.: 5082-2520 - www.thegarden.com.br. Abre de terça a quinta-feira das 18h às 23h, sextas das 18h às 24h, sábado das 12h às 24h e domingo das 12h às 22h.