domingo, 28 de junho de 2015

Um 'cadinho' de Gonçalves para você!

A cada visita que faço a Gonçalves-MG, descubro uma novidade. Para quem não conhece, Gonçalves é um tiquinho de cidade encravada na Serra da Mantiqueira, assim que a gente atravessa a fronteira entre São Paulo e Minas. Apaixonei-me por ela anos atrás, logo que a visitei pela primeira vez, e felizmente tenho tido a oportunidade de revisitá-la muitas vezes. Mas o melhor é que a cada visita faço novos amigos e encontro uma surpresa mais agradável que a outra!

Cinquenta tons de verde! - Foto: Simone Catto

As belas e onipresentes araucárias, típicas da paisagem da região - Foto: Simone Catto

Uma de minhas últimas experiências na cidade foi com a trilha da Pedra Chanfrada, uma formação rochosa de quase 100 metros de altura e uma altitude de 1.650 metros no bairro da Terra Fria, a cerca de 10 km do centro. O caminho que leva até o topo é estreitinho, porém apresenta pouca dificuldade. Levamos apenas 45 minutos para subir, mas, quando faltavam só uns 20 metros para atingirmos o pico, baixou uma neblina tão densa, de repente, que não conseguimos enxergar um palmo adiante de nossos narizes. Apreciar a vista lá do alto, nem pensar! Moral da história: preciso voltar! (rs)

A Pedra Chanfrada e seu inconfundível "topetinho" de árvores - Foto: Simone Catto

Alerta aos desavisados! - Foto: Simone Catto

A trilha, bem no comecinho - Foto: Simone Catto

Ao descermos, fomos avisando o pessoal que subia sobre a impossibilidade de se enxergar o que quer que fosse lá de cima. Como a maioria das pessoas estava subindo apenas para apreciar a vista, elas acabaram desistindo e voltando junto com a gente, o que rendeu altos papos (rs). Havia pessoas de São Paulo, do litoral, de outras cidades do interior de Minas... foi uma ótima troca de experiências!

Uma dica: se você for à Pedra Chanfrada, aproveite para almoçar no restaurante Ao Pé da Pedra, que fica bem ao lado e serve uma comida mineira das melhores: farta, deliciosa e com ótimo custo! 

Dá para sentir a atmosfera mágica do lugar! - Foto: Simone Catto

Essa casa de pau a pique no bairro dos Venâncios é das mais antigas de Gonçalves, dizem que tem 150 anos.
Foto: Simone Catto

Aqui os espíritos da natureza se manifestaram... para meu deleite! - Foto: Simone Catto

Depois de um dia todo caminhando e explorando a deslumbrante paisagem "mantiqueirense", nada como uma caipirinha para relaxar! E à noite lá fomos nós ao bar Janelas com Tramela. Sim, Gonçalves é pequenina, porém tem uns bares bem simpáticos! O Janelas está instalado numa casa em estilo caipira e é extremamente agradável. Possui um terraço externo, para quando o frio não está judiando muito, e um salão interno, mais quentinho apesar dos amplos janelões. O ambiente com bastante madeira ajuda a criar um clima de aconchego, sensação reforçada pelo atendimento atencioso e extremamente gentil da equipe.

A fachada do bar já é convidativa! - Foto: Divulgação

O salão interno - à direita, onde está a cortina vermelha, é um palquinho para shows - Foto: Divulgação

E para melhorar ainda mais o astral, naquela noite uma excelente dupla de voz e violão nos premiou com um repertório de primeiríssima, com blues e MPB de excelente qualidade: Ariella e João. Ela tem uma voz bonita e poderosa e ele a acompanhou lindamente.

Dá para ver a dupla Ariella e João, apesar da péssima qualidade da foto! (rs) - Foto: Simone Catto

Assisti ao show degustando minha tradicional caipirinha de limão e, para acompanhar, pedimos uma porção de mandioca com carne seca e queijo derretido. Deliciosa e generosíssima, ficou na memória! Vale acrescentar que o couvert artístico custou apenas R$ 10,00 e os preços do bar são muito justos. 

A caipirinha foi preparada exatamente do jeito que pedi: com limão, açúcar e pouca cachaça. Estava perfeita!
Foto: Simone Catto

O escondidinho de mandioca com carne seca e queijo derretido: delicioso petisco que vale por uma refeição!
Foto: Simone Catto

Teve gente que preferiu uma cerveja artesanal: esta é brasileira, feita de trigo e leva
guaraná natural na receita - Foto: Simone Catto

Se você for a Gonçalves, não deixe de conhecer o JANELAS COM TRAMELA! Fica na Rua Coronel João Vieira, 65 – Centro - Gonçalves – tel.: (35) 3654-1259 – www.janelascomtramela.com.br.

Foto: Simone Catto

Tudo bem que no blog prefiro relatar as coisas boas, mas também gosto de alertar as pessoas para aquilo que experimentei e não gostei. E em se tratando de Gonçalves, a única experiência insatisfatória que tive em minhas últimas visitas foi com relação a uma hospedagem na Pousada do Rio, que eu não conhecia. Tudo bem que o lugar é bonito e os chalés, apesar de simples, são OK, condizentes com o custo-benefício. Porém, o serviço deixa um tanto a desejar. Uma noite, por exemplo, precisamos de uma toalha extra, mas não encontramos nenhum funcionário para nos atender e a recepção simplesmente estava vazia, trancada, e não havia ninguém para atender o telefone. Algo inadmissível em qualquer estabelecimento que se proponha a receber hóspedes! E se nosso chuveiro tivesse queimado ou algo mais grave tivesse acontecido, como um mal-estar súbito, por exemplo? A quem iríamos recorrer? Em outro dia, no final da tarde, chegamos de um passeio e... vimos um funcionário saindo de nosso chalé. Detalhe: eram seis da tarde, o chalé já estava limpo há muito e não havia roupa de cama para trocar. Quando nos viu, ele afirmou ter entrado para acender as luzes, pois supostamente teria visto que estávamos chegando. Mesmo assim, estranhamos - confesso que achamos a atitude uma invasão de privacidade. Um pouco de treinamento por parte da proprietária, que sabemos chamar-se Silvana, não faria mal. Aliás, desconfio que a própria proprietária esteja precisando de um treinamento para aprimorar os serviços da pousada e corrigir detalhes que custam pouco, mas que fariam uma diferença enorme na qualidade. Um exemplo: no café da manhã era servido apenas UM tipo de queijo, em pleno Estado de Minas Gerais! E não havia NENHUM presunto ou uma única variedade de frios para contar a história. Achei mesquinho. O ponto positivo ficou por conta das porções de panquequinhas e de pães de queijo quentinhos, servidas na mesa também no café da manhã. Porém, seria preciso muito mais para garantir a satisfação de um hóspede. No cômputo geral, não pretendo me hospedar na Pousada do Rio novamente e nem recomendo a ninguém. Prefira a Pousada Bicho do Mato ou o Solar d’Araucária, que certamente você não irá se decepcionar!

Quer saber mais sobre Gonçalves? O PENEIRA CULTURAL tem vários posts sobre essa cidadezinha encantadora. Veja dicas de passeios aqui, aqui e aqui, dicas de restaurantes aqui e aqui, e de pousadas aqui. Boa viagem!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Canaille Bar. Vinho e aconchego com sotaque francês.

Descobri o Canaille Bar por acaso, no Facebook, em um post do Consulado Francês que divulgava um show de voz e violão no local com uma cantora que, presumidamente, interpretaria um repertório francês.

A foto divulgada na ocasião mostrava um lugar intimista, pequenino, aconchegante. Convidei algumas pessoas queridas para conhecer. Inaugurado sem alarde havia apenas um mês, o bar pareceu-me um daqueles locais que seriam divulgados mais na base do boca a boca do que do "auê" na imprensa, o que achei ótimo. Assim não corre o risco, guardadas as devidas proporções, de se transformar em um "Paris 6", uma casa que já apreciei muito em seus primeiros tempos e que hoje se popularizou de tal forma, apesar dos preços, que a fila de espera tornou um simples jantar inviável a qualquer dia da semana. Para ser sincera, fujo de lugares que viram moda e tornam-se demasiadamente comerciais!

Foto: Simone Catto

Minha primeira experiência no Canaille foi um jantar em um sábado, no meio de um feriadão em que São Paulo estava deliciosamente vazia. Como chegamos cedo, ainda conseguimos bater um papo com o garçom e soubemos que os sócios são franceses e brasileiros, dentre eles a sommelière Marina Bertolucci, ex-Girarrosto.

Ao olharmos de fora, a casa parece menor do que é, pois não é muito larga. Há um terraço muito gostoso na frente, com poucas mesas, e foi lá que ficamos naquela noite porque o clima estava uma delícia. Depois, há um salão um pouco maior. E à medida que vamos entrando, chegamos a um gostoso deck arborizado nos fundos, perfeito para dias e noites de verão.

O terraço, visualizado de fora para dentro - Foto: Simone Catto

O salão interno, depois do terraço - Foto: Simone Catto

E lá no fundo, o deck! - Foto: Simone Catto

Começamos a noite pedindo um Châteu La Croix St Benoit, um Bordeaux Superior de corte clássico: cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc. Agradou muito!

Tim-Tim! - Foto: Simone Catto

Depois experimentamos uma sequência de saborosos petiscos. Tudo bem que a maioria deles, por sua natureza, pedia um vinho branco para acompanhar, mas o tinto não atrapalhou, em absoluto, nosso padadar. Estreamos com a Croqueta cremosa de queijo Brie, que estava muito boa e tinha ótima consistência.

Croqueta cremosa de queijo Brie (R$ 18) - Foto: Mário Rodrigues

Depois pedimos o levíssimo Vol-au-vent de cogumelos, uma verdadeira iguaria que recomendo a todos que forem lá!

Vol-au-vent de cogumelos (R$ 18) - Foto: Mário Rodrigues

E quando mais uma amiga juntou-se a nós, fizemos outro pedido para embalar o papo: o Risoto de cogumelos de cogumelos na xícara, um prato pequenino e delicado que, sim, é servido numa xícara, mesmo! Mas para quem estiver com mais fome, há a opção de pedir o risoto no prato, em uma porção maior.

Risoto de cogumelos na xícara (R$ 15) / no prato (R$ 25)

Apesar de se autodenominar "bar", a casa também serve alguns pratos para aqueles que desejarem uma refeição mais substanciosa. Seja como for, é o tipo de lugar para você ir se deseja conversar tranquilamente e ficar numa boa, degustando seu vinho e saboreando comidinhas.

Conheça o CANAILLE: Rua Cristiano Viana, 390 - Cerqueira César. Tel.: (11) 3898-3102. Siga: www.facebook.com/bar.canaille

quinta-feira, 16 de abril de 2015

'Mapas para as Estrelas'. Um retrato cru e bizarro da miséria moral de Hollywood.

Pense em um filme que só tenha gente pervertida, ou louca, ou má, ou tudo isso junto. Esse filme existe, chama-se 'Mapa para as estrelas' e é dirigido por David Cronenberg, canadense mais conhecido pelas esquisitices e pela estética um tanto bizarra de sua obra do que pela genialidade. Confesso que, quando li a sinopse e vi que a direção era dele, fiquei até com receio de assistir, mas o enredo pareceu-me interessante e o elenco conta com a grande Julianne Moore.

E é justamente uma atriz que ela interpreta em 'Mapa para as Estrelas'. Moore dá vida a 'Havana Segrand', uma artista decadente de Hollywood obcecada em obter um papel que havia sido interpretado por sua mãe quando jovem. A mãe, morta num incêndio, era uma estrela de sucesso que teria abusado sexualmente da filha e a traumatizou de maneira indelével. Havana tem visões em que a jovem e linda mãe volta para espezinhá-la e tenta curar seu trauma com umas sessões um tanto exóticas de psicoterapia com o Dr. Stafford Weiss, um psiquiatra famoso, rico e ambicioso que tem programa na TV e dois filhos que podem ser tudo, menos mentalmente normais.

A estrela cadente Havana Segrand (Julianne Moore) em sua mansão.

A atriz em uma sessão com o Dr. Weiss, um psiquiatra "pop star" 
e pai desalmado (John Cusack).

Um dos filhos do psiquiatra é Benjie Weiss, um astro mirim mimado, arrogante, frio e amoral que já passou temporadas em clínicas de reabilitação pelo uso de drogas, trata os fãs com desprezo e age como um sociopata. Pergunto-me em qual astro infantil – ou astros – o diretor se baseou para criar tal caracterização. Será um Justin Bieber da vida? Ou um Macaulay Culkin que, após alcançar o sucesso nos anos 90, cresceu e hoje amarga o mais absoluto ostracismo? Sim, porque ficamos com a nítida impressão de que o personagem foi baseado em crianças reais do meio artístico.

Benjie Weiss (Evan Bird), o astro mirim que virou aberração social.

Benjie tem uma irmã de dezoito anos, Agatha, que volta a Hollywood após anos internada em uma instituição psiquiátrica por ter ateado fogo na casa onde morava com os pais, supostamente para matar o irmão. Pois é, o tal psiquiatra tem filhinhos absolutamente "saudáveis"! (E cá entre nós, desconfio que esse tipo de situação seja mais comum do que se imagina: psicólogos e psiquiatras que negligenciam a própria cria e geram filhos infelizes e/ou francamente desajustados. Medo.) Voltando ao filme, a adolescente, cheia de cicatrizes físicas e morais, deseja reencontrar e obter o perdão dos pais que não querem vê-la nem pintada e conhece Jerome, um jovem motorista de limusine com pretensão a ator. A moça sente-se atraída pelo rapaz até que vai parar na casa de... Havana, para trabalhar como uma espécie de assistente pessoal da atriz. O que acontece depois é de arrepiar.

Agatha (Mia Wasikowska) e Havana, atriz vazia e traumatizada.

A todo momento, a opulência das residências, dos ambientes e das festas hollywoodianas contrasta de forma cortante e contundente com a miséria moral de seus personagens. Como já seria de se prever, o psiquiatra e pai das crianças, bem como sua esposa Christine, pouco se importam com o bem-estar dos filhos: desejam apenas evitar escândalos para que os produtores não deixem de contratar Benjie e os contratos milionários não rareiem. Havana, por sua vez, não tem o mínimo de seletividade e nem qualquer escrúpulo quando se trata de sexo, transando com quem aparece pela frente. Nem Jerome escapa, mesmo que ela soubesse que supostamente o moço seria namorado de Agatha, sua funcionária. Aliás, a forma como a atriz se refere à jovem após fazer sexo com o motorista é de um cinismo e insensibilidade atrozes.

A desequilibrada Agatha e Jerome (Robert Pattinson), o motorista de limusine que busca um lugar ao sol na terra dos sonhos.

Em suma, trata-se de um filme que choca pela absoluta ausência de meios-tons ou meias-palavras para mostrar um mundo idealizado no qual os astros e estrelas são, na realidade, verdadeiros buracos negros disfarçados. Para ser sincera, não gostei. Talvez não esteja preparada para tanta crueza e estranheza juntas, sei lá. Porém, a única impressão que restou foi a de choque. Se essa era a intenção do diretor, bingo. E se o estilo te agrada, vá assistir. Mas não diga que não avisei. 

Ficha técnica parcial

Direção: David Cronenberg

Elenco:
Julianne Moore (Havana Seagrand)
Robert Pattinson (Jerome Fontana)
John Cusack (Dr. Stafford Weiss)
Evan Bird (Benjie Weiss)
Mia Wasikowska (Agatha Weiss)
Olivia Williams (Christina Weiss, esposa de Stafford)

domingo, 12 de abril de 2015

Drosophyla - Madame Lili. O prazer de beber e petiscar em um palacete centenário.

Quem conheceu o Drosophyla, um bar com quase três décadas instalado em uma casa da década de 40 na rua Pedro Taques, Consolação, deve se lembrar do jeitão alternativo do lugar, com um décor apinhado de objetos exóticos e/ou inusitados.

Pois eis que, após tantos anos naquele endereço, o Drosophyla fechou para reabrir em outro local, uma casa ainda mais antiga e numa rua – digamos – ainda mais "alternativa": a Nestor Pestana, no Centro boêmio da cidade. Agora o bar, que ganhou o complemento "Madame Lili" no nome, divide a calçada com as instalações mais discretas da icônica boate Kilt, que antes reinava absoluta sobre os inferninhos da região com seu castelinho fake, um monumento kitsch do outro lado da rua, em um ponto agora transformado no canteiro de obras de um provável edifício.

Não há como negar: o local onde o Drosophyla - Madame Lili está instalado agora é, inegavelmente, um tremendo diferencial, e é grandemente responsável pelo charme do bar. Trata-se de uma belíssima mansão tombada, daquelas que infelizmente a gente quase não vê mais em São Paulo, construída em 1920 e com projeto atribuído a Abelardo Soares Caiuby. A proposta da nova casa é diferente da do bar anterior, privilegiando um clima mais intimista em detrimento dos grandes e ruidosos grupos de pessoas. Tanto é, que só são aceitas reservas para o máximo de dez pessoas. Eu, pelo menos, prefiro assim! 

Na noite em que lá estive fui a primeira de meu grupo a chegar e, enquanto aguardava as outras pessoas, bati um papo com um dos garçons e também com a simpática proprietária do bar, Lili, que se sentou à minha mesa e contou um pouco da história da casa. Perfeitamente preservada em parceria pelos proprietários do imóvel e também pela inquilina, a mansão realmente tem uma linda arquitetura.

O ambiente é superaconchegante! - Foto: Divulgação

O belo vitral na escadaria do primeiro para o segundo andar - Foto: Simone Catto

Curiosidade: o site do Drosophyla menciona uma suposta Lili Wong, chinesa amante das artes e da literatura que teria se casado com um alemão, vindo para o Brasil e habitado a mansão. Uma mística curiosa e bem-humorada que, sem dúvida, deve atrair mais clientes ao bar. Isso explica por que a casa está decorada em dois estilos: alemão, no andar inferior, e oriental, no superior. Assim que entrei, fiquei imaginando como deviam viver as pessoas que lá habitavam - sem dúvida, famílias de posses. Se não me engano, o terreno pertencia à Dona Veridiana Prado.

As paredes do salão onde fiquei, o alemão, são de madeira e o teto é todo trabalhado. Magníficas janelas e detalhes de vidro e espelho dão um charme todo especial aos diferentes ambientes que, em tempos áureos, deviam ser luxuosas salas. Além das mesinhas, há também confortáveis sofás espalhados pelo espaço, dando um clima de aconchego.

O salão em estilo alemão - ficamos na mesinha perto do bar, à esquerda - Foto: Divulgação

Detalhe do teto e de alguns detalhes de vidro e espelho - Foto: Simone Catto

Lili explicou que o friso superior próximo ao teto, que parece um papel de parede, foi, na realidade, pintado a mão. O trabalho é mesmo muito bonito. E aprendi mais uma: em imóveis tombados, os quadros devem ser pendurados com ganchos, e não com pregos, porque furos nas paredes não são permitidos.

Detalhe do teto e do friso abaixo dele, pintado a mão - Foto: Simone Catto

A proprietária do bar contou, também, ter investido em uma reforma pesada na parte elétrica e hidráulica da casa, além de outros itens importantes, para que o bar pudesse funcionar a contento e com segurança. Depois me ciceroneou por todo o espaço e me conduziu ao grande terraço, que tem uma bela vista para a Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, do outro lado da rua. Naquela noite, o andar superior, bem como o terraço, estavam fechados, mas nas noites de verão o terraço promete! Na parte de cima também há uma colorida lojinha com itens vintage e curiosos.

A vista do terraço: uma delícia! - Foto: Simone Catto

O fato é que o delicioso ambiente da casa é parte fundamental do prazer que desfrutamos no local. As comidas e bebidas do extenso cardápio, naturalmente, são um capítulo à parte. Embora a casa ofereça grande variedade de drinks exóticos e tentadores, naquela noite de quarta-feira comecei com um drink não alcoólico à base de limão chamado 'Mentirinha', porque tem todo o aspecto de um drink normal, mas não contém um pingo de álcool. Depois, à medida que fui forrando o estômago, dividi com uma amiga um cabernet sauvignon chileno, o Casa Rivas. Não é um vinho top de linha, naturalmente, mas caiu bem naquele momento. 

O drink Mentirinha: me engana que eu gosto! (rs)
Foto: Simone Catto

Foto: Simone Catto

Na hora de escolher os quitutes, pedimos uma sucessão de porções – uma mais gostosa que a outra. No princípio éramos apenas três "boquitas" esfomeadas após um longo dia de trabalho, mas no decorrer da noite chegaram mais três. Começamos pelo delicioso Francesinho Mon Amour, uh-là-là!!! Trata-se de um queijo Camembert assado inteiro ao forno com pesto de manjericão, cogumelos e lascas de alho. Acompanha pão. Ah, como é gostoso esse francês!!! 

O Francesinho Mon Amour, que despertou paixões na mesa inteira (R$ 44,50) - Foto: Simone Catto

Na sequência, pedimos os quadradinhos de tapioca com queijo coalho e geleia de pimenta, uma iguaria que tive o prazer de conhecer, em outra versão, no restaurante Mocotó e que foi preparada divinamente também no Drosophyla. É uma  perdição, quando a gente começa a comer não quer mais parar. Amo!

Os quadradinhos de tapioca, nham... (R$ 28) - Foto: Simone Catto

A próxima pedida foi a porção de bolinhos de shimeji. Até então, eu só conhecia o shimeji cozido tradicionalmente servido nos restaurantes japoneses. Bolinhos desse cogumelo foi a primeira vez que experimentei. E gostei!

Os bolinhos de shimeji também estavam bons! - Foto: Simone Catto

E como naquela noite estávamos insaciáveis, não faltou também uma clássica porção de filé aperitivo com molho mostarda, acompanhada de fatias de pão italiano. Também agradou. 

Filé aperitivo com molho mostarda - Foto: Simone Catto

Em resumo: minha primeira experiência no novo Drosophyla foi ótima em todos os sentidos e pretendo voltar, como bem está assinalado no cartão do bar...!

Foto: Andrea Longov

Em tempo: não se preocupe com o quesito "parar o carro": há dois estacionamentos pertinho, na mesma calçada, com valores bem razoáveis. Um deles é o Estapar, que ainda dá desconto de 30% para clientes da Porto Seguro. Outro item que facilita a vida de muitos: a comanda do bar é individual. 

Pode ir ao DROSOPHYLA - MADAME LILI sem medo que certamente você vai gostar! Anote aí: Rua Nestor Pestana, 163 – Consolação. Tel.: (11) 3120-5535 – www.drosophyla.com.br. Abre às terças-feiras das 18h às 24h, quartas e quintas-feiras das 18h à 1h e sextas e sábados das 18h às 2h. Fica a dica!

sexta-feira, 6 de março de 2015

Armadilha, no Teatro João Caetano. Uma trama de suspense que merecia mais apuro.

Em algumas resenhas, a peça Armadilha, atualmente em cartaz no Teatro João Caetano e encenada pela primeira vez no Brasil, é descrita como um "suspense de sucesso apresentado na Broadway". O texto, premiado internacionalmente, é de autoria do norte-americano Ira Levin (1929-2007), considerado um grande dramaturgo do gênero suspense. É dele, por exemplo, o romance 'A Semente do Diabo', que deu origem a um filme clássico de terror do final dos anos 60, 'O Bebê de Rosemary', dirigido por Roman Polanski. E agora, além de inédita no Brasil, Armadilha é também a peça de estreia de um novo grupo teatral, a Cia. Goya de Teatro.

O enredo é interessante. Um dramaturgo de meia-idade e nenhum escrúpulo atravessa uma fase de bloqueio criativo e dispõe-se a qualquer coisa para recobrar o prestígio, o dinheiro e o sucesso perdidos – até cometer um crime, se for preciso. Com quatro personagens em cena, a trama tem boas surpresas e reviravoltas, o que supostamente garantiria o envolvimento do público. Porém, faltou algo. Não impactou.

O elenco da peça - Foto: Divulgação

A iluminação é lúgubre e o cenário, bem como os figurinos, são predominantemente escuros, com muito negro - talvez um recurso proposital para transmitir visualmente a atmosfera de "armadilha" que define o enredo. Até aí, tudo bem. No entanto, o fato de termos uma produção assumidamente minimalista e sombria não seria justificativa para um descuido dos detalhes cênicos. Muito pelo contrário, é justamente na simplicidade que a atenção deve ser redobrada para não empobrecer o resultado. Porque simplicidade é uma coisa e simplismo é outra. O fato é que, aqui, especialmente, a cenografia deveria ser um elemento destinado a agregar mais intensidade dramática à trama de suspense e cuidadosamente pensado para ajudar a concentrar o interesse do público. No entanto, infelizmente, não foi o que constatei.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação
Essa deficiência, pelo menos para mim, tornou-se mais evidenciada pela fragilidade de um texto que, não sei se por um problema de tradução ou de interpretação, soou também simplório e repetitivo. Faltou brilho. Um sentimento surpreendente, já que, como mencionei anteriormente, a qualidade do texto foi reconhecida com prêmios conferidos por entidades respeitadas no exterior. Não sou especialista em teatro, veja bem, estou apenas sendo honesta ao relatar minha experiência como mera espectadora. Este é o objetivo deste blog. Ocorre que assisti à peça com amigos e, coincidência ou não, todos emitiram as mesmas opiniões à mesa do jantar depois do teatro.

Se você quiser conferir se a sua opinião também coincide com a nossa, anote: ARMADILHA está em cartaz no Teatro João Caetano – R. Borges Lagoa, 650 - Vila Clementino. Tels.: (11) 5573-3774 e 5549-1744. Há apresentações às sextas e sábados às 21h e domingos às 19h. Obs.: não haverá espetáculo nos dias 6, 7 e 8 de março. Duração: 75 minutos. Ingresso: R$ 10,00. Até 29/3.

Ficha técnica parcial

Texto: Ira Levin
Tradução: Jorge Minicelli
Direção: Susanne Walker

Elenco: André Magalhães, Jorge Minicelli, Lu Grillo e Marília Persoli.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O Homem de La Mancha. Produção primorosa para os fãs de musicais.

Confesso que a temática do musical O Homem de La Mancha, em cartaz no Teatro do Sesi, não me atraía. Mesmo assim, fui assistir ao espetáculo a convite de uma pessoa querida que conseguiu os ingressos, bastante concorridos, com antecedência. Além do mais, o fato de ser encenada no Teatro do Sesi já é, por si só, um aval de qualidade para qualquer peça. Para falar a verdade, não me lembro de ter assistido, lá, a qualquer apresentação que pudesse ter sido classificada como "ruim". No entanto, é natural que, por uma questão de gosto pessoal, nem tudo o que vi por lá me apaixonou – como é o caso deste musical e de outro, 'A Madrinha Embriagada', igualmente dirigido por Miguel Falabella.

Contudo, a soma dos pontos positivos, isto é: a garantia de qualidade, a boa companhia e a entrada franca venceram meu desinteresse pelo tema e pelo gênero "musical" em geral. E realmente, a produção de O Homem de La Mancha é de primeiríssima. O elenco também é muito bom. Já as músicas, bem... juntaram-se a meu desinteresse pela temática e não me empolgaram. Porém, como afirmei anteriormente, trata-se de uma questão de gosto. Pode ser que você assista e tenha opinião diferente!

Foto: www.abroadwayeaqui.com.br

Foto: www.sproad.com.br

A história se passa na década de 30 e mostra um paciente sendo internado em um hospital psiquiátrico. O homem se apresenta como Miguel de Cervantes e está acompanhado de outro que seria seu fiel criado, Sancho. Destituído de seus pertences pelos outros loucos do hospital, Cervantes solicita apenas que lhe devolvam o manuscrito de uma peça de teatro de sua autoria. Para lhe dar uma oportunidade de ter seu pedido atendido, o líder dos loucos, denominado "Governador", realiza um julgamento no qual Cervantes, o réu, organiza sua defesa convidando os demais internos a encenar com ele sua peça de teatro. A "peça dentro da peça" nada mais é do que a história de D. Quixote de La Mancha, o Cavaleiro Errante que luta contra os males da humanidade.

Foto: www.blogdofranciscolimma.blogspot.com

A montagem, notadamente os figurinos do protagonista, foram assumidamente inspirados na obra do artista sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909/11-1989), um homem simples que teve várias profissões, sofreu um surto psicótico em 1938 e, diagnosticado como esquizofrênico-paranoico, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá - RJ. Bispo do Rosário ficou internado por cerca de cinquenta anos e começou a criar seus trabalhos artísticos apenas no final da década de 60 , produzindo, até sua morte, cerca de mil obras usando objetos do cotidiano que comprava ou trocava e sobras de materiais descartadas pelo próprio hospital. Porém, não se considerava artista. Dizia apenas ter recebido a missão de fazer um "inventário do mundo", para que, quando morresse, pudesse entregá-lo reconstruído a Deus. Foi descoberto em 1980 por Samuel Wainer Filho, que mostrou sua produção em uma reportagem do 'Fantástico', da Rede Globo. Veja algumas imagens de sua obra aqui, expostas na 30ª Bienal de Arte de São Paulo.

O figurino de D. Quixote, claramente inspirado em peças criadas por Arthur Bispo do Rosário.
Foto: www.alvareezcomz.blogspot.com

Quer conferir? O HOMEM DE LA MANCHA está em cartaz no Teatro do Sesi – Av. Paulista, 1313 – Bela Vista – São Paulo. Apresentações de quartas a sextas-feiras às 21h, aos sábados às 17h e às 21h, e domingos às 15h e às 19h. Entrada franca. Até 28/6.

Mas atenção: para adquirir seus ingressos, você precisa se cadastrar e reservar aqui: www.sesisp.org.br/meu-sesi. Para apresentações entre os dias 1º e 15 do mês, as reservas são liberadas no dia 25 do mês anterior, a partir das 8h. Para apresentações entre os dias 16 e 31 do mês, as reservas são liberadas no dia 10 do mesmo mês, a partir das 8h. Ingressos remanescentes são distribuídos nos dias das apresentações, a partir do horário de abertura da bilheteria (de quarta a sábado, das 13h às 21h, e domingos, das 11h às 19h30).

Ficha técnica parcial

Elenco: Cleto Baccic, Sara Sarres, Guilherme Sant'Anna, Jorge Maya e outros.
Direção e versão: Miguel Falabella
Texto: Dale Wasserman
Músicas: Mitch Leigh
Direção Cênica: Floriano Nogueira
Direção Musical: Carlos Bauzys
Coreografia: Kátia Barros
Cenografia: Matthew Kinley
Designer de Som: Gabriel D'Angelo

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Restaurante Obá, nos Jardins. Os sabores de quatro países em um ambiente cheio de cor.

Eu já havia estado no Obá para jantar, mas devo dizer que, dada sua atmosfera alegre e diurna, acho a casa mais agradável para o almoço. Estive lá com amigas num sábado e havia bastante gente. Duas coisas tornam o restaurante um bom lugar para se fazer uma refeição: a primeira é o ecletismo do cardápio. E a segunda, o charme da decoração aliado a uma ótima localização. Os ambientes têm piso e mesas de madeira e são bastante coloridos, com paredes e detalhes decorativos em cores quentes, o que confere ao lugar uma atmosfera calorosa e acolhedora.

Foto: Simone Catto

Foto: Sandra Pereira

Enquanto comíamos, São Francisco nos abençoava! - Foto: Simone Catto

Foto: Sandra Pereira

Pode-se dizer que o diferencial da casa é a variedade de nacionalidades que estão presentes no cardápio, com um mix de pratos inspirados na culinária de quatro países: México, Itália, Tailândia e Brasil. Uma verdadeira Torre de Babel. Os pratos são descritos em detalhes e, como alguns parecem realmente atraentes, pelo menos para meu paladar, na hora de escolher "bate" aquela dúvida.

Fiquei fortemente tentada a pedir um peixe como o chu chii pla (assado na folha de bananeira com um toque de creme de coco e curry vermelho acompanhado de arroz jasmim e relish de pepino), mas, como achei que a porção seria muito grande, acabei optando pelo pad thai, que também tem uma versão reduzida, como outros itens do menu. Para quem não sabe, pad thai é um macarrão de arroz feito na wok com camarão e ingredientes tradicionais. Em tempo: wok é um tipo de panela com formato de tigela, usada para cozinhar no fogão. Sinceramente, achei o prato apenas razoável, não morri de amores. Para quem está acostumada com o pad thai do Mestiço, decepciona um pouco.

O meu Pad Thai (R$ 36,50 o pequeno) - Foto: Simone Catto

Uma amiga pediu o filé de peixe em crosta de farinha de mandioca, com caldinho de peixe e tucupi, mandioca cozida e farofa d’água, e gostou muito. Para os menos gulosos, OK, já que a porção é pequena e não acompanha sequer uma porção de arroz. Se você for um bom garfo, porém, poderá acabar a refeição com fome se optar por esse prato.

O Filé de Peixe em crosta de farinha de mandioca, com caldinho de peixe e tucupi, mandioca cozida e farofa d'água: achamos a porção pequena! (R$ 57) - Foto: Sandra Pereira

Quanto às bebidas, pedi inicialmente um suco de melancia para forrar o estômago e, depois, uma taça do Espumante Brut Bossa n°1, da vinícola Hermann, no Rio Grande do Sul. Ambos combinaram perfeitamente bem com meu Pad Thai.

Meu suco de melancia em primeiro plano e, à esquerda, uma caipirinha de frutas vermelhas,Foto: Simone Catto



Tim-tim! - Foto: Simone Catto

E como não poderia faltar, no final o espresso caiu superbem.

Foto: Simone Catto

Devo fazer uma observação sobre o atendimento: naquele dia, pelo menos, os funcionários não pareciam trabalhar lá muito felizes. Não que eu tenha sido mal atendida, mas é difícil extrair um sorriso da equipe. Só que, para mim, quem atende em restaurante tem obrigação de ser simpático – ou, pelo menos, fingir que é. Senão, melhor trabalhar em outra coisa, né?

Agora vamos ao custo: minha refeição, isto é: porção menor do pad  thai + suco de melancia + taça de espumante + espresso, saiu por R$ 75,00 - dentro da média de restaurantes desse nível em São Paulo.

Se você quiser conhecer o OBÁ fica na Rua Melo Alves, 205 – Jardins. Tel.: 11 3086-4774 - www.obarestaurante.com.br.